prisão provisória de curitiba - penitenciária do ahú - desativada desde julho de 2007 - paredes que falam

O edifício da Prisão Provisória de Curitiba na Avenida Anita Garibaldi, no bairro Ahú, foi construído em 1896, para o funcionamento do Asilo para Alienados Nossa Senhora da Luz, iniciativa da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, desenvolvendo ali suas atividades desde 1903.

Inauguração do Hospício Nossa Sra da Luz - 25/03/1903.
foto: arquivo DEPEN/PR
Por meio de acordo firmado em 28 de abril de 1905 com o Governo do Estado pelo então presidente do Paraná Francisco Xavier da Silva, o prédio foi considerado espaço apropriado para se tornar um presídio.
Inaugurado em 1909 e efetivada a compra do terreno de 300 mil metros quadrados pelo Estado, cuja escritura foi lavrada no Cartório do Primeiro Distrito de Curitiba, a capacidade inicial da primeira penitenciária do Paraná era de 52 celas individuais, e foram transferidos da cadeia para a penitenciária 55 presos, sendo 49 homens e seis mulheres homicidas.

Corredor térreo e oficina de tipografia em 1909.
foto: arquivo DEPEN/PR
O regime adotado era o de “Auburn”, que previa o encarceramento celular durante a noite, e o trabalho em comum durante o dia, sob regimento de silêncio. Os funcionários encarregados da administração penitenciária residiam em casas anexas ao presídio.

Residências dos funcionários em 1909.
foto: arquivo DEPEN/PR
Desativado desde 11 de julho de 2007 para dar espaço à construçào do Centro Judiciário do Paraná (link para o projeto arquitetônico de Braulio Mattana Carollo, Orlando Pinto Ribeiro e Luis Salvador Petrucci Gnoato) - um ano e meio depois da transferência do último detento - as paredes que já tiveram ouvidos, falam e trazem o depoimento dos seus últimos hóspedes.






Uma nova ala que ampliou o espaço para alojar 350 presos foi construída em 1958. No ano de 1977 realizou-se a construção da portaria externa e a administração do presídio. Na data de sua desativação a PPC abrigava cerca de 900 internos. No complexo funcionavam em alas distintas, além da própria penitenciária, a unidade de regime semi-aberto feminina, o Departamento Penitenciário e o Centro de Observação Criminológica e Triagem.





A unidade do Ahu contava com seis galerias e 154 celas, além de refeitório, pátio, consultórios, enfermarias, seis salas de aula, sala de atendimento técnico, lavanderia, biblioteca, oficinas de marcenaria, costura de bolas de futebol, pintura, panificadora, artesanato, reuniões periódicas com grupos de auto-ajuda como Alcóolicos Anônimos e cultos ecumênicos, duas cozinhas e 24 quartos para visita íntima.





Além de 4 celas solitárias localizadas no subsolo, sem nenhuma incidência de luz e ao lado da tubulação de esgoto da construção. Um lugar realmente sinistro.

Fotografias realizadas no dia 21 de fevereiro de 2009 - sábado de carnaval.
22 de fevereiro de 2009 às 9:51
nossa, gil! essas dos corredores cheios de portas abertas tão demais!! a seleção toda é muito boa, é uma expo pronta…
carnaval aqui em ctba é mesmo uma coisa meio presa, mas o seu foi literal demais…hehe
pode se soltar um pouquinho…
bjo
22 de fevereiro de 2009 às 13:40
[...] Vale a pena conferir o post na Ãntegra: Olhar Comum. [...]
22 de fevereiro de 2009 às 13:47
Gilson,
Impressionante. Que puta registro!!
22 de fevereiro de 2009 às 19:43
Ola amigo! Nao sou de ficar fazendo comentario, mas eu queria parabeniza-lo pelo otimo site que voce tem! Continue com esse otimo trabalho!
22 de fevereiro de 2009 às 20:44
paredes que falam
e só as paredes ouvem…
24 de fevereiro de 2009 às 13:26
Grande registro… muito bom… as imagens conseguem transmitir o “clima” do lugar. Dá pra viajar legal imaginando tudo o que deve ter acontecido por lá.
É isso!
Antonio.
26 de fevereiro de 2009 às 21:25
(…) Assim, trancaram-nos ?té quase meio-dia;
E eis o sino afinal..
Nossos guardas abriram cada cela à escuta
Com tinir de metal,
E cada homem deixou, pelos degraus de ferro,
O Inferno pessoal. (…)
Oscar Wilde - A Balada do Cárcere de Reading
Tradução de Paulo Vizioli
Blogada impressionante, Gil. Mais ainda se considerarmos a data em que foi feita: em pleno período de folguedos momescos.
De qualquer forma, um registro imprescindível e profissa. Um momento de silêncio em meio à batucada. E eu aqui, brincando com as palavras, juntando letrinhas, escandidndo significados, enquanto paredes guardam segredos que ninguém quer ouvir.
deangelix.wordpress.com
18 de março de 2009 às 11:30
Adorei estas fotos!Parabéns!
27 de março de 2009 às 11:42
Olha…Gilson,fotos incríveis…mas a última ,realmente,parece uma ilustração…AMEI…parabéns!!!
21 de maio de 2009 às 23:24
Trabalho incrível. Será que posso reproduzir algumas de suas fotos no meu blog (com o devido crédito, é claro!)? Gostaria de fazer uma análise delas.
abraços
9 de julho de 2009 às 13:51
muinto legal; tambem matei minha curiosidade meu avõ cumpriu pena nesse presidio.