Olhar Comum

língua brasileira de sinais – entrevista com jonatas medeiros

29 de junho de 2017 - por gil

Jonatas Medeiros, 25 anos, nascido em São João do Ivaí, interior do Paraná, tradutor e intérprete de Língua Brasileira de Sinais, na UFPR.

O que caracteriza uma pessoa com deficiência auditiva?

Uma pessoa com deficiência auditiva pode ser uma pessoa que nasce com surdez, que pode ser causada por inúmeros fatores patológicos ou genéticos e também pode ser uma pessoa que teve perda auditiva ao longo da vida, por alguma doença ou por idade. Mas, isso vai caracterizar essa pessoa de uma forma biológica, de uma forma voltada para o patológico, para a perda, e vai enquadrar esse sujeito dentro de uma categoria que seria a de deficiente auditivo. É visualizar um sujeito e ter um discurso sobre o sujeito a partir da deficiência, da ideia biológica dessa perda auditiva.

Quantas pessoas tem esta condição no país?

Segundo o IBGE, em 2014, em torno de o,5 a 1% da população. É um número expressivo. Mas, como a política é sempre voltada para uma questão numérica quantitativa, esse 1% fica muito aquém no sentido de politicas que atinjam esses sujeitos.

Agora, quanto à porcentagem há um problema na pesquisa, porque ela não avalia o sujeito usuario de língua de sinais, não tem uma pergunta no questionário do IBGE se você é surdo, ou seja, – se porta como sujeito cultural de identidade surda? Essa pergunta não é feita. Então, quando eu pergunto sobre a deficiência eu estarei elencando categorias sensoriais: moderada, leve, etc… e isso não é uma questão linguística e, sim, patológica.

A grande questão a ser observada é o sujeito surdo, o sujeito usuario de língua de sinais. Porque aquele que já tem a lingua portuguesa e perde a audição é um sujeito que teve uma perda auditiva pós-linguistica, ele já teve a aquisição da lingua. Já a questão do sujeito que nasce surdo é uma questão de politica linguistica, de politicas educacionais que contemplem para ele uma formação presente numa lingua que vá de encontro com esse sujeito.

Então, dentro desse universo, desse número de sujeitos, a gente não saberia quantificar exatamente quantos seriam os usuarios de língua de sinais. Também é importante ressaltar que quem faz a pesquisa não sabe língua de sinais e nem sempre sabe se reportar ao sujeito que vai responder. Então, como quem responde costuma ser um terceiro, um outro que mora com esse sujeito, são números em que é difícil a gente ter exatidão.

Desde quando você trabalha com interpretação de LIBRAS?

Na UFPR fazem 4 anos, mas, eu iniciei minha carreira antes, trabalhando em associação de surdos como interprete de língua de sinais, atendendo o Detran, atendendo médico, advogado, fazendo esse trabalho mais comunitário. Depois eu fui para a educação, trabalhar no Estado. Trabalhei no ensino fundamental, no ensino médio, e nesse período fui fazendo minha transição, trabalhando na graduação também, até fazer o vestibular na UFPR.

Você não é surdo. Quando começou a ter contato com a língua de sinais?

Quando eu estudava num colégio público na Vila Verde, aqui em Curitiba, na periferia. No primeiro ano tinha uma menina surda na minha sala. Ela não usava língua de sinais, ou eu não percebia, pois não conhecia. Mas a gente se comunicava por gestos, era bem interessante. Inclusive a professora usava a fala com ela, apenas. Eu lembro que ela colocava um batom vermelho, falava bem de frente pra ela, era um outro processo. Eu tive um contato com ela, mas não tinha nenhuma percepção de língua, de sujeito. Depois de uns anos é que eu fui ter contato com a língua de sinais dentro de uma comunidade surda a qual eu comecei a fazer parte, comecei a frequentar por meio da igreja evangélica, também voltado a uma prática comunitária, e ali começou o meu processo de interesse pela lingua e em ter mais contato com surdos.

Então, lá pelos 11, 12 anos, pelo meio cristão eu comecei a me interessar pela lingua de sinais, e já interpretava, já contribuía. Até pela carência de pessoas que sinalizavam, os surdos sempre me convidavam: – ah, vamos comigo até tal local, até tal espaço. Então, mesmo aprendendo, adquirindo a lingua eu já comecei a atuar para eles como intérprete também.

É comum encontrar intérpretes jovens?

Hoje já existem mais cursos formativos para intérprete. O espaço, o mercado e também as instituições públicas tem, ainda de forma efêmera, mas, tem olhado para esse profissional e pensado numa formação. Mas, como muito dos profissionais vieram da igreja, porque a igreja foi um espaço que se preocupou com o surdo, com a alma do surdo, com toda a questão teológica voltada pra tentar salvar o sujeito, isso fez com que surgissem personagens de lingua de sinais dentro da igreja e alguns mais novos foram se interessando e foram se formando como intérpretes dentro da igreja mesmo.

E quando as políticas pelo movimento surdo são retomadas com mais proeminência, parece que o mercado necessita desse profissional e pela carência de não o ter, a igreja começa a fornecer esses profissionais. Muito do que se tem hoje, não dá pra generalizar de forma alguma, mas é fruto das igrejas católicas, evangélicas que tem um grupo de trabalho voltado para o social, e é esse grupo de trabalho voltado para o social que vai ocupando os espaços no mercado de trabalho.

E aí junto vem discursos filantrópicos, assistencialistas, que são discursos que hoje as instituições de ensino vem moldando, quem sabe, ou a ciência em si, mas, veio muito carregado pro mercado de trabalho essa visão assistencialista ainda, porque era a marca que esse sujeito carregava. Então, eu acredito que há novas narrativas também sendo constituídas em torno desse profissional.

Como se dá, na prática, a inserção da pessoa surda na educação?

