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sérgio albach e o trio de ouro catuaba brasil - clarineteando

sexta-feira, setembro 3rd, 2010

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Sérgio Albach, durante o concerto de lançamento do cd, no Oratório Bach, em Curitiba no dia 29/08/10.

O Sérgio me disse que a motivação desse cd foi a de gravar músicas compostas para o clarinete. Homenagens dos amigos através dos anos que ele resolveu reunir e mostrar pra nós.

Tenho muito orgulho em ter participado fotografando parte do processo, ensaio e gravação deste precioso trabalho de um amigo, grande artista e músico do meu estado, o Paraná, o Serginho, o Albach, o Profeta do Choro.

As fotos foram produzidas em cinco ocasiões: em uma apresentação na sala da residência Maria Tereza Albach - casa da família, onde ele estuda e toca desde criança - na Arcádia Livraria e Eventos de Arte, em um ensaio na casa do Tiziu e da Cris, durante as gravações no Estudio Gramofone e no show de lançamento do cd no Oratório Bach, no Bosque Alemão, em Curitiba.

O Trio de Ouro Catuaba Brasil é: Cristina Loureiro (pandeiro, tamborim e ganzá), Daniel Migliavacca (bandolim) e Fabiano Silveira “o Tiziu” (violão de 7 cordas).

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CLIQUE E OUÇA - O Profeta do Choro
(Julião Boêmio)

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Ensaio no Tiziu, em 12/05/09.

CLIQUE E OUÇA - Devassa
(Fabiano Silveira “o Tiziu”)

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Apresentação na sala Maria Tereza Albach, em 16/05/09.

CLIQUE E OUÇA - Clarineteando
(Daniel Migliavacca)

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Maria Tereza Albach

CLIQUE E OUÇA - Segura o Sérgio
(Waltel Branco)

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Apresentação na Arcádia Livraria e Eventos de Arte, em 31/05/09.

CLIQUE E OUÇA - Albachiano
(João Egashira)

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CLIQUE E OUÇA - Choro pro Albach
(Mané Silveira)

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Durante as gravações, em junho de 2009 no estúdio da Gramofone Cultural.

CLIQUE E OUÇA - Haja fôlego
(Walter Scheibel)

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Da esquerda para a  direita: Daniel Migliavacca, Gabriel Schwatrz, Silvio Tavares, Sérgio Albach, Cristina Loureiro e Fabiano Silveira “o Tiziu”.

CLIQUE E OUÇA - Baião Atleticano
(Cláudio Menandro)

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Sérgio Albach usou um clarinete Buffet Crampon, modelo Tosca; clarinete baixo Selmer, modelo Privilege e boquilhas de Walter Grabner.

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Platéia do concerto no Oratório Bach, 29/08/10.

Agradecimentos:
Ao Trio de Ouro Catuaba Brasil, por aceitar a proposta e concretizá-la de forma primorosa.
Adriana Chiarelli pela dedicação incondicional.
Aos Compositores.
Gabriel Schwartz pela competência na direção.
Aos Mestres: Ernesto Cordeiro, José Máximo Ribeiro Sanches, José Botelho, Paulo Sergio Santos, Proveta, André Erlich e Ju Cassou.
Ao carinho e atenção da Gramofone: Álvaro Ramos, Mara Fontoura, Ju Cortes, Rosa, Silvio e Fred.
Mário Granzotto, na manutenção geral do clarinete e clarone e apoio moral.
A Lapinha Clínica Spa, que acompanhou o processo.
A minha família, que me aguentou desde o início.
Ao Vô Pedro, pelo primeiro clarinete e a Tia Nena pelo terceiro.
Maurício Soares Carneiro, pelo primeiro impulso profissional e empréstimo infinito do clarone.
As minhas fontes de inspiração: Chico Mello, José Maria Santos, Rocio Infante, Carlos Stasi, Lea Freire, Seo Arlindo dos Santos, João José de Felix Pereira e Laercio de Freitas.
Este cd é dedicado a Lauro Godoy.

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Ficha Técnica:
Direção de gravação: Gabriel Schwartz
Técnico de gravação: Sílvio Tavares
Mixagem: Gabriel Schwartz e Sanjai Cardoso
Masterização: Fred Teixeira
Preparação musical de Sérgio Albach: Adriana Chiarelli
Supervisão corporal de Sérgio Albach: Lucio Ajuz
Projeto gráfico: Adriana Alegria
Fotos: Gilson Camargo (capa e documentação) e Gabriel Schwartz (encarte)

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Incentivo: Lei Municipal de Incentivo a Cultura - Curitiba
Apoio: Gramofone Cultural

