guido viaro - auto retratos

24 de fevereiro de 2010 - por gil

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óleo sobre tela /1914 - 31,5×32 cm.  Acervo da família.

Viaro por ele mesmo

Alguém perguntou-me uma vez o que eu era. O que eu era? Confesso que até então nunca tinha pensado nisso. De fato, o que eu era? Como eu sou? Meu retrato? Retrato físico ou moral? Fiquei perplexo a tal pergunta, não soube responder. Geralmente tenho resposta pronta, mas aquela vez fiquei de boca aberta como um pateta. Como eu era? Que significava isso? Mas para que? Nunca me tinha proposto esta questão. Havia alguma necessidade de saber o que uma pessoa era: mera curiosidade ou finalidade especulativa? Afinal a gente é o que é — com seus brancos e pretos —, sua particular elasticidade para poder adaptar-se, para melhor se locomover, para invadir o campo branco, hoje, e amanhã o preto se for necessário, segundo as necessidades que a própria vida impõe ao sujeito.

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óleo sobre tela /1934 - 39×44 cm.  Acervo da família.

Como sou eu? Isso que é bonito! Eu sou o que sou; o espelho me fala a mesma linguagem de sempre, clara e insuspeita, sobre isso não tenho ilusões. Até os dias são contados pelo frio e indiferente amigo. Mas esse amante não parece interessar-se pela imagem física, quer conhecer a outra, aquela que nem o espelho e nem a foto revelou jamais a ninguém. Como se pode, então, descobrir o monstro que está escondido no fundo de nosso ser, assim sem prévio cerimonial, assim displicentemente? Apresentar ao lado de um Leo forte e sadio, o outro Leo raquítico ou vesgo? Um sósia que o mundo não pode aceitar por não ser a cópia autêntica do outro… ora, quem acreditará nesta figura que leva o mesmo nome, a mesma altura, os mesmos olhos, se vista obliquamente exibe toda a falsidade da primeira e a contrafação da segunda?

Então que queres conhecer? Seria bom desistir, amigo. Há mil séculos que tu vês criaturas que buscas em mim? Por que me segues olhando duro ou serenamente a todos os minutos que apareces? Por que és minha própria sombra? Por que te escondes e apareces de repente? És mais cômico do que trágico amigo. Será que ainda não pudeste entrar pela porta de serviço e espiar a teu prazer a pantomima? Os bastidores acolhem serenos e o pano de boca, veda? Será que tua perspicácia não alcançou a safadeza no olhar dos vendilhões de feira? Devias tudo ter adivinhado, mas, como queres tanto saber o que sou, vou te contar simplesmente o que sei.

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óleo sobre tela /1935 - 43×44,5 cm.  Acervo da família.

Nasci nu como os outros, em terra longínqua muito pobre e bonita. Meus pais fizeram tudo para mim, não correspondi porém às esperanças deles. Às vezes tenho remorsos disso, já é tarde (não pensem que o digo por cinismo), o que posso fazer agora? Nada. Com vinte anos, a política me pegou pelos cabelos e me empolgou ao ponto de ser chutado logo depois. Por quê? Por falta de equilíbrio, exorbitância de limites e outras coisas. Viajei um pouco, conheci homens de bem e maus sujeitos, sofri fome, que é o penúltimo dos tormentos. Quase sempre fui mal interpretado, embora sendo franco e honesto. Foi justamente neste setor humano que a sociedade sempre se equivocou. Por quê? Porque o homem social sempre foi ser fictício, um ser forjado de acordo com o ambiente, geralmente um boneco consciente com finalidades determinadas. O ser “fauve” nunca foi apreciado, nenhuma sociedade por mais livre pode aceitar o indivíduo que diz na lata o que sente e o que pensa. Pode, à primeira vista, achar graça, engolir sabiamente a pílula, segundo a ciência oriental, mas em seguida — logo que puder — afunda o sujeito sem dó nem piedade.

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óleo sobre tela /1935 - 23×27,5 cm.  Acervo da família.

