Arquivo de janeiro, 2008

retratos prediletos - simone spoladore / atriz

terça-feira, janeiro 22nd, 2008

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Simone Spoladore. Curitiba. 2006

o caminho do peabiru

segunda-feira, janeiro 21st, 2008

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A palavra Peabiru é tupi-guarani e para ela há uma variedade de definições: “Caminho forrado”; “Caminho antigo de ida e volta”; “Caminho pisado”; “Caminho sem ervas”; “Caminho que leva ao céu”, entre outras.
A intensa ocupação humana destruiu o Peabiru, hoje restam pouquíssimos vestígios. Os mais importantes deles, até o momento, localizam-se em Pitanga / PR.
Provavelmente milenar, o Caminho foi descrito desde o século 16 como possuindo cerca de oito palmos de largura, uma profundidade de 40 cm. e forrado por gramíneas que impediam o crescimento do mato.
Ainda não é possível saber a rota exata do Caminho, mas, é possível traçar um roteiro aproximado.
O tronco paulista, que começava em São Vicente e Cananéia, seguia a direção do rio Tietê - município de Itu - rio Paranapanema – rio Itararé – nascente do rio Ribeira do Iguape.
Entrando no PR, percorria Doutor Ulisses – Cerro Azul – Castro – Tibagi – Reserva – Cândido de Abreu – Pitanga – Palmital – Guaraniaçu – Corbélia – Nova Aurora – Tupãssi – Assis Chateubriand – Palotina – Guaíra.
O tronco principal catarinense, iniciava-se provavelmente no Massiambu (Palhoça), seguindo por Florianópolis – litoral norte – rio Itapocu – Guaramirim – São Bento – Mafra. Entrava no PR por Rio Negro – Campo do Tenente – Lapa – Porto Amazonas – Palmeira – Castro, trecho usado depois pelos tropeiros.
O Peabiru deixava o estado do PR por Guaíra. Havia outra passagem por Foz do Iguaçu – usada por Alvarez Nunes Cabeza de Vaca em 1542.
O Peabiru então, seguia ao norte até a serra de Santa Luzia, perto de Corumbá / MS. Em Puerto Suarez penetrava na Bolívia. Passava por Cochabamba – Sucre – Potosí. Nesses locais existiam caminhos incas com várias opções para alcançar o Pacífico, as mais próximas eram Tacna, Montegua e Arequipa.
Os estudiosos ainda não sabem quem abriu o Caminho do Peabiru. Há três hipóteses principais:
1 - Caminho da Terra Sem Mal - A primeira hipótese supõe que o Peabiru tenha sido aberto pelos guaranis ou por povos anteriores – talvez os itararés.
Originária do Paraguai, a tribo teria se deslocado para o litoral sul do Brasil entre os anos 1000 e 1300. O Peabiru teria sido aberto nessa migração, cujo objetivo era a procura de um paraíso, a Terra Sem Mal.
2 – Caminho dos Incas – Supõe a construção da trilha como uma iniciativa inca ou pré inca. Neste caso, o Peabiru seria uma via aberta para a prospecção de territórios do Atlântico, visando o comércio com as tribos selváticas do Paraguai, MS, PR, SP e SC.
Primeiro uma estrada de comércio. Depois quem sabe, uma estrada de penetração definitiva das poderosas civilizações andinas no Atlântico sul.
Como via de mão dupla, o Peabiru permitiu a chegada dos guaranis aos Andes. Mesmo sem relações duradouras, as idas e vindas de guaranis e incas pelo Caminho deixaram vestígios de uma certa influência cultural na astronomia (leitura e uso de manchas da Via Lactea), estatística (semelhança do ainhé, cordão de cipó guarani com o quipu dos incas), música (flauta de pã), armamento (semelhança da macaná, borduna guarani com a maqana incaica), denominação de fauna e flora : sara (espiga, em guarani; milho em quêchua), cui (animal roedor, nos dois idiomas), jaguar (felino, nos dois idiomas), mandioca e ioca / iuca, suri (ema, nos dois idiomas).
3 – Caminho de São Tomé – Segundo essa versão, o Peabiru teria sido aberto por São Tomé, apóstolo de Cristo. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, a devoção suscitada pela descoberta deste Caminho de Tomé na América no século 16 foi tal, que quase desbancou o de Santiago de Compostela. “Pouco faltaria em verdade que não apenas na India, mas em todo o mundo colonial português, essa devoção tomasse um pouco o lugar que na metrópole e na Espanha em geral… “tivera o culto bélico de outro companheiro e discípulo de Jesus, cujo corpo se julgava sepultado em Compostela”.
A passagem de Tomé pelo Novo Mundo foi mencionada por índios, padres, autoridades e colonos europeus no século 16. A versão corrente é que um homem branco, barbudo, teria chegado ao litoral brasileiro “andando sobre as águas”. Foi chamado de Sumé.
Em sua peregrinação, teria ido ao Paraguai, abrindo o Caminho. Ali foi visto e chamado de Pay Sumé. Saindo do Paraguai, a misteriosa figura teria continuado até os Andes. Os pré incas o chamaram de Kuniraya. Mais tarde, o personagem recebeu dos incas o nome de Viracocha. Após um período no Peru, ele teria ido embora, também “andando sobre as águas”.
O Caminho do Peabiru tem toda uma parte ligada a cultura indígena. Um aspecto interessante é que ele também pode ser relacionado com a astronomia indígena.