Patrocínio: Volvo do Brasil

lingua madura - octavio camargo, bárbara kirchner e antonio thadeu wojciechowski - museu guido viaro - curitiba 03/08/10

sexta-feira, agosto 6th, 2010

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Na idade mídia, todas as griffes, à noitinha, são pardas. Eu torço por essa sociedade de pequenas tribos que estão trazendo de volta a alegria do combate, a felicidade de se morrer por uma causa justa, a glória de se deixar este mundo pela redenção dos irmãos e mais chegados. Já está mais do que na hora da gente parar de falar só em miséria econômica e começar um longo processo de cura da nossa mais avassaladora doença: a miséria moral, essa sim a grande vergonha nacional. Ou, para ser mais claro, a falta de ferramentas para pensar a si mesmo em relação ao outro, como se todos estivessem paralisados emocionalmente.
Mas, isso não tem importância. O que eu quero mesmo dizer é que há pouco mais de um ano eu conheci o Octavio, e em pouco tempo, formulamos uma rotina excepcionalmente criativa para nossas noitadas (a Bárbara está em quase todas). A receita é sempre a mesma: um cantinho, um violão, cerveja, cigarro, papel e muita conversa, pois é delas que nascem as canções.

Antonio Thadeu Wojciechowski / 2007

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CLIQUE E OUÇA - Língua Madura
(Antonio Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo, Bárbara Kirchner, Edson Nunes Monteiro e Ubiratan Oliveira)

língua madura,
como vai a vida bendita e querida
ou anda sofrendo mais que mulher de vida fácil
conta pra nós qual é a sua, língua madura?
um homem de sua estatura
com toda essa envergadura moral
deveria andar de cabeça erguida
e nunca com a mão no bolso
procurando um drops
pra mulher bomba que vai explodir seu coração
diga então, língua madura, como vai a vida
bendita e querida
ou anda querendo subir de posto neste partido alto
e ser apanhado de pijama?
fica bacana
um homem de bem coberto de lama
completamente iludido
por um beijo no asfalto
por favor toma tento
não faça vergonha
se atrapalhando todo atrás de um isqueiro
pra acender por primeiro
o cigarro de quem não te ama

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CLIQUE E OUÇA  - Bitucas de Cigarro
(Octavio Camargo, Luiz Felipe Leprevost e Bárbara Kirchner)

bitucas de cigarro de quem ocupou a mesa antes
tombos de escada de um só lance
pedrinhas rolando à toa na sarjeta
feito migalhas de broa que a nona distribui pros pombos
dentro de você vão meus escombros
tijolo por tijolo erguendo a penitenciária do consolo
e hoje não sei como me livrar desse rolo
dentro de você tô destruído, derrotado, deprimido, detonado
doido danado pagando por meu dolo
pois você não me deu teu colo
pois você não me deu seu colo

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CLIQUE E OUÇA - Assinalado
(poema: Cruz e Sousa; música: Antonio Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo e Bárbara Kirchner)

tu és o louco da imortal loucura,
o louco da loucura mais suprema.
a Terra é a tua negra algema,
prende-te nela a extrema Desventura.
mas essa mesma algema de amargura,
mas essa mesma Desventura extrema
faz que tu’alma suplicando gema
e rebente em estrelas de ternura.
tu és o Poeta, o grande Assinalado
que povoas o mundo despovoado,
de belezas eternas, pouco a pouco…
na Natureza prodigiosa e rica
toda a audácia dos nervos justifica
os teus espasmos imortais de louco!

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CLIQUE E OUÇA - Ponto Final
(Antonio Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo e Bárbara Kirchner)

vou botar um ponto final
chega de vírgulas
reticências
hífens e chaves
portas fechadas pra sempre
que eu me lembre de você
exclamações entre colchetes
aprisionando ilusões
tantas interrogações
travessões na garganta
e solidão

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A idéia é que o Troy Rossilho masterize tudo para um volume igual (os 4 discos estáo gravados com volumes distintos ) … de toda forma … acho que teremos que falar com ele de novo pra termos os dois cds masters em boa qualidade pra prensar na Grande Garagem que Grava. Serão 60 canções (4 discos mais 4 faixas bônus), divididas em 2 CDS duplos. A única previsão pra lançamento que temos é ser ainda neste ano de 2010 (falta (i) fechar as 2 masters (2 cds com 2 discos cada) com o Troy, (ii) o Thadeu entregar a revisão das letras pro Octavio terminar o PDF, (iii) falta a apresentação - também a cargo do Thadeu - e (iv) a capa, que vai ser feita pelo Solda.
Bárbara Kirchner

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Fotógrafo lambe lambe Esmeraldino Blasi - Guido Viaro, 1945 - 90×74,5 cm. óleo sobre tela - acervo da família