A politica se divide um duas perspectivas pro movimento surdo. Uma é a perspectiva inclusiva, que é o cerne hoje do investimento politico e das práticas pedagógicas; e a educação bilingue, que é uma reivindicação do próprio movimento. Este movimento tensiona pro bilinguismo porque tem uma perspectiva voltada para que o espaço, a escola, possa ser um centro comunitário onde esses sujeitos que são reconhecidos como uma minoria linguistica e cultural possam ter um método voltado pro ensino da pessoa surda, um método que explore a visualidade, onde a lingua de sinais seja a lingua majoritária daquele espaço e a cultura circule, um currículo surdo circule naquela escola.

Esse projeto está também no papel, no PNE ele foi aprovado, ele existe como uma possibilidade de espaço de ensino, a educação bilingue, as classes bilingues também tem um espaço contemplado, mas, a realidade hoje se efetiva basicamente dentro da inclusão. O que toma força hoje e que eles tem acesso é isso. A escola bilingue não se concretiza como espaço efetivo porque não há uma politica voltada para a sua efetivação, e a educação inclusiva permeia e captura esses sujeitos para esse tipo de educação voltada ainda para um currículo ouvinte, dentro de uma disciplina pensada para alunos ouvintes, com professores ouvintes não fluentes em lingua de sinais. Então, ele está locado hoje no espaço da inclusão. Há uma busca dentro da inclusão para a adaptação, para a tentativa de receber esse sujeito, de preparar esses professores, e como não há ninguém preparado, o que acontece é a politica se efetivando sem ter necessariamente recursos apropriados, sem ter exatamente condições pra que esse alunos possam ser recebidos dentro da inclusão.

Uma escola bilingue demandaria também o desenvolvimento de um currículo diferente para o surdo?

Seria o mesmo currículo do ouvinte, mas, sob a perspectiva surda. O método desse curriculo deve ter uma perspectiva surda. História surda, cultura surda, escrita de sinais. Quando se fala em curriculo surdo é pensar todas as produções de conhecimento, porque o sujeito surdo forma, produz conhecimento, é ontológico também. Aquele corpo vai produzir uma ontologia. Então, é o acréscimo disso que é especifico do sujeito a todas as outras disciplinas também, dentro de um método visual.

É interessante que as politicas para minorias como os indígenas atende mais e reconhece mais, porque como o índio não é visto como deficiente, parece que as politicas encontraram maiores saídas para atende-lo de uma forma linguistica. Como o surdo fica no entrave da perspectiva da deficiência, parece que o discurso fica rompido, ele fica fracionado entre a visão patológica e a visão de língua, e esse discurso patológico acaba entravando as questões linguisticas. É por isso que a inclusão toma força.

Em relação à inclusão e ao bilinguismo para a criança surda, quando ela nasce não é interessante ter um intérprete, mesmo que a política alcançasse a figura desse interprete, porque é inimaginável você pensar o intérprete sendo mediador de uma educação infantil, por exemplo, onde as aulas são voltadas para crianças ouvintes e esse intérprete vai ser o único interlocutor em sala de aula.

Ele (o surdo) precisa de um modelo linguístico, ele precisa de linguas circulando em volta dele. Não pode ser só a lingua oral e apenas um intérprete ser o sujeito que tenta captar todas as vozes discursivas, as nuances acontecendo no ambiente e passar pra essa criança. É até anti-pedagógico pensar uma interação mediada por um sujeito que não tem, necessariamente, uma formação específica! Então a educação infantil cai nesse impasse porque novamente a inclusão não funcionaria. Parece que a inclusão, que é voltada para a ideia da interação de todos, de colocar todos os sujeitos para interagir no mesmo espaço, não preza pelo conhecimento, pela qualidade desse sujeito em interagir.

Principalmente pensando que 95% das crianças surdas nascem em familias de pais ouvintes, que não sabem lingua de sinais. Então, para os pais e para as mães muitas vezes também é uma surpresa descobrir um filho que não vai escutar e que não vai ter exatamente o mesmo acesso que o pai e a mãe tiveram. Muitas vezes os pais também entram nesse processo de aprendizagem da lingua de sinais e, diferente de uma criança ouvinte que nasce em um ambiente em que a lingua já está posta, parece que essa criança vai ter essa construção em casa. Por isso é que na escola temos que ter pelo menos um ambiente mais rico linguisticamente, para que possa suprir eventuais lacunas durante os diálogos familiares, durante a linguagem umbilical que vai se criando. Se se mantém o espaço inclusivo os mesmos entraves linguísticos em casa pode ser que permeiem, continuem na sala de aula, com professores que não sabem lingua de sinais, com outras crianças que também não sabem língua de sinais.

A educação infantil é o calcanhar de Aquiles porque não adianta também você ter um intérprete no quinto, sexto ano depois, na escola inclusiva. Porque é o que se tem hoje, tem interprete lá no sexto ano. Quando a criança sai do ensino básico e vai pro ensino fundamental você tem um interprete. Só que, se você não deu lingua para essa criança até os seus 10 anos, ela vai chegar na inclusão depois com um interprete fluente em lingua de sinais, mas, a própria criança não vai ser fluente, ela foi empurrada até ali. Ela chega num espaço com um interprete, com pessoas que sabem se comunicar com ela, mas, a criança mesmo, o sujeito em si não adquiriu a língua ainda.

Então, na prática, a criança fica lá na educação infantil meio que sozinha, “se virando” na sala?

É. Você vai ter professores com muito boa vontade, com formação de 60 horas, que é o que acontece hoje, por exemplo, nas licenciaturas. Você tem a disciplina de LIBRAS como obrigatória, mas é algo que 60 horas não te preparam para aprender uma lingua, lidar com um sujeito que ontologicamente tem uma perspectiva de mundo diferente. A literatura tem comprovado que as comunidades surdas tem um acúmulo teórico, tem uma ontologia, um estar no mundo que tem um significado diferente. Não sei se 60 horas das disciplinas de lingua de sinais tem contemplado isso dentro das universidades. Parece impossível! É um acúmulo muito significativo para você conseguir reduzir numa disciplina. E aí você tem um professor que tem boa vontade. Uma vontade do tamanho de 60 horas!