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Oservando o mapa do Peabiru percebemos que ele inclui, na verdade, diversos caminhos. Vamos nos ater a um só, que foi percorrido pelo pioneiro Aleixo Garcia. Este se inicia em Florianópolis, no oceano Atlântico e vai até Potosi na Bolívia, pegando depois as estradas dos Incas e indo terminar no oceano Pacífico. Ou seja, é um caminho transcontinental pré-colombiano.
O Caminho do Aleixo – talvez o mais importante de todos – não é na direção norte-sul e nem leste-oeste, mas sim “inclinado”. Ele vai aproximadamente de sudeste para noroeste.
Ao notar essa inclinação a primeira pergunta que se coloca é a seguinte: por que os primeiros índios escolheram essa direção ao abrir a trilha? E como eles se orientaram para percorrer esse caminho?
È espantoso constatar que os Guarani de Florianópolis falaram para o Aleixo Garcia que conheciam Potosí nos Andes. Que sabiam com o ir e como voltar. Isso tudo a pé, em 1524, mais de 2000 kilômetros em linha reta – naturalmente seguiam os acidentes naturais, rios e tudo o mais – mas a direção inicial-final era sudeste-noroeste.
Ao olhar para o céu, em condições propícias, vemos a Via Lactea, que é chamada pelos Guarani de Caminho da Anta (Tapirapé), ou Morada dos Deuses.
È natural supor que o caminho da Terra Sem Mal, para eles era aquele caminho que estáva lá em cima, no Céu. Que é o Caminho dos Deuses, dos espíritos, é a própria Via Lactea.
Não são só os nossos índios que viam assim. Pesquisando na História notamos que egípcios, os gregos, os indianos, todos viam a Via Lactea como um caminho. Os antigos nos falavam que havia um tesouro no fim e outro no começo do arco-íris. E a gente vivia sonhando em em encontrar o começo e o fim dele. Fazendo uma comparação, os índios brasileiros e também os peruanos, queriam saber onde começava ou terminava o arco-íris celeste, ou seja, a Via Lactea.
Seguindo a Via Lactea, por terra, viam que o fim do Caminho ia dar no mar, no oceano Atlântico. E a Terra Sem Mal ficava “ali”, ou “lá”, em algum lugar. Por isso é que os índios foram à direção do mar. Por isso é que na maioria dos mitos indígenas, o profeta, o Sumé, vem do mar. Porque ele vem daquela ponta da Via Lactea à qual o índio não tem acesso.
Muito bem, pensa o índio, mas e do lado contrário do caminho da Anta, o que existe? O índio não sabe. Então ele vai procurando na terra, seguindo a Via Lactea. E acaba chegando no outro lado, que também não tem fim, chega num outro mar, o oceano Pacífico.
Então a idéia básica é essa. O Caminho que nosso índio percorreu é aquele da Via Lactea, quando está mais alta no céu. E que é também, aproximadamente o caminho que liga as posições do nascer-do-sol no verão com o pôr-do-sol no inverno. Ou, SUDESTE-NOROESTE.