Acaba de me ocorrer uma outra verdade: a grande dor não só não se assoa, como é humorística. A grande dor, aquela que não tem nenhum consolo terreno, dança mambo. A pessoa pula, chacoalha e tem espasmos de mambo.
Nelson Rodrigues

CLIQUE E OUÇA - Vale de Lágrimas
(Antonio Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo e Bárbara Kirchner)

eu gosto de vocês
mas não precisam se preocupar comigo
o meu caixão vai andando sozinho até o cemitério
a terra abrir-se-á para me receber
canelas juntas
como semente aos meus pés
o pó de cordas vocais esticadas na garganta
não tem nada a dizer
toda a vida é um mistério
não tem nada a dizer
que a gente leva a vida toda e não consegue desvendar
pois o caminhar equivale a um vale de lágrimas
nada além de um lampejo
apenas um desejo
alguém pagando mico pro realejo

guido viaro - auto retratos

quarta-feira, fevereiro 24th, 2010

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óleo sobre tela /1914 - 31,5×32 cm.  Acervo da família.

Viaro por ele mesmo

Alguém perguntou-me uma vez o que eu era. O que eu era? Confesso que até então nunca tinha pensado nisso. De fato, o que eu era? Como eu sou? Meu retrato? Retrato físico ou moral? Fiquei perplexo a tal pergunta, não soube responder. Geralmente tenho resposta pronta, mas aquela vez fiquei de boca aberta como um pateta. Como eu era? Que significava isso? Mas para que? Nunca me tinha proposto esta questão. Havia alguma necessidade de saber o que uma pessoa era: mera curiosidade ou finalidade especulativa? Afinal a gente é o que é — com seus brancos e pretos —, sua particular elasticidade para poder adaptar-se, para melhor se locomover, para invadir o campo branco, hoje, e amanhã o preto se for necessário, segundo as necessidades que a própria vida impõe ao sujeito.

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óleo sobre tela /1934 - 39×44 cm.  Acervo da família.

Como sou eu? Isso que é bonito! Eu sou o que sou; o espelho me fala a mesma linguagem de sempre, clara e insuspeita, sobre isso não tenho ilusões. Até os dias são contados pelo frio e indiferente amigo. Mas esse amante não parece interessar-se pela imagem física, quer conhecer a outra, aquela que nem o espelho e nem a foto revelou jamais a ninguém. Como se pode, então, descobrir o monstro que está escondido no fundo de nosso ser, assim sem prévio cerimonial, assim displicentemente? Apresentar ao lado de um Leo forte e sadio, o outro Leo raquítico ou vesgo? Um sósia que o mundo não pode aceitar por não ser a cópia autêntica do outro… ora, quem acreditará nesta figura que leva o mesmo nome, a mesma altura, os mesmos olhos, se vista obliquamente exibe toda a falsidade da primeira e a contrafação da segunda?

Então que queres conhecer? Seria bom desistir, amigo. Há mil séculos que tu vês criaturas que buscas em mim? Por que me segues olhando duro ou serenamente a todos os minutos que apareces? Por que és minha própria sombra? Por que te escondes e apareces de repente? És mais cômico do que trágico amigo. Será que ainda não pudeste entrar pela porta de serviço e espiar a teu prazer a pantomima? Os bastidores acolhem serenos e o pano de boca, veda? Será que tua perspicácia não alcançou a safadeza no olhar dos vendilhões de feira? Devias tudo ter adivinhado, mas, como queres tanto saber o que sou, vou te contar simplesmente o que sei.

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óleo sobre tela /1935 - 43×44,5 cm.  Acervo da família.

Nasci nu como os outros, em terra longínqua muito pobre e bonita. Meus pais fizeram tudo para mim, não correspondi porém às esperanças deles. Às vezes tenho remorsos disso, já é tarde (não pensem que o digo por cinismo), o que posso fazer agora? Nada. Com vinte anos, a política me pegou pelos cabelos e me empolgou ao ponto de ser chutado logo depois. Por quê? Por falta de equilíbrio, exorbitância de limites e outras coisas. Viajei um pouco, conheci homens de bem e maus sujeitos, sofri fome, que é o penúltimo dos tormentos. Quase sempre fui mal interpretado, embora sendo franco e honesto. Foi justamente neste setor humano que a sociedade sempre se equivocou. Por quê? Porque o homem social sempre foi ser fictício, um ser forjado de acordo com o ambiente, geralmente um boneco consciente com finalidades determinadas. O ser “fauve” nunca foi apreciado, nenhuma sociedade por mais livre pode aceitar o indivíduo que diz na lata o que sente e o que pensa. Pode, à primeira vista, achar graça, engolir sabiamente a pílula, segundo a ciência oriental, mas em seguida — logo que puder — afunda o sujeito sem dó nem piedade.