Aí essa criança é colocada dentro de um AEE, que faz parte da política, que é realizado dentro da sala de recursos multifuncionais, na melhor das hipóteses, né, e aí ela tem um professor que dá aula de lingua de sinais uma, duas vezes por semana pra essa criança, e na educação comum ela está lá junto com os outros, mas, sem ter o input necessário para ter um ambiente linguístico favorável pra ela.

A lingua de sinais é vista ainda muito como recurso, o momento onde agora nós vamos aprender a lingua de sinais. Como a educação especial é muito fragmentada: deficiente visual, braile; cadeirante, recurso arquitetônico; então, como é tudo muito recurso, quando chega na deficiência auditiva, o sujeito diz ah, LIBRAS! Parece que a LIBRAS também é um recurso como os outros, porque é colocado dentro dessa categoria, quando os movimentos surdos e os estudos da literatura voltada para essa perspectiva não clínica, não patológica, e sim para a perspectiva cultural do sujeito, faz uma leitura muito contrária a isso.

Você falou que o surdo cria linguagem, cria cultura, etc… E o cego, não?

Provavelmente cria artefatos, pode ser que crie cultura sim, eu não tenho conhecimento específico pra falar dessa minoria, mas, a lingua em si, com outra mudança de perspectiva, isso não se cria. A língua do cego é o português, a lingua do cadeirante é o português, as vias de comunicação que formulam uma compreensão ainda são mediadas pela lingua portuguesa. O surdo, por uma questão biológica que não pode ser negada, produz uma outra lingua, uma lingua de modalidade visuespacial, uma lingua que tem outras propriedades diferentes da lingua portuguesa e por ter uma percepção visual, não auditiva, mas uma percepção visual a respeito do mundo ele também cria um modelo cognitivo para ele que é diferente do cego, e isso cria cultura.

A interação de um surdo com outro surdo produz a arte surda, produz poemas na lingua de sinais. A lingua parece ser um motor pra se criar discursos a respeito de si mesmo, a respeito do outro surdo, sobre a sua lingua e criando literatura, criando poesia, criando humor a partir disso. O que o movimento surdo produz materializa, e a literatura acadêmica também tem apontado que eles criam cultura, então a partir dessa fala eles se reconhecem como sujeitos, não como deficientes, mas, como sujeitos minoritários culturalmente.

E depois, quando a criança vai avançando na educação?

Bem, aos 6 anos começa a chegar algo para ela, mas, novamente a lingua majoritária ainda é a lingua portuguesa, os livros que circulam são em lingua portuguesa, as perspectivas de ensino dos professores, a maioria das vezes vai ser voltada na perspectiva para alunos ouvintes. As vezes ele tem 26 alunos ouvintes, e tem 1, 2 surdos, e nem sempre ele consegue equalizar a aula dele para que atinja os dois públicos.

É importante ressaltar que nós temos escolas de surdos, e nessas escolas você tem metodologias de filosofias mais oralistas, com a tentativa de reabilitação da fala, você tem metodologias com a perspetiva mais voltada para a comunicação total, onde há fala, há lingua de sinais, o gesto, uma hibridez, mas parece que o pano de fundo objetivo é fazer com que esse sujeito chegue na lingua portuguesa. E você tem as escolas bilingues, mas, que são muito esporádicas, não é uma realidade no Brasil, não é uma realidade nas cidades. Você tem de forma muito pontual isso acontecendo, a política bilingue se efetivando.

Em Curitiba, temos alguma escola bilingue?

Escola municipal em Curitiba, nenhuma. O que nós temos é convênio, mas escola pública não temos. E os dois convênios que nós temos, um é com a escola de cunho oralista, que não ensina a lingua de sinais, então trabalha com a ideia da terapia da fala ainda, com a ideia da limitação fonoarticulatória; e temos uma outra escola que permite a lingua de sinais, mas, que tem toda a comunicação voltada para uma perspectiva totalizante, que é a fala, é o gesto, a mímica, mas, o pano de fundo ainda é a lingua portuguesa, o objetivo não é a fluência da lingua de sinais. A língua de sinais é tolerada, mas ela não é o foco, a lingua de instrução. Parece que ela ainda é vista como um recurso que pode auxiliar na comunicação.

E aí no Estado, aqui no Paraná, a gente tem hoje um colégio bilingue tradicional de lingua de sinais, que passou também por todas essas influências discursivas, metodológicas, mas, que hoje caminha de forma muito positiva para a construção de um bilinguismo mais pleno, com potência, com professores surdos, pedagogos surdos. É o Colégio para surdos Alcindo Fanaya, aqui no Agua Verde, em Curitiba, que atende o ensino fundamental e médio, e também a educação infantil, de forma conveniada.

O material que existe para o surdo, dos clássicos da literatura ouvinte, por exemplo, costuma ser bastante incipiente e até infantilizado. Qual é a perspectiva da produção de materiais que possam enriquecer esta formação?

É bem importante pensar que há criação de literatura surda também. Há produções dos próprios surdos, narrativas surdas, que nem sempre são traduzidas para o português, mas, que também circulam e são materiais culturais riquíssimos e fundamentais para a educação do surdo hoje em uma educação bilingue. Como houve uma proibição durante 100 anos do uso da lingua de sinais, desde 1880, após esses 100 anos há tentativas de romper com um discurso que ainda é o da narrativa mestra, que é o discurso oralista, o discurso da fala. O discurso da lingua oral é uma narrativa mestra que ainda atinge as politicas, os discursos de senso comum, de especialistas carregados da ideologia da fala, subalternalizando a lingua de sinais e fazendo com que durante 100 anos, e até hoje a gente vive esse resquício, torne mais lento os processos de criações artísticas e culturais.

Mas, sem duvida alguma o povo surdo resistiu através da arte, através da literatura. É uma literatura muito interessante para ser analisada do ponto de vista da produção do que tem sido feito hoje. Temos ainda a literatura adaptada, que vem da literatura ouvinte e que você adapta para uma literatura surda; e temos a literatura traduzida, onde eu vejo que existe uma lacuna, na qual a gente tem alguns avanços, mas, sem dúvida os clássicos ainda não chegaram. E é aí que a gente se aventura com o Octavio e a Cia Iliadahomero de Teatro, traduzindo esses clássicos mundiais que são formativos da cultura ocidental, que formam o nosso pensamento, trazendo esse conhecimento também para a lingua de sinais.