Trecho da palestra do astrônomo Germano Bruno Afonso, no 1 Encontro Nacional dos Estudiosos do Caminho do Peabiru, em Pitanga / PR, em novembro de 2003.

Fonte: Cadernos da Ilha, edição número 2. Curso de Jornalismo da UFSC.
cadernosdailha@yahoo.com.br

links sobre o caminho do Peabiru
http://www.gilmarcardoso.com.br/wille/PEABERU.htm

cada um faz do seu jeito

quinta-feira, janeiro 17th, 2008

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Vila da Glória/SC. Janeiro - 2008

Risoto de fungui em su tinta:

Para iniciar a esta receita espere começar a chover e coloque as crianças pra dormir. Não pegue no sono com elas. Volte para a cozinha.
Peça para alguém mais próximo fazer o fogo. Algo impossível para mim.
Tome um trago de qualquer líquido alcoólico que estiver mais próximo.
Apenas um pequeno copo. Quando estiver relaxado pode começar.
Pique uma cebola grande em pequenos pedaços. Note que com as mutações genéticas elas já não fazem mais chorar. Mas ainda deixam um cheiro terrível nas mãos.
Reserve.
Ferva dois litros de água e despeje em 100 grs de fungui chileno para hidratar por pelo menos meia hora.
Reserve.
Escolha uma panela grande e não muito funda, bem diferente desta que está na foto.
Aqueça rapidamente uma colher de manteiga bem cheia, uma quantidade generosa de azeite de oliva e um fio de óleo para não deixar queimar.
Coloque a cebola e mexa, assim que ela apresentar um aspecto ligeiramente transparente jogue uma mão e meia de arroz arbório por pessoa. Mexa.
Em seguida despeje um copo de vinho branco seco tragável. Não esqueça que tudo que você coloca na panela aparece no prato. Finalize esta etapa jogando umas pitadas de sal e quando não estiverem olhando ponha um envelope de tempero de legumes destes tipo sazon. Que vergonha!
A partir de agora não saia mais de perto do fogão. Peça para alguém trazer seu drink, pegar a criança que acordou, trocar o cd, alimentar o fogo… enfim tudo porque você não pode descuidar nenhum minuto.
Vá regando o arroz com a água do fungui. Ela deve estar quente. Não esqueça de continuar mexendo. À medida que o arroz for secando coloque mais água. Pode deixar que pedaços do fungui caiam displicentemente na panela.
Este ritual dura cerca de 40 minutos desde a hora em que o arroz foi lançado a sorte.
Quando for colocar a última água jogue todo o fungui junto.
Experimente. Ele deve estar deliciosamente úmido e ao dente.
Antes de servir, ainda na panela, coloque uma porção generosa de queijo ralado. Ponha no prato também.
Sirva com costeletas de porco que foram assadas no dia anterior.
Sugestão para entrada: torradas de alho. Não é necessário dizer como faz, né?
Bom apetite!