Queres saber o que sou? Sou, no final de contas, um pobre diabo como tem tantos, talvez mais ainda que os tantos por ser visionário. Gostaria de ser útil; gostaria de fazer grandes coisas, o sonho me empolga — não à maneira das donzelas — mas depois… vejo, com nenhuma surpresa, que os sonhos eram castelos de papelão e que só resta ao homem o trabalho honesto e consciente.

Às vezes quero ser um forte, ter coragem, me bater à maneira antiga, mas cadê coragem? No fundo sou profundamente covarde (não tenho medo de mim mesmo porque em tal caso seria parecido com a anedota espanhola), mas, que o Sancho Pança tem grande atuação em mim é um fato, não posso negá-lo. Artisticamente não sou ainda um fracassado, graças às qualidades da vontade.

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óleo sobre tela /1947 - 35×49 cm.  Acervo da família.

Eu não sou um pintor nato, mas um artista em caminho. Até agora nada de notável produzi, colhi muitos elementos, anotações em quantidades. Explorei até os meus próprios sedimentos para ver se achava elementos novos que me facilitassem a escalada da montanha, sem nada ver, sem nada encontrar, só escombros e cadáveres de outros esforços mal digeridos. Quanto é difícil, Senhor, fazer alguma coisa sadia. Olhando distraidamente uma noite estrelada e considerando em seguida nosso arcabouço, não preciso dizer mais nada e depois a outra advertência: apodrecemos, que tal?

g-002_img_0510-gv-1950-auto-retrato-137x117cm-zincogravura-acfamilia-nmgvzincogravura /1950 - 11,7×13,7 cm.  Acervo da família.

Creio na amizade e ainda mais na inimizade. Destas tenho muitas e que muito me honram. Amizades bem poucas e todas conquistadas com bastante paciência. Tenho poucos apreciadores sinceros, de certo não se pode esperar por uma conquista total, uma vez que aqueles que nos são parecidos são poucos: devem ser poucos, de fato, e entre esses devem ser considerados aqueles anônimos que vivem ligados ao nosso espiritualismo, pelos fios invisíveis das analogias interiores. Já este fato de termos gente que nos entende faz com que as torturas e as dúvidas de que somos constantemente assaltados se tornem menos doloridas.

Essas torturas morais refletem no físico, uma necessidade contínua de se movimentar, de falar, de atacar sem motivo os outros, por que isso? Para esvaziar a vesícula, para não arrebentar. O que me faz parar alguns tempos sem falar e sem destilar veneno é a pintura. Aí no campo posso ficar duas, três e quatro horas sem nada pedir, preocupado em interpretar a natureza, tentando harmonizar o de fora com o de dentro, de maneira a me satisfazer pessoalmente. Poucas vezes consigo isso. Outras, estou no campo e pinto coisas que não tem nada com as que estão diante dos olhos, mas estou no ambiente e isto me basta.

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óleo sobre papelão /1954 - 48,5×65 cm.  Acervo da família.

Tentei várias vezes fazer vida de atelier, como muitos conhecidos fazem, entrar e sair a hora fixa, não resisti, porém, muitos dias. Um horário fixo me oprime como um pesadelo, e a mais, tenho a impressão que o tempo escraviza o homem de tal maneira a fazer dele um ser avesso, que contraria todas as leis, principiando por aquela do bom senso. Fazer tudo a hora fixa, como se fosse uma máquina, para se mostrar alguém excelentemente organizado é bem forte. O homem deve ser o que ele é, sem o uso da lixa.

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óleo sobre tela /1959 - 40×50 cm.  Acervo da família.

O homem galvanizado de hoje é meio homem, assim ele paga o próprio tributo social. Dizia que o atelier é excelente amigo da gente quando se quer trabalhar, quando se é perseguido por alguns fantasmas, por alguns amantes e a gente, de dentro do atelier pode responder: não estou, não tem ninguém! O atelier é bom para pensar, para estudar e assentar notas. É bom porque contém todos os nossos esforços, uma parte dos nossos pensamentos, pensamentos que nos custaram dias e noites de insônia. Embora tudo isso represente uma parte de vida interior, tem dias que não podemos ficar nem um minuto nesse ambiente.