Existem coisas, mas, muito poucas, a ponto de se dizer que não tem. Eu ouvi falar que existe uma montagem da Iliada em lingua de sinais, mas, que é curta, extremamente contemporânea. Boa, linda talvez, mas, não traz o texto na íntegra, não traz ainda essa narrativa homérica; é uma adaptação teatral que pega um recorte do texto. Mas, eu ainda não vi nenhum registro em video.

Então, há nesse momento algumas dobras pontuais do universo tentando criar esse diálogo, mas, a gente não tem a materialidade da obra ainda. É o que a gente tem buscado fazer. Trazer o Canto 1 da Iliada na íntegra. Vamos fazer a tradução! James Joyce, na integra. Os Lusiadas, na integra, dentro daquilo que se propõe àquela estética de texto. Eu acho que isso é muito novo e acredito que é uma contribuição significativa porque as traduções alimentam também as outras culturas e se produz linguagem a partir do outro, do olhar do outro.

polvo à galega

23 de junho de 2017 - por gil

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Sabe aquele polvo que está congelado no freezer e você sempre acreditou que bom mesmo seria cozinhar um fresco? Pois, lendo algumas receitas de como prepará-lo à moda galega fiquei sabendo que, em varias regiões, logo que capturado o polvo é golpeado para que a carne fique mais tenra, mas, que o seu congelamento pode produzir o mesmo efeito.

A preparação deste delicioso prato – e que sem dúvida o lugar maravilhoso agregou notas ao sabor – começou um dia antes, pois o polvo estava congelado e o ideal é descongelar lentamente na geladeira. Mas, se você mora em um lugar frio como Curitiba não precisa se preocupar com isso, basta apenas deixá-lo algumas horas sobre a pia.

Quando o bichinho estiver descongelado, coloque uma panela de pressão com água, louro, sementes de pimenta e uma cebola para ferver. Quando a água levantar fervura, segure o polvo pela carcaça da cabeça, mergulhe os tentáculos e retire da água 3 vezes por 15 segundos cada vez. Solte-o nesta água temperada, sem sal, tampe a panela de pressão e deixe cozinhar por 40 minutos.

Retire o polvo, corte os tentáculos em rodelas e separe. Cozinhe algumas batatas e corte-as também em rodelas. Então, é só montar em uma travessa o polvo e as batatas, colocando sal, pimenta do reino, páprica doce (pimentón dulce) e um bom azeite de oliva.

Aqueça o azeite e derrame-o sobre o polvo para finalizar o prato.

Tuca Nissel

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Vila da Glória, São Francisco do Sul/SC. 

1º piquenique literário biblioteca franco giglio

4 de maio de 2017 - por gil

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Na tarde de 1º de maio de 2017, uma reunião comunitária buscou entender as razões pelas quais a Biblioteca Franco Giglio está fechada há mais de seis anos, e planejar os passos para a sua imprescindível reabertura pela Prefeitura Municipal de Curitiba.

O evento foi uma iniciativa do coletivo Salvemos o Bosque da Casa Gomm, que vem se organizando para que espaços públicos sejam ocupados e reativados, de moradores da região e diversos coletivos e cidadãos que querem ver esta pequena biblioteca reaberta.

Link para matéria sobre o fechamento da Biblioteca, em julho de 2011.
Link para matéria sobre os painéis raros de Franco Giglio encontrados, em maio de 2017.

O objetivo central da realização do Piquenique Literário e desta mobilização coletiva é o de reabrir a Biblioteca, resgatar a memória e salvar painéis do artista plástico Franco Giglio (1937-1982) ameaçados de demolição, instalando-os, preferencialmente na casa que foi moradia do artista, e montar o primeiro acervo de livros com o qual este espaço possa voltar a cumprir sua missão institucional na cidade de Curitiba.

Conheça a página Volta Biblioteca Franco Giglio!

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Luan, 21 anos, morador do bairro, fez parte da última geração de crianças que frequentou a Biblioteca, fechada há mais de 5 anos, e disse estar incomodado com o abandono do local. “Reclamam tanto que os jovens estão indo para o mundo das drogas ou só ficam na internet, mas deixam um espaço desses fechado e abandonado!”.

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Ana Carolina, moradora do bairro, e carteirinha número 2 da Biblioteca, levou sua filha de 5 anos para ajudar no mutirão de limpeza, bem como, contribuir para a reabertura do espaço. “Além de ser um patrimônio que está abandonado, estamos carentes de espaços abertos para a comunidade. Espero que a prefeitura responda afirmativamente a esta mobilização”.

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Washington Takeuchi, criador do blog Circulando por Curitiba, produzindo o registro oficial do encontro.

A) AS PREMISSAS QUE NOS REÚNEM:

1. A Biblioteca é um imóvel público municipal, tradicionalmente destinado a Cultura.
2. A Biblioteca está fechada há mais de seis anos. Era uma Casa de Leitura, sob os cuidados da Fundação Cultural de Curitiba.
3. A Biblioteca foi fundada em 1982 – há 35 anos em 2017.
4. A Biblioteca homenageia Franco Giglio, um importante artista de Curitiba. Franco Giglio morou na casa. A memória da obra artística de Franco Giglio merece ser resgatada e preservada.
5. Franco Giglio nasceu em 1937 (há 80 anos) e morreu em 1982 (há 35 anos).
6. O fechamento da Biblioteca chama a atenção de diversos cidadãos.
7. O fechamento da Biblioteca costuma aparecer na mídia ou em campanhas eleitorais.
8. Franco Giglio tem poucas obras, seu atelier na Itália pegou fogo com boa parte do que existia. Restam alguns painéis em mosaico e cerâmica espalhados pela cidade. Há quatro belos painéis de Franco Giglio em Pinhais, em risco de iminente demolição.
9. A Biblioteca ocupa um espaço afetivo na memória de um grande número de curitibanos, de várias gerações. A comunidade se envolvia bastante nas atividades da Biblioteca.
10. Há um interesse comunitário para identificar uma solução para este impasse, que seja boa para a cidade.
11. Reabrir uma Biblioteca fechada é uma boa e justa causa.

