ruídos… sons da minha infância - laura veiga de camargo - antonina / pr

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A partir do Mirante da Pedra, vista do Centro de Antonina, da região portuária da cidade e da Ponta da Pita. Ao fundo a baía e o município de Paranaguá.

Um, apito? está chegando um navio. Corro às escadas do sobrado. Eu e Arlete olhamos pela janela lateral. Ficamos lá, curiosidade boba, olhando, querendo adivinhar aquele ponto escuro lá longe, na entrada da baía. Será que é do Matarazzo? O Lídia? Todos os navios do Matarazzo tinham nomes femininos. Das irmãs do Conde.
Quantas namoradas ansiosas esperam… esposas e filhos também, os marinheiros casavam e aqui deixavam suas famílias. Criavam raízes e muitos se tornaram nossos.
Também podia ser o navio de passageiros do Lage. Henrique Lage tinha uma companhia de navegação, a Costeira, os navios sempre com nomes começados com Ita: Itaquera, Itapuca, etc., o Ita foi muito importante pra Antonina. O agente era o senhor José Thomaz do Nascimento, pessoa simpática e muito querida por todos os antoninenses, “o vovô Juca” dos meus filhos. Um contador de histórias de primeira, figura maravilhosa.
Quando chegavam na cidade era uma festa! Certa vez um desses navios trouxe Procópio Ferreira e sua companhia de teatro. Fez uma apresentação no nosso lindo Teatro Municipal, imaginem, foi fantástico. Aconteceram outras vezes óperas famosas, pessoas especiais por aqui passaram.
Madrugada… o som do martelo… senhor Alberto Colecci. Era carpinteiro e emérito marceneiro, que fazia também caixões para nossos mortos. Era um italiano bonito, barrigudo, olhos azuis, todo mundo gostava dele. Quando ouvíamos o martelo bater de madrugada, já nos vinha um pensamento: “quem será que morreu?”.
Outro apito, bem diferente do primeiro. Este é mais perto, forte, contínuo. O trem chegando. A Maria Fumaça. Jovens que esperam seus amores, familiares chegam de longe e as pessoas aglomeradas, ansiosas, esperam na pequena e bonita estação a chegada do trem.
O apito da partida é mais rápido. As vezes triste. Vai levando gente querida… e lá sobe o trem o Morro do Machadinho!
Feito engraçado: às vezes, por falta de “pressão” volta o comboio até a estação e as pessoas que tinham ficado ali, paradas, tristes, se alegram pois, oportunidade maravilhosa de ver mais uma vez o rosto querido, e as vezes até dava pra tocar na mão ou um beijo rápido. Na segunda vez, arranca e vai mesmo. Adeus.

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Centro de Antonina, ao fundo a igreja de Nossa Senhora do Pilar (matriz).

Madrugada, aquele barulho de uma máquina. Não se dorme? Ou dorme-se? Acostuma-se com o barulho e até se acha agradável. É o João Leite editando o Jornal de Antonina. Amanhece, segunda-feira e ele tem que entregar o jornalzinho. Escreve, edita, compõe os tipos, revisa e imprime. Devia haver uma estátua para o João Leite em Antonina. Merecia. Homem de Valor. Do jornal inteligente, político e bem humorado. Lembro de umas muito boas. “Garanta um elogio póstumo assinando o Jornal de Antonina“, ou então: “Aniversariou a menina mais bponita de Antonina, Lurdinha (era sua filha) e Laura veio cumprimentá-la e trouxe um sabonete de presente(?!!). Contava que seu jornal foi o primeiro do Brasil a ser punido pela “lei da imprensa”. Motivo; tinha um cachorro de estimaçao (raça vira-lata) que o dia todo dormia tranquilamente em frente a tipografia, mas, se aparecia na esquina do Grupo Escolar Brasílico Machado alguém com quem ele não simpatizasse acompanhava a vítima até o posto Texaco, latindo sem parar. Certa vez levou umas bengaladas que o deixaram bem machucado. Seu dono não teve dúvidas, foi ao juiz de direito dar queixa. Não deram a “mínima”! Na próxima edição o jornalzinho trouxe na primeira página, como manchete o acontecimento com o título: “Justiça P…” Foi apreendido o jornal. Naquela semana não ganhou nada, coitado do João Leite.
Bem… Belelém… bate o sino da igreja de São Benedito… não dá pra esquecer. Amanhecendo… a procissão do “Encontro”. A imagem de Nossa Senhora encontra a imagem de Cristo ressuscitado. Dona Sandra Mussi, como Verônica. Toda de preto, véu cobrindo o rosto, canta uma música belíssima com uma voz cheia de encanto. Um belo teatro! Emoção sem tamanho! Momento de magia! Daí segue a procissão até a igreja Matriz para a missa. Bate o sino… chama o povo para a reza.
Lá está a imagem bonita de Nossa Senhora do Pilar, representando a luz que iluminará sempre Antonina, esperando de seu povo bondade, trabalho, solidariedade é fé cristã. Amor, amor e amor. Amém.

Laura Veiga de Camargo, capelista autêntica, viúva de Geraldo, mãe de Geraldo Leão e Rafael Camargo, artistas criativos, e Alexandre, empresário.

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Imagem de Nossa Senhora do Pilar, em frente a igreja Matriz.

6 comentários para “ruídos… sons da minha infância - laura veiga de camargo - antonina / pr”

  1. Catatau disse:

    Belas imagens! É uma arte conseguir burlar os carros e fios de luz!

  2. JAN disse:

    bela fachada colorida

  3. Bárbara disse:

    Excelente!!

  4. Gilson Camargo « Curitiba é um copo vazio cheio de frio disse:

    [...] e descrição de Gilson Camargo, retirada do post do Olhar Comum:  “Ruídos … sons da minha infância, Laura Veiga de Camargo, Antonina-PR” … com direito a um texto-memória-ruído excelente da capelista [...]

  5. Jose disse:

    Boring…

  6. Rodrigo disse:

    usei tua foto no blog balazequinha, me fez lembrar do meu vô. Abrax

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