Dias em que negamos tudo o que fizemos, tudo o que está dentro como se fosse um lugar de mentira. Mas, não seria mentir mesmo tudo o que nós fazemos? Não será talvez uma contrafação pueril da natureza o que grafamos sobre um piano, mesmo alcançando o essencial que é a poesia? Tudo o que sai de dentro e que não tem a feição comum das coisas que o mundo está habituado a ver diariamente seria pacotilha ou a verdadeira confissão da alma? E esta displicente confissão que representa a essência do ser e que o mundo exterior clama pela irrealidade, não seria um caminho falso que leva ao abismo?

Nada sei. Sei que só me resta trabalhar tenaz e continuamente para poder, um dia no fim da vida, dizer que consegui pouco em tanto esforço, mas fiz alguma coisa.

Guido Viaro - Revista Joaquim #18 - maio de 1948.

Link para página do Museu Guido Viaro,  inaugurado em 10/11/2009, em Curitiba - PR

Link para post sobre Pintores da Paisagem Paranaense.

* as  reproduções apresentadas neste post foram gentilmente cedidas por Tulio Viaro, cineasta e neto do artista. Publicarei na sequência outras séries de pinturas, na intenção de trazer à público parte da pictografia paranaense, ainda pouco disponibilizada na internet.

rancho das flores - carnaval de curitiba - 13/02/10

19 de fevereiro de 2010 - por gil

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Todo mundo sabe que eu sou meio turrão. Quando empaco, não vou pra frente de jeito nenhum. Nem que leve um pontapé na bunda. Mas, sábado fui conferir o carnaval no Centro Cívico. Cheguei lá e a turma já estava no embalo, aguardando o horário do desfile do Rancho das Flores. Eu não ia desfilar nem com reza, mas o Rodrigão e o Ferreira, meus amigos há mais de 30 anos, me convenceram. E lá fui eu cheio de razão e vazando cerveja. E sabem de uma coisa? Foi muito legal, aliás, foi divinamente genial desfilar com aquela turma de foliões que hoje estão na melhor idade. No próximo ano estarei lá com toda a certeza. Obrigado, Rodrigão e Ferreira. Aquele abraço.
Thadeu Wojciechowski, o Polaco da Barreirinha.

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Antonio Thadeu Wojciechowski e Rodrigo Barros Del Rey, puxadores do Rancho na avenida.

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A participação do Rancho das Flores nos desfiles de rua é uma tradição no Carnaval de Curitiba. O bloco formado por foliões com idade entre 65 e 90 anos é coordenado pela Fundação de Ação Social (FAS) e Fundação Cultural de Curitiba e reúne, em média, 500 participantes dos programas da prefeitura municipal para a terceira idade. A primeira apresentação aconteceu no Carnaval de 1990, com o tema Primavera. Desde então o Rancho das Flores inova a cada ano com um novo enredo.

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CLIQUE E OUÇA - Rancho das Flores. Água, vida e fantasia - 2010
voz: Rodrigo Barros Del Rey
Composição: Thadeu Wojciechowski e Luiz Ferreira.

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Quem sai na chuva é pra se molhar
Carnaval é pra pular, viver, brincar

Água em pedra rebenta e não demora
Se for pra ser feliz que seja agora

É lindo este povão
Sorrindo na avenida
Chegamos pra mudar a sua vida

Sai pra lá, mau humor
Vem pra cá, alegria
Rancho das Flores
Água, vida e fantasia.

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Marcinha Souza, rainha do Carnaval de Curitiba em 2010.

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Nego Lírou, de chupeta no pescoço, comandou o batuque do bloco…

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… que teve como madrinha da bateria a artista plástica Margit Leisner…

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Maringas Maciel na pista…

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… Luiz Ferreira, no cavaquinho…

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… o  contrabaixista Glauco Solter

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… Barbara Kirchner, curitibaneando.wordpress.com

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… e foliões de todas as idades.

ranchodasflores_foto_gilsoncamargo_13_02_10curitiba57Casal assiste aos desfiles no Centro Civico, sentado na escultura “Luar do Sertão”, de João Turin /1946, em frente a prefeitura municipal…

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… do outro lado da rua, guardas municipais e familiares faziam vigilia pedindo melhores salários e condições de trabalho adequadas.