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B) O IMBRÓGLIO DOCUMENTAL DA BIBLIOTECA, A QUESTÃO VIÁRIA E A SOLUÇÃO ADMINISTRATIVA

1. Durante o período em que esteve fechada, houveram mudanças viárias na região. A abertura ou alargamento de uma rua colocaram a Biblioteca em risco.
2. A documentação legal e fiscal do lote da Biblioteca não estava em ordem. Isso já foi parcialmente resolvido. A questão da rua também não ameaça mais a Biblioteca ou seu lote (?)
3. Há um projeto arquitetônico no IPPUC para restaurar e revitalizar a Biblioteca. Trata-se de um projeto preliminar, que depende da realização de projetos complementares. A viabilização desse projeto depende de dinheiro, a ser obtido via potencial construtivo. Temos de ter acesso ao projeto, para avaliá-lo.

http://www.circulandoporcuritiba.com.br/2017/04/paineis-de-franco-giglio-em-pinhais.html

C) OS PAINÉIS DE FRANCO GIGLIO EM PINHAIS/PR

1. Devemos agir rápido para evitar que os painéis sejam demolidos.
2. Os painéis podem ser o início da obtenção de outros materiais remanescentes da obra de Franco Giglio. Podemos auxiliar os familiares de Franco Giglio na catalogação e destinação adequada destes materiais, para a casa da Biblioteca ou outro local.
Obs. A descoberta dos painéis pode ser a oportunidade para unificar estes materiais, resgatando a memória do artista como um todo (ex. Casa Erbo Stenzel e Museu Alfredo Andersen).

D) ACERVO DA FUTURA BIBLIOTECA

Ainda que a casa venha a ter outro uso no futuro, é inegável seu histórico como Biblioteca. Uma Biblioteca precisa de acervo. O próximo passo é promover a reunião dos cidadãos com os órgãos do poder público municipal responsáveis pela conservação do espaço e discutir um projeto em comum para que estes objetivos sejam alcançados.

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silêncio

22 de dezembro de 2016 - por gil

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Sede da Filarmônica Antoninense, em 1995, em foto de Chico Camargo. Aqui, Heitor Villa-Lobos teria lecionado no período em que viveu em Paranaguá no início do século 20. Eloquente retrato do estado da memória em um Estado sem memória. 

Caros Amigos, Professores e Amantes da Música de Concerto.
Infelizmente a Oficina de Música de Curitiba foi cancelada!!!
Após 34 anos ininterruptos o prefeito eleito decidiu cancelar, alegando falta de recursos.
Nesses últimos 15 dias tentamos de tudo, falamos com várias autoridades, mas nada mudou o intento deste homem…
Tivemos muitas inscrições, alto nível de alunos, grandes Mestres foram contratados. Passagens compradas, programação feita, hospedagens reservadas, além das agendas dos artistas… Um desastre!
Estamos num momento bem difícil aqui no Brasil, várias orquestras estão enfrentando dificuldades, outros festivais estão sendo realizados com períodos encurtados e com grande corte de verbas…
Entendo este momento de crise que vive o Brasil, mas lamento o cancelamento da Oficina. Nos dois últimos anos tivemos um aumento substancial de público, alunos e grande apoio da sociedade. Acreditava que os políticos fariam uma análise completa da situação e perceberiam que seria mais vantajoso, inclusive financeiramente, manter a Oficina.
Agradeço imensamente pela ajuda e apoio. Espero que possamos continuar juntos lutando pela música no Brasil.
Grande abraço.
Claudio Cruz (diretor artístico da etapa erudita da 35ª Oficina de Música de Curitiba), em 21/12/2016.

64 peças, ivan justen santana

15 de setembro de 2015 - por gil

Litercultura - Curitiba, agosto 2015Ivan Justen Santana durante récita de poemas pertencentes ao livro “64 peças”, no Palacete Wolf, em Curitiba, em agosto de 2015.

Ivan Justen Santana é a unidade-síntese mais lapidada de duas vertentes que fizeram história em Curitiba nos cinzentos anos noventa. Do lado “paterno”, mascote da turma do Marcos Prado, o signo maior da marginalidade poética de uma ainda provinciana capital do Paraná. Do “materno”, frequentador assíduo tanto da UFPR quanto da USP.

Só um marginal feito o Ivan daria esta aula em versos metrificados, nos quebrando um suposto galho de leitura, ao dar a série da combinação de um cofre que talvez não abra o que de fato a poesia precisa abrir (ou seja, ele engana na cara dura): “(…) Usam-se seis palavras no fim de cada verso / repetidas a cada estrofe numa ordem combinatória:/ 123456, 615243, 364125, 532614, 451362 e 246531.

Assim, junto à temática do xadrez, ele propõe uma espécie de dianoia quebrada com o movimento de cada peça-poema, em contraste com a articulação do próximo poema-jogada. Está um passo à frente e um passo atrás do leitor – o poeta define o movimento na casa, mas só o destinatário pode efetuar o cheque-mate.

A contradição, unidade das 64 peças, é a marca de Justen, que mesmo em versos com braços esparramados – anônimos – consegue Justamente nos abraçar com a força de quem há muito não o fazia: “Droga! É impossível admitir isso, / impossível entregar o serviço, / mas vou admitir, vou entregar: sim, / droga, eu te amo. Como me amo, enfim, / como amo tudo e todos neste mundo. / Mas esqueço. Esquece. Esqueçam. Aqui / vai tudo que já vi, li e esqueci. / Agora o tempo não tem mais segundo.”

Para mim era inimaginável que o Ivan nunca tivesse publicado um livro. Por que? Afinal, quem é Ivan Justen Santana? Ele ainda vive? Sim! Este livro não é uma homenagem póstuma a uma figura restrita aos poucos sócios do club med da apreciação poética. Ivan está vivinho da silva, não se mudou para São Paulo, e Curitiba ainda não congelou sua potência criativa – este livro é a prova.

