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a vida como ela é* – mini guaíra, curitiba/pr

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Os atores Martina Gallarza, Tiago Luz e Marcel Gritten, em cena na qual os personagens são apresentados ao público por Madame Clessi (personagem interpretado por Regina Bastos).

Primeira página do álbum de família. 2009, 16 de setembro. Roberto, diretor de teatro, odeia Nelson Rodrigues. Os irmãos, Paulo, 17 aninhos e Silvia, 18 risonhas primaveras. Veja a pureza da jovem nubente e a inocência do jovem imberbe. Natural, amam. Porque o amor sempre é puro. E o diretor? Alguém pode dizer se o que ele vive e sonha é a verdade? Ou uma fantasia rodrigueana? Um desejo? Uma peça de teatro? Atenção! Xissssss!!!
Ela tira uma fotografia dos três.
Black-Out.

CLIQUE E OUÇA – Íntimos Segredos
(Octavio Camargo, Chiris Gomes, Luiz Felipe Leprevost)

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bebados, boêmios, amantes da música
e moralistas de plantão
frequentam esse cabaret onde funciona a redação
onde os fatais destinos são escolhidos a dedos
páginas e páginas
sujas de tinta
é dia de sangue no jornal
e todo mundo vai ganhar
um extra nessa edição dominical
nossos intimos segredos, carícias e beijos
caindo nas mãos de bebados, boêmios
amantes da música e moralistas de plantão

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Clessi (Regina Bastos) e Roberto (Marcel Gritten).

CLESSI – Está vendo como estou gorda, velha, cheia de varizes e de dinheiro?
ROBERTO – Não se nota.
CLESSI – Mas é. Está escrito.
ROBERTO – Não acredito.
CLESSI – (Acendendo uma piteira) – Hoje as palavras estão corrompidas, Roberto. No meu tempo eram jóias guardadas em cofre.
ROBERTO – Li o seu diário.
CLESSI – Leu? Duvido. Onde?
ROBERTO – Li, sim. Quero morrer agora mesmo, se não é verdade!
CLESSI – Então diga como é que começa.
ROBERTO – Quer ver? É assim… “Hoje vou falar com Roberto, não sei se devo dizer, acho melhor não. Roberto é inocente e não é, é culpado e não é. Tem medo de si mesmo e não tem.” É assim que começa.
CLESSI – Assim mesmo.
ROBERTO – Não sei como a senhora pôde escrever aquilo! Como teve coragem!
CLESSI – Mas não é só aquilo. Tem outras coisas.
ROBERTO – Eu sei. Tem muito mais. Não devia, mas estou aqui! Não sei o que é que eu tenho. É uma coisa – não sei. Por que é que eu estou aqui?
CLESSI – É a mim que você pergunta?
ROBERTO – Por que é?
CLESSI – Porque você tem medo de ofender e humilhar, Roberto.
ROBERTO – Eu?
CLESSI – Você! E devia.
ROBERTO – É que não quero.
CLESSI – O sofrimento.
ROBERTO – Pra quê? A senhora é má. Não devia chamar-se Clessi, devia chamar-se Peixoto, Amado, Patrício. Devia ser homem.

CLESSI – (Vai tirando-lhe a roupa) – É o sofrimento que faz da vida uma relação mágica, Roberto. Misteriosa. Nunca pode haver distância entre o homem e o seu sofrimento eterno, o abismo da consciência. O homem diante do sofrimento perde a noção da própria identidade. Nu, diante do seu sofrimento, ele é o homem, o verdadeiro. A grande vida só começa depois do sofrimento.

CLIQUE E OUÇA – Sem Exagero
(Octavio Camargo, Chiris Gomes, Letícia Sabatella)

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bebendo vinho aos pouquinhos
te vi falando baixinho, sem exagerar
dizendo só o que se deve
nada além do que pede a boa educação
pois no mundo da mercadoria
o que predomina é a imagem
que se mostra
nunca a verdade do coração

foi aí que o teu amor se mostrou comportado
excessivamente preocupado em dar atenção
primeiro aos presentes
que estavam indiferentes
à nossa separação

entre sorrisos de bom dia e apertos de mão
conversas sobre o tempo
em teu rosto não havia
nenhuma expressão de sentimento

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Em sentido horário: Marcel Gritten, Regina Bastos, Chiris Gomes e Martina Gallarza.