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Muga Riesemberg e Maureen Miranda.

Fim.

a função social da arte - por ferreira gullar

23 de janeiro de 2010 - por gil

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“Veja bem, a primeira função social da arte é a arte mesma. Porque a arte, em primeiro lugar ela amplia a vida das pessoas, ela dá alegria, ela enriquece a vida das pessoas. A sociedade é inventada, a vida é inventada, nós nos inventamos a nós mesmos, não arbitrariamente, mas, se eu tenho determinadas necessidades eu me invento na direção das minhas necessidades e se eu tiver capacidade eu vou avançar e de uma maneira ou de outra eu me invento escritor, eu me invento jogador de futebol, eu me invento fotógrafo, eu me invento cineasta, jornalista. Então a vida, ela é inventada. A religião é uma invenção do ser humano que ele necessita para responder as questões que não tem resposta. O mundo não tem sentido e a religião dá sentido ao mundo. Pra quem acredita na religião as coisas estão explicadas de alguma maneira. Por que é que existe o mundo? Não tem resposta. Por que é que existe algo ao invés de nada? Não tem resposta. A ciência e os cientistas não tem resposta. Mas, se Deus criou o mundo, acabou-se, tá respondido, tá certo?”

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“Então a arte foi uma das coisas que o homem criou pra inventar o seu mundo, porque o ser humano é um ser cultural, ele não é um ser estritamente natural. Ele nasce da natureza, mas, ele vive no mundo da cultura, quem vive na natureza é macaco, onça, jacaré… o homem vive no mundo da cultura. A cidade é inventada pelo homem, é uma coisa complexíssima, já imaginou quanta coisa existe, quanto equipamento existe pra essa cidade funcionar? É uma invenção extraordinária do ser humano, onde ele vive. É o mundo dele, que ele criou. Então a arte é parte desse mundo, ela não é a verdade, ela não tem por função dizer a verdade verdadeira que ninguém viu, pelo contrário, o Picasso diz: “a arte é a mentira mais verdadeira que a verdade”. É mentira quando o Drummond diz: “Como aqueles primitivos que carregam consigo o maxilar inferior dos seus mortos, eu te carrego comigo, tarde de maio”, é mentira, mas, é lindo né! Então tá aí a função da arte, o cara lê isso e ele fica feliz, a vida dele é mais rica. A arte não tem uma única função, mas, basicamente ela faz parte da construção do mundo imaginário de que o homem necessita pra viver, pra existir, pra construir a sua vida.”

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Ferreira Gullar em sua residência, no Rio de Janeiro, em 14/01/2010. Imagens produzidas para o projeto “Centro Popular de Cultura da UNE (1959-1964) - Encontros e desencontros entre arte, política e educação.” de Ana Carolina Caldas.

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5 de janeiro de 2010 - por gil

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Foto: Haroldo Viegas

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5 de janeiro de 2010 - por gil

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Foto: Haroldo Viegas

CLIQUE E OUÇA - Compromisso
Troy Rossilho
Composição: Octavio Camargo, Troy Rossilho, Alexandre França e Luiz Felipe Leprevost


museu de periferia do sítio cercado (mupe) - curitiba

27 de dezembro de 2009 - por gil

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Alunos da Escola Guilherme Lacerda Braga Sobrinho – Centro de Ação Integrada à Criança (CAIC), no Sítio Cercado, em Curitiba, mostraram seus desenhos e redações sobre o bairro no dia 21/11/09 durante a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra. São mais de 150 desenhos e redações produzidos por alunos de diferentes faixas etárias do ensino fundamental. A proposta de documentação é do Museu de Periferia do Sítio Cercado (MUPE) em fase de implantação como Ponto de Memória, que conta com a orientação em metodologia e processos museais da equipe técnica do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Os trabalhos foram exibidos em murais de cartolina. A atividade teve orientação da professora de história Simone Raia e será proposto em outras escolas do bairro em 2010.