Alexandre França

Editado pela dezoito zero um cultura e arte – contato@alexandrefranca.com.br
Este livro você encontra na Livraria Arte & Letra – http://arteeletra.com.br/

CLIQUE E OUÇA – Barata Tonta, por Ivan Justen Santana

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CLIQUE E OUÇA – Autoautópsia com grafias I, por Ivan Justen Santana

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CLIQUE E OUÇA – Cemitério Aéreo, por Ivan Justen Santana

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daniel migliavacca trio na pousada astral da ilha – 2° ilha do mel jazz festival

5 de setembro de 2015 - por gil

DSC_4342Farol das Conchas visto da Praia de Fora, em pintura de Lawriston Ponte.

Dando sequência à programação da segunda edição do Ilha do Mel Jazz Festival, o Daniel Migliavacca Trio se apresentou nos dias 14 e 15/8/2015 na Pousada Astral da Ilha, na Praia do Farol das Conchas.

DSC_5110Daniel Migliavacca, bandolim; Luis Rolim, percussão; e Rafael Nascimento, violão.

CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Tocando à vontade (Daniel Migliavacca)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Santa Morena (Jacob do Bandolim)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Asa Branca (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Nunca (Lupicínio Rodrigues)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Notícia (Nelson Cavaquinho)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Ai que saudade d’ocê (Vital Farias)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Feira de Mangaio (Sivuca)

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CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio – Participação especial: Clarissa Bruns
Rosa Morena (Dorival Caymmi)

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DSC_5096aweb700Daniel Migliavacca, bandolim; Luis Rolim, percussão; Luis Henrique Stinglin (Dhalsim), triângulo; e Rafael Nascimento, violão.

CLIQUE E OUÇA – Daniel Migliavacca Trio
Brasileirinho (Waldir Azevedo)

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Nós queremos agradecer imensamente ao pessoal da Pousada Astral da Ilha, ao Guilherme; ao pessoal da Pousada 13 Luas, ao Fefeu, a toda a galera que organiza o festival, e parabenizar mais uma vez pela continuação dessa idéia que já está no segundo ano fomentando a boa música, a verdadeira música do nosso país, que é maravilhosa!

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PROGRAMAÇÃO DO 2° ILHA DO MEL JAZZ FESTIVAL – AGOSTO 2015

31/7 e 1/8 – Movimento Uniformemente Variado (MUV) – Pousada Astral da Ilha
7 e 8/8 – Mano a Mano Trio – Pousada Treze Luas
14 e 15/8 – Daniel Migliavacca Trio – Pousada Astral da Ilha
21 e 22/8 – Sérgio Coelho Trio – Pousada Treze Luas
28 e 29/8 – Black Cherry com Paulinho Branco – Pousada Astral da Ilha

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Mais informações sobre reservas e acesso à Ilha do Mel:

Pousada Astral da Ilha (41) 3426-8196 – http://astraldailha.com.br/

mano a mano trio na pousada treze luas – 2° ilha do mel jazz festival

12 de agosto de 2015 - por gil

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Dando sequência à programação da segunda edição do Ilha do Mel Jazz Festival o grupo curitibano Mano a Mano Trio se apresentou nos dias 8 e 9/8/2015 na Pousada Treze Luas, na Praia do Farol das Conchas.

Boa noite a todos. Esse é o Mano a Mano Trio. Sergio Albach, clarinete; Vina Lacerda, percussão; Glauco Solter, baixo. Estaremos nessa noite tocando algumas versões instrumentais, música brasileira instrumental, jazz brasileiro. Obrigado pela presença de todos, vamos tocar um Edu Lobo pra vocês: Upa Neguinho!

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Upa Neguinho, de Edu Lobo

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Receita de Samba, de Jacob do Bandolim

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Brazuka’s Blues, de Amilton Godoy

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Risco, de Léa Freire

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Piano na Mangueira, de Tom Jobim e Chico Buarque

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Chá de Panela, de Guinga

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Lamentos, de Pixinguinha

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Rua das Flores, de Waltel Branco

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Samba de Verão, de Marcos Valle

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CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Bye bye Brasil, de Roberto Menescal e Chico Buarque

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Os mano Vina Lacerda, Glauco Solter e Sergio Albach embarcando nas areias da Praia da Brasilia.

CLIQUE E OUÇA – Mano a Mano Trio
Surfboard, de Tom Jobim

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PROGRAMAÇÃO DO 2° ILHA DO MEL JAZZ FESTIVAL – AGOSTO 2015

31/7 e 1/8 – Movimento Uniformemente Variado (MUV) – Pousada Astral da Ilha
7 e 8/8 – Mano a Mano Trio – Pousada Treze Luas
14 e 15/8 – Daniel Migliavacca Trio – Pousada Astral da Ilha
21 e 22/8 – Arismar do Espírito Santo com Sérgio Coelho – Pousada Treze Luas
28 e 29/8 – Black Cherry com Paulinho Branco – Pousada Astral da Ilha

Mais informações sobre reservas e acesso à Ilha do Mel:

Pousada Treze Luas (41) 3426-8067 – http://www.pousadatrezeluas.com.br/

encafifados na copa – bloco residencial de carnaval

25 de fevereiro de 2014 - por gil

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Bloco residencial de artistas curitibanos do teatro, música, dança e literatura, acendendo o espírito critico local sobre a Copa do Mundo 2014 e afinando a produção poética para disputar o hexa-campeonato.

O conjunto de canções de Octavio Camargo, em parcerias com Chiris Gomes, Thadeu Wojciechowsky, João Paes, Gustavo Proença e Odacir Mazzarollo, aborda o universo futebolístico brasileiro e resgata o imaginário coletivo musical de composições que marcaram época na história do futebol, utilizando-se de recursos da música erudita, como o desenvolvimento em forma de sonata, a falsa re-exposição e outras peripécias modulatórias. As canções estabelecem também um diálogo com as tradicionais marchinhas de carnaval de grandes expressões do samba nacional como Adoniran Barbosa e Nelson Cavaquinho.

