ligia borba - cerâmicas

é possível, que uma cortina (vapor ou tule) sobre os olhos de quem olha faça o que se conhece parecer nada conhecido, absolutamente ainda visto, novas espécies de tudo como se nada ainda tivesse sido catalogado e fosse imperioso fazê-lo. Todas as classes de coisas e seres em novíssimas classes de coisas, como as pessoas ao sol; ao longe, dentro do rio, parecendo pedras que se movem, ou como as borboletas que se mimetizam em céu e no meio da mata, quando clareira, voando variado e indisfarçável espetáculo, desafiando gravidade, velocidade e direção, parecendo que não se dirigem a lugar algum, em soluços arfando e nunca se sabe por quanto tempo e

reflexos, folhas que bóiam em velocidades várias conforme as águas que as transportam descem e gélida gaivota volteando, abrindo o vôo em arco, ou reta, ralentando o céu, acima, em ampla concha acústica, se mostra diáfana matéria sem reverberação, e todos os sons perfuram o azul e perdem-se em incontáveis fugas na mais possível límpida e precisa música microtonal, quase números audíveis.

Ybakatu Espaço de Arte - Curitiba/PR/Brasil - até 28 de julho de 2007
fotos: Gilson Camargo

19 de novembro de 2009 às 14:59
você é uma estrela de primeira grandeza.
me deu alimento para os próximos 20 anos.
talvez, se eu pudesse passar mais um dia como aquele no pé do anhangava,
eu poderia viver até os 90 anos.
e se fosse possível mais um único dia, então eu poderia viver até os 110 anos.
obrigada, ligia, por seu exemplo de coragem e generosidade.
meus beijos .
maria