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Os desenhos e redações estão sendo reproduzidos fotograficamente e transcritos pela equipe do MUPE seguindo critérios museológicos de documentação e arquivamento e serão disponibilizados para o público como acervo digital na página do MUPE. A criação deste acervo permitirá a capacitação de moradores do bairro, através de oficinas de metodologias de reprodução digital de imagens e documentos, catalogação, arquivamento e disponibilização de conteúdos na internet.

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O MUPE desenvolve projeto de pesquisa sobre a “Memória Viva do Sítio Cercado” através dos relatos e das representaçôes dos moradores.  O bairro era uma área rural até o final da década de 70 e teve um crescimento gigantesco nos últimos 30 anos, abrigando hoje aproximadamente 160 mil moradores. Para além da história oficial produzida academicamente, os depoimentos expressam a mitologia ativa na comunidade sob a perspectiva de cada indivíduo e indicam novos caminhos para o desenvolvimento social.  Os desenhos revelam características locais presentes no imaginário dos alunos, dentre elas o grande adensamento habitacional, o trânsito de automóveis, a violência urbana e os equipamentos de lazer das escolas, com suas canchas de esportes, gangorras e escorregadores.

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Link para a página do Museu de Perifeira do Sítio Cercado (Mupe) - Curitiba / PR

Link para post sobre o Museu de Favela (MUF) - Pavão, Pavãozinho e Cantagalo - Rio de Janeiro / RJ

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Na primeira metade do século XX, Laurindo Ferreira de Andrade adquiriu 180 alqueires de terra e instalou-se em uma região cercada de rios por todos os lados na região Sul de Curitiba. Esta localidade servia de pouso para tropas de gado pela facilidade de passagem e por ser cercada pelas águas.
Na década de 1940 seu Laurindo dividiu as terras com a família, onde cultivavam feijão, arroz, milho e hortaliças. Na década de 1960 a propriedade foi vendida a terceiros que iniciaram os loteamentos. Em 1992 ainda existia ali um grande vazio urbano que servia ao plantio de grama quando a prefeitura implementou dentro de sua área o Bairro Novo, um enorme loteamento com 12 mil lotes e área para mais 25 mil apartamentos. O Bairro Novo completou 17 anos em 22 de março de 2009 e nele já residem aproximadamente 60 mil pessoas.

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Bairro de maior densidade populacional da cidade, o Sítio Cercado situa-se a 13 km do centro da capital, e abriga aproximadamente 160 mil habitantes em seus 11,2 km quadrados.

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DELIMITAÇÃO DO BAIRRO CONFORME O DECRETO 774/1975
Ponto inicial na confluência do Arroio Cercado e o Ribeirão dos Padilhas. Segue pelo Ribeirão dos Padilhas, Rua Eduardo Pinto da Rocha, Estrada do Ganchinho, Rua Nicola Pellanda, Divisa Sul da Vila Santo Antonio, Arroio Cercado, até o ponto inicial.

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Vista panorâmica parcial do bairro Sítio Cercado a partir da rua Izaac Ferreira da Cruz, no Alto Boqueirão.

quando não cabe em uma imagem

21 de dezembro de 2009 - por gil

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Zoológico Parque Iguaçu - Curitiba / PR

CLIQUE E OUÇA - Zôo
Karnak
Composição: André Abujamra/Théo Werneck

boteco bohemia 2009 - festas da saideira

21 de dezembro de 2009 - por gil

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Equipe Do Brasil Eventos, durante a montagem da festa  na fábrica da Ambev, em Curitiba.

“A Festa da Saideira é o gran finale do Boteco Bohemia, o momento de celebrarmos o resultado de um mês dedicado a busca do melhor petisco da cidade. A idéia é que o evento seja uma confraternização entre os bares participantes e os consumidores de Bohemia, que poderão aproveitar a ocasião para degustar todos os petiscos concorrentes ao som de música de qualidade”
Maria Fernanda Albuquerque, gerente de marketing de Bohemia.