São 11 sambas futebolísticos inspirados no antigo teatro de revista, carnavalizando o futebol e tematizando seus aspectos laterais, como a vida romântica, o estádio, a boemia, as manifestações, a arbitragem e a disputa política eleitoral que irá acompanhar a Copa do Mundo no Brasil em 2014.

O time de canções:

1 – Política e futebol
2 – Juvenal
3 – Manuel
4 – Manjubinha
5 – Senhora (o luar)
6 – Recado
7 – João de Deus
8 – Encafifados na Copa
9 – Gabriela
10 – Loteria (borboleta 13)
11 – O torcedor (salve o campeão)

Saxofone e gravações de áudio, Márcio Mattana.
Cavaquinho, Tiago Portella.

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CLIQUE E OUÇA – Manuel
Octavio Camargo e João Paes

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Manuel, a vida nem sempre é um pote de mel
Nem todo o céu é céu de brigadeiro
Nem todo mês, fevereiro
Nem todo dia é carnaval
Tem hora que a gente tem que decidir
Se vai ou se fica, se chora ou se ri
O mundo pode acabar em menos de um minuto
E você vai ficar em segundo lugar neste mesmo instante
De nada vai adiantar sua disciplina militar
E esse olhar arrogante

Manuel, você chegou a um ponto crucial
Perdeu a linha, já não tem mais um plano
Pra que falar em volume alto?
Deixe de bancar o general
Nesta vida estamos todos juntos
Uns mais bem vestidos, outros mais mal
Pra que insistir em ser quadrado se o mundo é redondo?
Quanto mais sobe o coitado na pirâmide social, maior é o tombo
Sentados na patente soldado, almirante ou tenente
Tem a mesma moral

Manuel, a vida nem sempre é um pote de mel.

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CLIQUE E OUÇA – Juvenal
Octavio Camargo

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Meu amigo Juvenal anda passando por dificuldades
Ele que chegou nessa cidade com uma mão na frente e a outra atrás
Todos sabem seu valor, mas ele anda esquecido
Do quanto lhe custou para adquirir a sua propriedade
E um carro esporte, que era a alegria da rapaziada
Quando glorioso ele chegava no estádio para ver o seu time ganhar
Pobre Juvenal, hoje está passando muito mal

Juvenal, você foi um rei lá na baixada
A turma toda admirava a família bonita que você conquistou
Sem pedir nada à ninguém, com direito a uma amante argentina
Que ainda por cima se dava bem com a matriz
Pobre Juvenal, hoje está passando mal

Juvenal, você caiu no Alto da Glória
Bebendo cerveja no Dante, num gesto inconsequente
Assumiu publicamente um romance com uma moça de família
Que não era, mas, que bem poderia ter sido sua filha

Juvenal, vou lhe fazer uma visita de solidariedade
Levar junto umas biritas e uma passagem pra felicidade
Tenho parentes no interior, gente que não tem televisor
Mas que ainda tem um coração
E numa hora dessas não vão deixar de te dar a mão

Pobre Juvenal, pobre Juvenal, pobre Juvenal…

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CLIQUE E OUÇA – Política e futebol
Octavio Camargo

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Minha mulher não é de falar muito
Principalmente quando o assunto é política e futebol
Ela é muito instruída, teve a oportunidade rara
De fazer um curso de terceiro grau
Diz que só tem dois times no mundo
Disputando o campeonato Internacional
O das doces feministas oprimidas pela sociedade
E o truculento Grêmio dos machistas
Tem uma atitude crítica com as notícias da televisão
Sabe que por trás dos panos os candidatos traçam planos
Pra ficarem famosos como mocinhos ou vilões, tanto faz!
E eu que só aprendi com a vida
Vou seguindo seus conselhos
E evitando intrigas banais
Ela é muito legal
É de POA e eu sou seu fã
Estudou filosofia na Universidade Federal!

clássicos curitibanos – a garrafa de joão turin

15 de agosto de 2013 - por gil

a garrafa de turin - atelier joao turin 2013 - almirante tamandare/pr

Súbito, o paranaense João Turin voltou à baila. Primeiro foi o baixo-astral do fechamento do espaço que levava o nome do artista, na Rua Mateus Leme. Depois, a ruidosa compra de suas peças pelo empresário Samuel Lago. Some-se ao Turin days o fato de a presidente Dilma presentear o papa Francisco com a pequena peça Frade lendo, feita pelo escultor na década de 1940. Foi um “momento ternura”.

Para coroar, o episódio da garrafa-surpresa, encontrada no pedestal do Tiradentes, no Centro de Curitiba. Em tese, o objeto estranho não identificado estaria escondido ali desde 1927 (agora se sabe que desde 1932), quando o escultor doou o monumento à comunidade italiana. Como já foi apurado, a despeito dos internautas – cuja imaginação deve fazer inveja a Dan Brown –, dentro do recipiente não está a certidão de nascimento de Alvaro Dias. Tampouco uma carta de Turin, missivista compulsivo. O mistério permanece. Diz-se que há outra garrafa escondida na praça, esperando para galgar a fama. Aguardemos os próximos capítulos.
José Carlos Fernandes, Gazeta do Povo, 02/08/13

abertura da garrafa joao turin - 01/08/13 - alm. tamandaré/pr

A garrafa foi aberta no ateliê e fundição do Instituto João Turin, em Almirante Tamandaré/PR. O processso foi conduzido por Maurício Appel, membros da Fundação Cultural de Curitiba e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Foi usado um saca-rolha para retirar a cortiça que fechava a garrafa. Uma pinça foi utilizada para pegar o documento. Devido à dificuldade, os responsáveis preferiram quebrar a garrafa para ter acesso à carta. Depois, o documento foi umedecido com vapor para facilitar a abertura, e lido em voz alta.
Eduardo Santana, Paraná Online, 01/08/13

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O escultor Elvo Benito Damo, responsável pela restauração e forja de novas peças da obra de João Turin, durante o procedimento de abertura da garrafa, em 01/08/2013.