ROBERTO – Ok. (Meio falando, meio lendo, meio conferindo o que está escrito no papel) – Resumindo! Eusebiozinho, órfão de pai, foi criado agarrado às saias das irmãs, das tias, das vizinhas, blá, blá, blá… o de sempre. (NT) –Irmãs?
REGINA – Irmãs!
CHIRIS/MARTINA – Aqui.
ROBERTO – Eusebiozinho?
DIEGO/MARCEL – Aqui.
ROBERTO – (Apontando Marcel) – Você faz. (Para Diego) – Você narra. (Entrega o texto para o Diego)
DIEGO – Eusebiozinho tinha horror a homem. Só gostava de mulher. Mulher, mulher, mulher.
ROBERTO – (Com desejo) – Mulher.
MARCEL/EUSEBIOZINHO – (Querendo ser) – Mulher!
REGINA – Nós, é claro!
MARINA – Irmãs solteironas.
CHIRIS – Nenhuma de nós se casou.
MARTINA – Imagine!
REGINA – Por amor a Eusebiozinho.
CHIRIS – Ninguém se mete com a vida do nosso menino!
REGINA – Quem educou o menino fomos nós.
CHIRIS – Quem sabe dele somos nós.
REGINA – Quem manda nele somos nós.
MARTINA – Ninguém, nunca, vai tirar o menino da gente.
CHIRIS – Nós só temos Eusebiozinho!
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Posso jogar futebol?
REGINA – Nem pensar!
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Estudar com meus amigos?
CHIRIS – Não precisa.
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Brincar de rolemã, bete, bolinha de gude?
MARTINA – Vê se pode!
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Luta livre?
REGINA – Credo!
MARCEL – Baralho?
AS TRÊS – Nunca!!!
CHIRIS – Brinca só com as meninas, viu?
REGINA – Menino diz nomes feios!
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Sim, senhora.
REGINA – Não é um puro?
MARTINA – Nosso menino!!!
CHIRIS – (Para Eusebiozinho) – Deixa ver o pintinho?
Ele mostra.

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AS TRÊS – Meu Deus, que coisa mais lindinha!
MARTINA – Nem parece que é homem.
DIEGO – O tio está irredutível!
ROBERTO/TIO – Este menino precisa de mulher! Precisa casar.
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Quê?
REGINA – Partimos para o sacrifício. Uma namorada!
MARCEL/EUSEBIOZINHO – (Tremendo) – Quê?
MARTINA – Uma namorada, nada mais natural.
MARCEL/EUSEBIOZINHO – Quê, mesmo? Não entendi.
CHIRIS – Na-mo-ra-da!
MARCEL/EUSEBIOZINHO – (Tremendo mais ainda) – Está muito bem assim! Casar pra quê? Por quê? E vocês? Por que vocês não se casaram?
As duas se olham.
CHIRIS – Ah!
MARTINA – Mulher é outra coisa.
REGINA – Diferente.
MARTINA – É.
MARCEL – (EUSEBIOZINHO) – Em quê?
AS TRÊS – Cala a boca!
Outra pausa.