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óleo sobre tela /1935 - 23×27,5 cm.  Acervo da família.

Queres saber o que sou? Sou, no final de contas, um pobre diabo como tem tantos, talvez mais ainda que os tantos por ser visionário. Gostaria de ser útil; gostaria de fazer grandes coisas, o sonho me empolga — não à maneira das donzelas — mas depois… vejo, com nenhuma surpresa, que os sonhos eram castelos de papelão e que só resta ao homem o trabalho honesto e consciente.

Às vezes quero ser um forte, ter coragem, me bater à maneira antiga, mas cadê coragem? No fundo sou profundamente covarde (não tenho medo de mim mesmo porque em tal caso seria parecido com a anedota espanhola), mas, que o Sancho Pança tem grande atuação em mim é um fato, não posso negá-lo. Artisticamente não sou ainda um fracassado, graças às qualidades da vontade.

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óleo sobre tela /1947 - 35×49 cm.  Acervo da família.

Eu não sou um pintor nato, mas um artista em caminho. Até agora nada de notável produzi, colhi muitos elementos, anotações em quantidades. Explorei até os meus próprios sedimentos para ver se achava elementos novos que me facilitassem a escalada da montanha, sem nada ver, sem nada encontrar, só escombros e cadáveres de outros esforços mal digeridos. Quanto é difícil, Senhor, fazer alguma coisa sadia. Olhando distraidamente uma noite estrelada e considerando em seguida nosso arcabouço, não preciso dizer mais nada e depois a outra advertência: apodrecemos, que tal?

g-002_img_0510-gv-1950-auto-retrato-137x117cm-zincogravura-acfamilia-nmgvzincogravura /1950 - 11,7×13,7 cm.  Acervo da família.

Creio na amizade e ainda mais na inimizade. Destas tenho muitas e que muito me honram. Amizades bem poucas e todas conquistadas com bastante paciência. Tenho poucos apreciadores sinceros, de certo não se pode esperar por uma conquista total, uma vez que aqueles que nos são parecidos são poucos: devem ser poucos, de fato, e entre esses devem ser considerados aqueles anônimos que vivem ligados ao nosso espiritualismo, pelos fios invisíveis das analogias interiores. Já este fato de termos gente que nos entende faz com que as torturas e as dúvidas de que somos constantemente assaltados se tornem menos doloridas.

Essas torturas morais refletem no físico, uma necessidade contínua de se movimentar, de falar, de atacar sem motivo os outros, por que isso? Para esvaziar a vesícula, para não arrebentar. O que me faz parar alguns tempos sem falar e sem destilar veneno é a pintura. Aí no campo posso ficar duas, três e quatro horas sem nada pedir, preocupado em interpretar a natureza, tentando harmonizar o de fora com o de dentro, de maneira a me satisfazer pessoalmente. Poucas vezes consigo isso. Outras, estou no campo e pinto coisas que não tem nada com as que estão diante dos olhos, mas estou no ambiente e isto me basta.

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óleo sobre papelão /1954 - 48,5×65 cm.  Acervo da família.

Tentei várias vezes fazer vida de atelier, como muitos conhecidos fazem, entrar e sair a hora fixa, não resisti, porém, muitos dias. Um horário fixo me oprime como um pesadelo, e a mais, tenho a impressão que o tempo escraviza o homem de tal maneira a fazer dele um ser avesso, que contraria todas as leis, principiando por aquela do bom senso. Fazer tudo a hora fixa, como se fosse uma máquina, para se mostrar alguém excelentemente organizado é bem forte. O homem deve ser o que ele é, sem o uso da lixa.

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óleo sobre tela /1959 - 40×50 cm.  Acervo da família.

O homem galvanizado de hoje é meio homem, assim ele paga o próprio tributo social. Dizia que o atelier é excelente amigo da gente quando se quer trabalhar, quando se é perseguido por alguns fantasmas, por alguns amantes e a gente, de dentro do atelier pode responder: não estou, não tem ninguém! O atelier é bom para pensar, para estudar e assentar notas. É bom porque contém todos os nossos esforços, uma parte dos nossos pensamentos, pensamentos que nos custaram dias e noites de insônia. Embora tudo isso represente uma parte de vida interior, tem dias que não podemos ficar nem um minuto nesse ambiente.

Dias em que negamos tudo o que fizemos, tudo o que está dentro como se fosse um lugar de mentira. Mas, não seria mentir mesmo tudo o que nós fazemos? Não será talvez uma contrafação pueril da natureza o que grafamos sobre um piano, mesmo alcançando o essencial que é a poesia? Tudo o que sai de dentro e que não tem a feição comum das coisas que o mundo está habituado a ver diariamente seria pacotilha ou a verdadeira confissão da alma? E esta displicente confissão que representa a essência do ser e que o mundo exterior clama pela irrealidade, não seria um caminho falso que leva ao abismo?