Aurea Alice Leminski

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mudanças na ortografia da língua portuguesa

quinta-feira, janeiro 17th, 2008

  A partir de Janeiro de 2008, os países da Comunidade de Língua Portuguesa – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - terão a ortografia unificada.
  O português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol.
  A ocorrência de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a sua prática em eventos internacionais.
  Sua unificação, no entanto, facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros.
  Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado.
  No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada.
Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.
  O que vai mudar na ortografia em 2008:
  - As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiros (e os outros) terão que escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”;
  - mudam-se as normas para o uso do hífen no meio das palavras;
  O hífen vai desaparecer do meio de palavras, com excepção daquelas em que o prefixo termina em `r´, casos de “hiper-”, inter-” e “super-”.
  Assim passaremos a ter “extraescolar”, “aeroespacial” e “autoestrada”.
  - Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do substantivo dos verbo “crer”, “dar”, “ler”,”ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”;
  - Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos” em  oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”;
  - O trema (brasileiro) desaparece completamente. Estará correto escrever “linguiça”, “sequência”, “frequência” e “quinquênio” ao invés  de lingüiça, seqüência, freqüência e qüinqüênio;
  - O alfabeto deixa de ter 23 letras para ter 26, com a incorporação de “k”, “w” e “y”;
  - O acento deixará de ser usado para diferenciar “pára” (verbo) de  “para” (preposição);
  - No Brasil, haverá eliminação do acento agudo nos ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como “assembléia”, “idéia”, “heróica” e “jibóia”. O certo será assembleia, ideia, heroica e jiboia;
  - Em Portugal, desaparecem da língua escrita o “c” e o “p” nas palavras onde ele não é pronunciado, como em “acção”, “acto”, “adopção” e  “baptismo”. O certo será ação, ato, adoção e batismo;
  - Também em Portugal elimina-se o “h” inicial de algumas palavras, como em “húmido”, que passará a ser grafado como no Brasil: “úmido”;
  - Portugal mantém o acento agudo no e e no o tônicos que antecedem m ou n, enquanto o  Brasil continua a usar circunflexo nessas palavras: académico/acadêmico, génio/gênio, fenómeno/fenômeno, bónus/bônus;
 
Fontes: Banco de Dados da Língua Portuguesa – FFCLH USP (2007), Revista Isto É, Folha de São Paulo, Agência Lusa e, Semanário “SOL”

alfredo roberto pondielék - gentileza em curitiba

terça-feira, janeiro 15th, 2008

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Sr. Alfredo Roberto Pondielék

Em principio me disse que quem pintava as faixas e produzia tudo isso eram os bonecos.
Diante da minha curiosidade em fotografar e tentar decifrar os escritos, assumiu sua autoria.
Mora na rua José Hauer, no bairro do Boqueirão.
Me disse que já construiu doze casas em Curitiba, mesmo estando morto.
Já o mataram oito vezes e raptaram umas três, sempre pra receber a aposentadoria do morto e fazer maracutaia com o nome do morto.
Usa barba postiça porque está protestando. Diz que estão usando as crianças como mulas mesmo antes de nascerem, e com seus filhos foi assim.
- Não posso passar esse terreno pros meus filhos… porque eu tô morto.
Nenhum advogado quer pegar a sua causa, apesar de ser muito simples de resolver.
Mostra vários xerox de documentos: uma certidão de óbito, faturas da companhia de energia com valores estratosféricos em seu endereço (R$ 2.543.274, 29), uma página da coluna do Miau Carraro no Jornal do Estado, que ele afirma escrever por código! O boletim de ocorrência da última vez em que foi raptado.

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Fez um motor movido a água, que não consome energia e não polui. Além do mais, só no seu terreno é possível produzir energia pra cidade toda, mas, segundo suas palavras, a maneira de fazer isso é um segredo que morre com ele.
Se diverte com os que não acreditam em fantasmas apresentando um boneco de ferro dentro de sua propriedade que ao ter sua mão apertada faz tocar uma sirene no outro extremo do terreno.
Na saída me pergunta se quero fotografá-lo lendo a Bíblia pros bonecos.
Vou voltar pra fazer isso com mais calma.

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links para trabalhos de José Datrino, o Profeta Gentileza, paulista, falecido em 1996
http://profetadegentileza.blogspot.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Datrino