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ROBERTO – Então? Para onde vão as coisas?
DIEGO – Houve então uma conspiração internacional de mulheres. Desandaram a procurar uma namorada para o Eusebiozinho. E o patético é que o maior interessado não foi nem ouvido nem cheirado. Um belo dia é apresentado a Iracema, uma outra, de dezessete anos.
ROBERTO – Iracema?
MARTINA – Eu.
DIEGO – Começou o namoro.
MARTINA – (Para Eusebiozinho) – Oi.
MARCEL/EUSEBIOZINHO – (Para Iracema) – Oi.
DIEGO – As mulheres controlavam o namoro. Jamais os dois ficaram sozinhos.
Iracema tenta pegar na mão de Eusebiozinho. Regina bate palma e ela afasta a mão, rápido.
MARTINA – (Decepcionada) – Oi.
MARCEL – (Tipo aliviado) – Oi.
DIEGO – O tio explodiu.
CHIRIZ – Explodiu.
REGINA – O “tio” explodiu.
ROBERTO – Ah, sim. (Procurando o texto no papel) – Vocês acham que alguém pode namorar com uma assistência de Fla-Flu? Vamos deixar os dois sozinhos, ora bolas!
AS OUTRAS DUAS – Sozinhos?
ROBERTO/TIO – Sozinhos.
REGINA – Que indecência!
DIEGO – Sozinhos, a namorada atacou.
Ela avança e crava um beijo no pescoço de Marcel (Eusebiozinho). Ele crispa.
Tensão.
REGINA – O beijo.
CHIRIZ – A intimidade.
DIEGO – O sexo!
ROBERTO – Que fala o garoto?
MARCEL – (EUSEBIOZINHO) – Não faz assim que eu sinto cócegas!
MARTINA – Deixa ver o pintinho?
MARCEL – Não. É pecado.
Outra pequena pausa.
REGINA – Eu disse!
CHIRIS – Não disse nada.
DIEGO – Começaram os preparativos para o casamento. Um dia Iracema apareceu frenética, desfraldando uma revista.
MARTINA – (Mostrando a revista para Eusebiozinho) – Não é bacana esse modelo de noiva?
MARCEL/EUSEBIOZINHO – (Pegando a revista em dionisíaca tensão) – Que beleza, meu Deus! Que maravilha!
MARTINA – Quem? Eu?
MARCEL/EUSEBIOZINHO – O vestido!

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Regina apresenta o vestido a todos.
REGINA – Confeccionado por nós mesmas.
CHIRIS – Um sacrifício que vale a pena.
MARCEL – (EUSEBIOZINHO) – (Ajoelhando-se diante do vestido) – Mas como é bonito. Como é lindo, meu Deus do céu! (Pegando o vestido) – A coisa mais bonita do mundo é uma noiva!
MARTINA – Quero experimentar.
Ela pega o vestido e sai. As outras vão atrás.
DIEGO – E acontece a tragédia. (Para Roberto) – Roberto, definitivamente a tragédia não é porre.
ROBERTO RODRIGUES – Não é porre.
DIEGO – Lê aí.
ROBERTO – (Tipo, lendo o texto) – Desapareceu o vestido da noiva. Foi um tumulto de mulheres. Puseram a casa de pernas para o ar… e nada. Alguém tinha roubado o vestido da noiva. Iracema chora.
REGINA – Não deixa ele ver a noiva chorar que dá azar!
Tiram Eusebiozinho de cena.
MARTINA – (Voltando com as irmãs loucas) – Meu vestido! Meu casamento!
DIEGO – O golpe é casar sem vestido de noiva.
MARTINA – Casar sem vestido de noiva, uma pinóia!
DIEGO – Chamaram até a polícia.
Sirene de polícia. Diego coloca em cena um refletor giratório, vemelho, de polícia.
DIEGO – O mistério era a verdade alucinante: quem poderia ter interesse num vestido de noiva?
Martina sai, chorando.
ROBERTO – (Indo à boca de cena) – Aqui uma pausa, um silêncio, uma concessão ao óbvio ululante. Alguém na platéia, em pleno domínio das suas faculdades não adivinharia? Como viver, se o simples fato de viver já é um massacre? Fecha-se a história e o grande pornógrafo diz a que veio. Ejacula sua poesia como se o teatro fosse sempre, a grande arena da tragédia grega!
Grande música. Eusebiozinho aparece enforcado, vestido de noiva, com véu e grinalda.
ROBERTO – Deixou um bilhete.
Diego entrega o bilhete a Roberto.
ROBERTO – (Devolvendo) – Lê você.
DIEGO – (Lendo) – Quero ser enterrado assim.