Nada sei. Sei que só me resta trabalhar tenaz e continuamente para poder, um dia no fim da vida, dizer que consegui pouco em tanto esforço, mas fiz alguma coisa.

Guido Viaro - Revista Joaquim #18 - maio de 1948.

Link para página do Museu Guido Viaro,  inaugurado em 10/11/2009, em Curitiba - PR

Link para post sobre Pintores da Paisagem Paranaense.

* as  reproduções apresentadas neste post foram gentilmente cedidas por Tulio Viaro, cineasta e neto do artista. Publicarei na sequência outras séries de pinturas, na intenção de trazer à público parte da pictografia paranaense, ainda pouco disponibilizada na internet.

museu de periferia do sítio cercado (mupe) - curitiba

domingo, dezembro 27th, 2009

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Alunos da Escola Guilherme Lacerda Braga Sobrinho – Centro de Ação Integrada à Criança (CAIC), no Sítio Cercado, em Curitiba, mostraram seus desenhos e redações sobre o bairro no dia 21/11/09 durante a comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra. São mais de 150 desenhos e redações produzidos por alunos de diferentes faixas etárias do ensino fundamental. A proposta de documentação é do Museu de Periferia do Sítio Cercado (MUPE) em fase de implantação como Ponto de Memória, que conta com a orientação em metodologia e processos museais da equipe técnica do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM). Os trabalhos foram exibidos em murais de cartolina. A atividade teve orientação da professora de história Simone Raia e será proposto em outras escolas do bairro em 2010.

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Os desenhos e redações estão sendo reproduzidos fotograficamente e transcritos pela equipe do MUPE seguindo critérios museológicos de documentação e arquivamento e serão disponibilizados para o público como acervo digital na página do MUPE. A criação deste acervo permitirá a capacitação de moradores do bairro, através de oficinas de metodologias de reprodução digital de imagens e documentos, catalogação, arquivamento e disponibilização de conteúdos na internet.

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O MUPE desenvolve projeto de pesquisa sobre a “Memória Viva do Sítio Cercado” através dos relatos e das representaçôes dos moradores.  O bairro era uma área rural até o final da década de 70 e teve um crescimento gigantesco nos últimos 30 anos, abrigando hoje aproximadamente 160 mil moradores. Para além da história oficial produzida academicamente, os depoimentos expressam a mitologia ativa na comunidade sob a perspectiva de cada indivíduo e indicam novos caminhos para o desenvolvimento social.  Os desenhos revelam características locais presentes no imaginário dos alunos, dentre elas o grande adensamento habitacional, o trânsito de automóveis, a violência urbana e os equipamentos de lazer das escolas, com suas canchas de esportes, gangorras e escorregadores.

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Link para a página do Museu de Perifeira do Sítio Cercado (Mupe) - Curitiba / PR

Link para post sobre o Museu de Favela (MUF) - Pavão, Pavãozinho e Cantagalo - Rio de Janeiro / RJ

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Na primeira metade do século XX, Laurindo Ferreira de Andrade adquiriu 180 alqueires de terra e instalou-se em uma região cercada de rios por todos os lados na região Sul de Curitiba. Esta localidade servia de pouso para tropas de gado pela facilidade de passagem e por ser cercada pelas águas.
Na década de 1940 seu Laurindo dividiu as terras com a família, onde cultivavam feijão, arroz, milho e hortaliças. Na década de 1960 a propriedade foi vendida a terceiros que iniciaram os loteamentos. Em 1992 ainda existia ali um grande vazio urbano que servia ao plantio de grama quando a prefeitura implementou dentro de sua área o Bairro Novo, um enorme loteamento com 12 mil lotes e área para mais 25 mil apartamentos. O Bairro Novo completou 17 anos em 22 de março de 2009 e nele já residem aproximadamente 60 mil pessoas.

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Bairro de maior densidade populacional da cidade, o Sítio Cercado situa-se a 13 km do centro da capital, e abriga aproximadamente 160 mil habitantes em seus 11,2 km quadrados.

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DELIMITAÇÃO DO BAIRRO CONFORME O DECRETO 774/1975
Ponto inicial na confluência do Arroio Cercado e o Ribeirão dos Padilhas. Segue pelo Ribeirão dos Padilhas, Rua Eduardo Pinto da Rocha, Estrada do Ganchinho, Rua Nicola Pellanda, Divisa Sul da Vila Santo Antonio, Arroio Cercado, até o ponto inicial.