A documentação  das Festas da Saideira dos Botecos Bohemia Curitiba e São Paulo 2009, produzidas para a Trip Editora e Do Brasil Projetos e Eventos, se dividiu em 6 tópicos, clicados, como sempre, nas condições existentes de luz e sem produção:

1 - Apresentações artísticas:

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CLIQUE E OUÇA - É isso aí
Casuarina
Composição: Sidney Miller

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CLIQUE E OUÇA - Canto de Ossanha
Casuarina
Composição: Vinícius de Moraes e Baden Powel

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CLIQUE E OUÇA - Timoneiro
Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho

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CLIQUE E OUÇA - Dança da Solidão
Paulinho da Viola

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CLIQUE E OUÇA - Nascer e florescer
Velha Guarda da Portela
Composição: Mania

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CLIQUE E OUÇA - Minha vontade
Velha Guarda da Portela
Composição: Chatim / 1955

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CLIQUE E OUÇA - Cara Valente
Maria Rita
Composição: Marcelo Camelo

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CLIQUE E OUÇA - Veja bem meu bem
Maria Rita
Composição: Marcelo Camelo

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CLIQUE E OUÇA - Linha de Passe
Banda Mantiqueira
Composição: Pixinguinha

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CLIQUE E OUÇA - Barraco Dourado
Bangalafumenga

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CLIQUE E OUÇA - Mãe d`água
Bangalafumenga

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CLIQUE E OUÇA - 1 X 0 - por Pixinguinha
Variado Social (Clayton Rodrigues, Jairo Wilkins, João Egashira, Julião Boêmio e Leandro Teixeira)
Composição: Pixinguinha

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CLIQUE E OUÇA - Tigresa
Banda Black Rio
Composição: Caetano Veloso

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CLIQUE E OUÇA - Diariamente
Dj Patife - Voz: Camila Andrade
Composição: Nando Reis

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CLIQUE E OUÇA -Link
Dj Patife - Voz: Laura Finnochiaro

2 - Perfil do público:

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- “Mulher feia é como pantufa. Dentro de casa até vai, mas, na rua dá uma vergonha…” (anônimo)

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- “Metade do meu dinheiro eu gastei em mulheres e cerveja. A outra metade desperdicei.” (anônimo)

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- “Pior que cuspir no prato que comeu é comer no prato que cuspiu.” (Chico Xavier)

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- “A mulher foi feita da costela, imagina se fosse do filé…” (anônimo)

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3 - Degustação e venda de produtos Bohemia e petiscos.

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- “Arribaaaa, abajooo, ao ladooo, ao centrooo e a dentrooooooo!”

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- “Galera, meu cartão não tá passando!…”

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- “Quem gosta de velha é pêlo no queixo!” (anônimo)

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4 - Bastidores da produção:

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- “Se sua sogra é uma jóia, nós temos a caixinha.” (Funerária São José)

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- “Se o horário oficial é o de Brasília, por que a gente tem que trabalhar na segunda e na sexta?”

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5 - Presença da marca no evento:

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- ”A culpa é minha e eu ponho ela em quem eu quiser!” (Homer Simpson)

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- “Não beba água, os peixes transam nela.” (anônimo)

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- “Se não puder ajudar atrapalhe. Afinal o importante é participar.” (anônimo)

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- “Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater.” (Nelson Rodrigues)

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6  - Consumo responsável:

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- “Todo chavão abre uma grande porta.” (anônimo)

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- “Promoção! Peça fiado e ganhe um não!”

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Link para página oficial do Boteco Bohemia

numa relax, numa tranquila…

17 de dezembro de 2009 - por gil

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Ponta Grossa - Canoa Quebrada / Ceará

CLIQUE E OUÇA - Bubuia
Céu, Anelis Assumpção e Thalma de Freitas

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clássicos curitibanos

14 de dezembro de 2009 - por gil

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Paulo Leminski - 80 Poemas - Edição Zap - 1980