Conforme os pessimistas esperavam, o mistério da garrafa não passou de uma burocrática correspondência à posteridade, datada de 25 de janeiro de 1932, registrando em ata a colocação da estátua de Tiradentes em seu local atual e a existência de outro recipiente num buraco mais embaixo. Por outro lado, os otimistas esperavam encontrar na garrafa do escultor João Turin o mapa do tesouro do Pirata Zulmiro, com o traçado subterrâneo milagroso para as obras do metrô.  
Dante Mendonça, Paraná Online, 01/08/13

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Aos 25 dias do mês de janeiro de 1932, nesta cidade Coritiba, sendo interventor interino o Dr. João Pernetta, Prefeito Municipal Cel. Joaquim Pereira de Macedo, na Praça Tiradentes, procedeu-se a remoção deste monumento da posição primitiva para a atual que dista daquela cerca de 35 metros, na direção Oeste, tendo sido encontrada uma garrafa contendo uma acta impressa com diversas assinaturas autógraphos, a primeira página do jornal “O Dia” de 21 de abril de 1927 e algumas moedas de níkel e cobre. A garrafa referida foi colocada na última camada de alvenaria bruta e debaixo do pedestal.

busto de joão turin por erbo stenzel - molde
Molde de busto de João Turin, esculpido por Erbo Stenzel.

Um leitor me escreveu. Seu e-mail trata de uma mensagem do escultor João Turin, morto em 1949, psicografada num centro espírita de Curitiba. O contato sobrenatural fora feito um dia após a abertura da tal garrafa, encontrada na Praça Tiradentes. É recado breve – Turin faz rapapés ao evento garrafal que mobilizou a cidade e manda avisar aos seus que passa bem. Achei que era trote, deixei estar. Pois, por sorte o mensageiro me ligou, não do além, mas de um celular, o que não deixa de ser extraordinário: a conversa transcorreu sem que a linha caísse uma única vez.
José Carlos Fernandes, Gazeta do Povo, 09/08/13

olor femera ou frade lendo - joao turin
Molde original em gesso da escultura “Olor fêmera”, rebatizada como “Frade lendo”, no acervo do Ateliê João Turin, em Almirante Tamandaré/PR.

Com bolsa de estudos cedida pelo Governo do Paraná, em 1905, que lhe possibilitou o ingresso na Real Academia de Belas Artes de Bruxelas, Turin viveu parte de sua formação artística na Europa. Morou em Paris durante dez anos, onde se consagrou no Salom des Artistes Français, com a obra Exílio (1912). Segundo o historiador da arte José Roberto Teixeira Leite, o artista deixou em seu estúdio da Rue Vercingentorix, um sem número de obras, pois sua intenção, nunca concretizada, era retornar à capital francesa. Ele voltou ao Brasil em 1922. Integrado ao discreto ambiente artístico-cultural da capital paranaense, João Turin produziu grande número de monumentos, estátuas, bustos, relevos e, inclusive, pinturas, cerâmicas e ilustrações, destacando-se os monumentos dedicados a Rui Barbosa e Tiradentes, em Curitiba.
Revista de História da Biblioteca Nacional, 07/08/13

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Molde original em gesso de busto do Coronel Lacerda ou Barão do Cerro Azul.

Depois de tantos anos de existência e de ter visto e observado, lido e vivido com todas as classes, desde os mais humildes, vagabundos, gatunos, “apaches” e gente de raças e costumes diferentes, e ter conhecido verdadeiros fanáticos, espíritas, teósofos, católicos, comunistas, fascistas e positivistas, chego agora à conclusão sadia de que tudo isso é fraqueza humana… é dentro da propria vida que devemos encontrar a felicidade, tornando-a simples e banindo todas as complicações que inventaram para iludir o seu semelhante…
João Turin, on a Facebook

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A estátua na qual foi encontrada a garrafa, que representa o líder da Inconfidência Mineira – Joaquim José da Silva Xavier –, fica no marco zero da capital, a Praça Tiradentes. O monumento é apenas uma das obras feitas por Turin que fazem parte do patrimônio histórico da cidade. Integram a obra do artista espalhada pelas praças da capital a peça Luar do Sertão (a onça rugindo que fica na rotatória ao lado da sede da prefeitura) e a escultura de uma águia, na Praça Santos Andrade.Todas essas obras serão revitalizadas como parte de um projeto do Ateliê João Turin. A intenção é restaurar todo o acervo do artista e elaborar materiais que resgatam sua vida e obra. Além disso, serão criados novos moldes para poder reproduzir as esculturas. Essas três estátuas originais, por exemplo, voltam para as praças em agosto, mas as cópias farão parte de exposições que vão percorrer o país e o mundo.
Antonio Senkovski e Raphael Marchiori, Gazeta do Povo, 01/08/13

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… e dentro da garrafa tinha um bilhete escrito assim: A Curiosidade Matou o Gato!
Maringas Maciel, fotógrafo do projeto João Turin, on a Facebook

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…podia ser pior, podia ser gengibirra!
Luca Rischbieter

Muito bom isso não?
que história!
e
eu gosto
de
gengibirra
Samuel Ferrari Lago

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A restauração ponta-a-ponta das obras de João Turin – que inclui o resgate histórico e digitalização de sua documentação, passando pela confecção de inventários, catálogos, livros, fotografias, sites bilíngues e até exposições nacionais e internacionais – faz parte de um grande projeto iniciado depois que os direitos sobre o acervo foram comprados pelo colecionador curitibano Samuel Ferrari Lago.

Segundo o gestor do ateliê, Maurício Appel, as obras de Turin estiveram à espera de um destino que desse a devida visibilidade ao artista pelos últimos 25 anos. “O acervo ficou parado após sua morte em 1949. O projeto atual não recebeu nenhum benefício de nenhum edital do governo, pelo contrário, para cada obra fundida, a família Lago doará uma obra em bronze para o Museu Oscar Niemeyer, do Governo do Estado do Paraná”.
Revista de História da Biblioteca Nacional, 07/08/13

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retratos prediletos – manoela canta cartola

15 de julho de 2013 - por gil

Manoela, 10/11/13.

CLIQUE E OUÇA – A sorrir eu pretendo levar

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