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Vista panorâmica parcial do bairro Sítio Cercado a partir da rua Izaac Ferreira da Cruz, no Alto Boqueirão.

numa relax, numa tranquila…

quinta-feira, dezembro 17th, 2009

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Ponta Grossa - Canoa Quebrada / Ceará

CLIQUE E OUÇA - Bubuia
Céu, Anelis Assumpção e Thalma de Freitas

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21º crystal fashion - curitiba - bastidores

domingo, novembro 15th, 2009

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No vigésimo primeiro Crystal Fashion, fotografado para a Mcomm:, o briefing foi o de retratar os bastidores e as celebridades presentes nos desfiles para utilização em assessoria de imprensa. Evento curitibano de moda de maior expressão nacional, o “Crystal” se caracteriza por ser voltado ao consumidor final e mostrar as coleções que já estão nas vitrines das lojas, atraindo milhares de expectadores interessados em novidades do mercado e autógrafos!

alexandrelinhares_xxicrystalfashion_foto_gilsoncamargo_curitiba2009outubro1Alexandre Linhares, representante curitibano com a marca Heroína, customizando roupas na entrada do evento.

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Alexandre Herchcovitch, no backstage durante o desfile da sua marca e no lounge de um apoiador.

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Fiorella Mattheis - para TNG.

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Fabí­ula Nascimento e Ranieri Gonzales - para Gazetinha

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Desfile de vassouras na limpeza da passarela entre uma e outra apresentação.

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Mariana Weickert nos camarins do desfile para a Forum, e com a parceira de trabalho no GNT Fashion, Lilian Pacce, esperando a dedicatória nos seus livros “Pelo Mundo da Moda” e “Ecobags”.

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paolaorleansebraganca_foto_gilsoncamargo_xxicrystalfashion2009outubro2Paola Maria de Sapieha-Rozanski e Bourbon-Orleans-Bragança. Princesa do Brasil, nascida em Londres, modelo e disk jóquei.

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Luana Piovani - para Mixed

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Kayky Brito, na sala de imprensa, e fila de entrada, para a Triton.

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Carol Castro, para Rosa Chá e durante a maquiagem.

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Alberto Hiar, proprietário da Cavalera, com o ator Miguel Rômulo. Desfile com trilha sonora sampleada de: Inocentes, Adoniran Barbosa, Racionais Mc`s, Caetano Veloso e Paulo Vanzolini. Na imagem abaixo, “Turco Loco” declarando seu amor.

CLIQUE E OUÇA: Pânico em SP
(Inocentes- 1986)

As sirenes tocaram
As rádios avisaram
Que era pra correr
As pessoas assustadas
e mal informadas
Se puseram a fugir sem saber por que

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP (2x)

O jornal, a rádio, a televisão
Todos os meios de comunicação
Neles estava estampado
O rosto de medo da população

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP (2x)

Chamaram os bombeiros
Chamaram o exército
Chamaram a Polícia Militar
Todos armados
Até os dentes
Todos prontos para atirar
Havia o que?

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP (2x)

Mas o que eles não sabiam
Aliás o que ninguém sabia
Era o que estava acontecendo
Ou o que realmente acontecia

Pânico em SP, pânico em SP, pânico em SP (2x)

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Link para página oficial do evento.

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Adriane Galisteu, prestigiando a marca de Alexandre Iódice.

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Crystal Fashion - A moda na garagem.

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o papo do boteco

segunda-feira, outubro 19th, 2009

se eu não cantar
enlouqueço
perco o sentido
não o verso
o som é soul
se me esqueço, sou

Marcos Pamplona

CLIQUE E OUÇA - Finnegans
Música e piano: Octavio Camargo
Voz: Troy Rossilho, Barbara Kirchner, Helena Portela e Chiris Gomes
Letra: James Joyce (Finnegans Wake)

“Bigmester Finn, o mão gaga, predreiro de livres idéias, vivia na via mais larga imarginável em seu rutículo habitáculo. Mui longe para missagens, antes que juízes josuéicos nos tivessem dado números ou que Helvíticus tenha acometido o deuteronômio. Anteontem ele machadeou a cara em estígias águas nas cubas do Brás para vislumbrar memórias pósteras, mas antes de o Queiróz sair dessa, por artes de Moisés, até a água tinha eviporado e todas as piráguas genesíacas tinham tomado seu êxodo assim, isso deverá mostrar-lhes o sujeito pentaenrabado que ele era. Oh, oh, oh  Mr. Finn, o senhor será mister refinado, comédia de semana y éres vino.”
tradução de Donaldo Schüler.

ruídos… sons da minha infância - laura veiga de camargo - antonina / pr

terça-feira, julho 14th, 2009

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A partir do Mirante da Pedra, vista do Centro de Antonina, da região portuária da cidade e da Ponta da Pita. Ao fundo a baía e o município de Paranaguá.

Um, apito? está chegando um navio. Corro às escadas do sobrado. Eu e Arlete olhamos pela janela lateral. Ficamos lá, curiosidade boba, olhando, querendo adivinhar aquele ponto escuro lá longe, na entrada da baía. Será que é do Matarazzo? O Lídia? Todos os navios do Matarazzo tinham nomes femininos. Das irmãs do Conde.
Quantas namoradas ansiosas esperam… esposas e filhos também, os marinheiros casavam e aqui deixavam suas famílias. Criavam raízes e muitos se tornaram nossos.
Também podia ser o navio de passageiros do Lage. Henrique Lage tinha uma companhia de navegação, a Costeira, os navios sempre com nomes começados com Ita: Itaquera, Itapuca, etc., o Ita foi muito importante pra Antonina. O agente era o senhor José Thomaz do Nascimento, pessoa simpática e muito querida por todos os antoninenses, “o vovô Juca” dos meus filhos. Um contador de histórias de primeira, figura maravilhosa.
Quando chegavam na cidade era uma festa! Certa vez um desses navios trouxe Procópio Ferreira e sua companhia de teatro. Fez uma apresentação no nosso lindo Teatro Municipal, imaginem, foi fantástico. Aconteceram outras vezes óperas famosas, pessoas especiais por aqui passaram.
Madrugada… o som do martelo… senhor Alberto Colecci. Era carpinteiro e emérito marceneiro, que fazia também caixões para nossos mortos. Era um italiano bonito, barrigudo, olhos azuis, todo mundo gostava dele. Quando ouvíamos o martelo bater de madrugada, já nos vinha um pensamento: “quem será que morreu?”.
Outro apito, bem diferente do primeiro. Este é mais perto, forte, contínuo. O trem chegando. A Maria Fumaça. Jovens que esperam seus amores, familiares chegam de longe e as pessoas aglomeradas, ansiosas, esperam na pequena e bonita estação a chegada do trem.
O apito da partida é mais rápido. As vezes triste. Vai levando gente querida… e lá sobe o trem o Morro do Machadinho!
Feito engraçado: às vezes, por falta de “pressão” volta o comboio até a estação e as pessoas que tinham ficado ali, paradas, tristes, se alegram pois, oportunidade maravilhosa de ver mais uma vez o rosto querido, e as vezes até dava pra tocar na mão ou um beijo rápido. Na segunda vez, arranca e vai mesmo. Adeus.

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Centro de Antonina, ao fundo a igreja de Nossa Senhora do Pilar (matriz).

Madrugada, aquele barulho de uma máquina. Não se dorme? Ou dorme-se? Acostuma-se com o barulho e até se acha agradável. É o João Leite editando o Jornal de Antonina. Amanhece, segunda-feira e ele tem que entregar o jornalzinho. Escreve, edita, compõe os tipos, revisa e imprime. Devia haver uma estátua para o João Leite em Antonina. Merecia. Homem de Valor. Do jornal inteligente, político e bem humorado. Lembro de umas muito boas. “Garanta um elogio póstumo assinando o Jornal de Antonina“, ou então: “Aniversariou a menina mais bponita de Antonina, Lurdinha (era sua filha) e Laura veio cumprimentá-la e trouxe um sabonete de presente(?!!). Contava que seu jornal foi o primeiro do Brasil a ser punido pela “lei da imprensa”. Motivo; tinha um cachorro de estimaçao (raça vira-lata) que o dia todo dormia tranquilamente em frente a tipografia, mas, se aparecia na esquina do Grupo Escolar Brasílico Machado alguém com quem ele não simpatizasse acompanhava a vítima até o posto Texaco, latindo sem parar. Certa vez levou umas bengaladas que o deixaram bem machucado. Seu dono não teve dúvidas, foi ao juiz de direito dar queixa. Não deram a “mínima”! Na próxima edição o jornalzinho trouxe na primeira página, como manchete o acontecimento com o título: “Justiça P…” Foi apreendido o jornal. Naquela semana não ganhou nada, coitado do João Leite.
Bem… Belelém… bate o sino da igreja de São Benedito… não dá pra esquecer. Amanhecendo… a procissão do “Encontro”. A imagem de Nossa Senhora encontra a imagem de Cristo ressuscitado. Dona Sandra Mussi, como Verônica. Toda de preto, véu cobrindo o rosto, canta uma música belíssima com uma voz cheia de encanto. Um belo teatro! Emoção sem tamanho! Momento de magia! Daí segue a procissão até a igreja Matriz para a missa. Bate o sino… chama o povo para a reza.
Lá está a imagem bonita de Nossa Senhora do Pilar, representando a luz que iluminará sempre Antonina, esperando de seu povo bondade, trabalho, solidariedade é fé cristã. Amor, amor e amor. Amém.

Laura Veiga de Camargo, capelista autêntica, viúva de Geraldo, mãe de Geraldo Leão e Rafael Camargo, artistas criativos, e Alexandre, empresário.

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Imagem de Nossa Senhora do Pilar, em frente a igreja Matriz.

xx crystal fashion - curitiba - bastidores

terça-feira, maio 5th, 2009

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Mariana Weickert - para Pura Mania - e após o desfile.

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Raphael Sahyoun, proprietário da marca Bob Store acompanha a maquiagem da modelo Marcele Bittar.

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Preparação para entrada do desfile infantil das marcas Lilica & Tigor.

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Dado Dolabella - para TNG - e com as camareiras do evento.

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Ana Claudia Michels - para Saad.

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Ricardo Tozzi - para Rosa Chá.

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Luli Muller - para Liliana Castellanos.

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Paulo Zulu e Luana Vanzella - para Indiada.

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Renato Kherlakian e sua criação especial para os 10 anos do evento.

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Rafinha, ex-BBB. Astro do evento na quinta-feira, vestindo a causa do Hospital Pequeno Principe - assédio constrangedor.

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Fila no backstage para entrada na passarela.

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Link para página oficial do evento.

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Crystal Fashion - A moda na garagem.

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museu de favela (muf) - pavão, pavãozinho e cantagalo - rio de janeiro

quinta-feira, abril 23rd, 2009

muf_morropavaozinho_foto_gilsoncamargo_riodejaneiro_20_03_09z Graffiti de Acme - Carlos Esquivel Gomes da Silva - no morro do Pavãozinho.

O MUF tem por característica estabelecer itinerários possibilitando a visitação dos morros do Pavão, Pavãozinho e Cantagalo. Como “Museu de Percurso” a instituição propicia um contato com o cotidiano dos moradores tornando visíveis seus valores culturais. O patrimônio arquitetônico da favela é incomensurável e de relevância histórica mundial. Fruto do trabalho dos moradores que ali construíram as suas casas durante décadas, a favela inova em técnicas de edificação antecipando conceitos de reaproveitamento de materiais que podem encerrar grandes lições para a arquitetura contemporânea. No percurso indicado pelo museu podem ser apreciados trabalhos de artes visuais e grafitagem.

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“O Rio de Janeiro oferece ao turista suas belezas naturais e pontos turísticos reconhecidos internacionalmente, e em meio a tudo isso, fazem parte do cenário as favelas, consideradas por muitos como guetos, associadas só a violencia e a miséria. Contudo, aos olhos de seus moradores e de seus visitantes, são locais com uma gigantesca riqueza histórica e cultural a ser descoberta por aqueles que nunca se permitiram conhecê-la de perto.”
Rita de Cássia, diretora de Patrimônio do MUF e moradora do Cantagalo.

Link para vídeo de apresentação do MUF no Youtube.

Contatos para visitação:
muf.rio@gmail.com
21 - 2267 6374

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Mario Chagas - coordenador do Departamento de Museus e Centros Culturais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional / IPHAN.

“Da antiguidade ao mundo contemporâneo, os museus são reconhecidos por seu poder de produzir metamorfoses de significados e funções, por sua aptidão para a adaptação aos condicionamentos históricos e sociais e por sua vocação para a mediação cultural. Durante longo tempo os museus serviram para preservar os registros de memória das classes mais abastadas. Na atualidade um fenômeno novo já pode ser observado. O museu esta passando por um processo de democratização, de ressignificação e de apropriação cultural. Não se trata de democratizar o acesso aos museus já constituídos, mas sim de democratizar o próprio museu compreendido como tecnologia, como ferramenta de trabalho para uma relação nova e criativa com o passado, o presente e o futuro.(…) acionados pelos movimentos socias como mediadores entre tempos distintos, grupos sociais distintos e experiencias distintas, os museus se apresentam como práticas comprometidas com a vida, com o presente, com o cotidiano e com a transformação social”

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E se a alma do morro descesse
E se o Dona Marta fosse um vulcão e explodisse
E se a lava e a saliva do morro se derramasse e descesse
Baba sem trégua
E invadissse e ocupasse
Para sempre a cidade.

Mario Chagas - do livro “Língua de Fogo”

Clique e ouça o samba (marcha-rancho) “Alma do Morro”.
Música de Octavio Camargo e Chiris Gomes, sobre poema de Mario Chagas.
Com: Chiris Gomes, Ana Decker, Giselle Hishida, Giceli Camargo, Octavio Camargo, Manchinha, Odacir Mazzarollo, Wilson Lirou, Gilson Camargo, Lélo, Réco-réco, Bolão e Azeitona.