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CLIQUE E OUÇA – Cheiro de Saudades
(Octavio Camargo, Chiris Gomes)

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hoje as palavras estão corrompidas
as mesmas palavras que um dia
foram jóias
guardadas num cofre
pra não se perderem

de vez em quando precisamos
dar uma volta ao passado
e somos vitimas de falsas lembranças

a memória tem suas alucinações
a sublime obscenidade diz
que a morte tem
cheiro de saudades

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MARTINA – Você já bateu em mulher, Roberto?
MARCEL – Já?
ROBERTO – Por amor. Talvez.
MARTINA – Bateu ou não bateu?
ROBERTO – Talvez.
MARCEL – Talvez?
MARTINA – Se eu te pedisse agora: me dá um tapa na cara, você daria?
ROBERTO – Se fosse por amor.
MARTINA – E se por amor eu te implorasse: me dá um tapa na cara, você daria?
ROBERTO – As mulheres não sabem amar.
MARTINA – Se eu ordenasse, me dá um tapa na cara, você daria?
Ele levanta a mão.
MARTINA – Bate!
ROBERTO – Isto é Nelson?

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ROBERTO – Silvia e Paulo eram esfomeados de amor. Eram irmãos de sangue e se amavam como amantes. Namoravam furtivos pelos cantos da casa.
MARTINA – Olha! Que lindos!
MARCEL – Lindos.
ROBERTO – (Lendo e não lendo) – O pai e a mãe eram tradicionalíssimos. “Filha minha vai se casar com médico ou barão”! A mãe: “Vai ser noiva mais linda do planeta. As outras vão morrer de inveja”! O pai: “Eu é que arranjo o marido. Ninguém escolhe, nem ela, quem escolhe sou eu, o pai”! A mãe: “O vestido quem escolhe sou eu, a mãe”! O pai: “Está decidido! Vou arranjar imediatamente um marido aristocrata para minha filha!” Estava armada a desgraça.
MARTINA – Não, Paulo! Não posso me casar. O que vai ser do nosso amor, de tudo?
MARCEL – Eu não deixo.
MARTINA – Não deixa?
MARCEL – Não!
MARTINA – O nosso amor é eterno!
MARCEL – Me beija.
MARTINA – Me beija.
ROBERTO – (Lendo e não lendo) – E se amavam, se beijavam, se esfregavam como periquitos pecadores. Até que um dia a empregada pegou os dois aos agarros no corredor dos fundos. Beijo de língua. “Vou contar tudo”! “Não, não, não conta”! “Conto tudo, seus pecadores”! “Conto tudo e vocês vão se separar pra sempre”!
CLESSI – Então eles fizeram o pacto!
ROBERTO – O pacto.
MARTINA – Sou tudo pra você? Sou?
ROBERTO – Você é tudo pra mim.
MARTINA – Tudo.
ROBERTO – Tudo.
MARTINA – Escuta.
ROBERTO – Você sabe.
MARTINA – Me deixa falar. Sabe o que eu vou fazer? É tão fácil, tão simples morrer.
ROBERTO – Se você se matar. Você está pensando em morrer?
MARTINA – Talvez.
ROBERTO – Se você se matar eu também me mato.
MARTINA – Jura?
ROBERTO – Juro.
MARTINA – Escuta, responde. Você me daria a sua vida? No dia em que eu te pedisse pra morrer comigo?
ROBERTO – Ou foi você que pediu pra morrer comigo?
MARTINA – Paulo, quer me ouvir?
ROBERTO – Eu te amo.
MARTINA – Paulo, nunca dois irmãos se amaram tanto.
CLESSI – E então?
ROBERTO – Silvia e Roberto combinaram morrer juntos naquela mesma noite. Ele foi até a despensa e pegou veneno de rato. Misturou na coca-cola e colocou em dois copos.
MARCEL – Dois copos.
MARTINA – Dois.
MARCEL – Quem vai beber primeiro?
MARTINA – Eu bebo.
Ela levanta o copo.
MARTINA – Eu sou o teu amor eterno? Na vida e na morte?
MARCEL – Meu amor eterno.
Ela vira o líquido para dentro da boca. Toma tudo.
MARTINA – Agora você.
Ele não se mexe.

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MARTINA – Agora você, Paulo! Agora você!
Ele não se mexe.
Ela pega o copo e coloca nas mãos dele.
MARTINA – Agora você, Paulo. Você! Você! Você! Paulo, agora você! Bebe!
Ele não toma.

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O ser humano é cego para os próprios defeitos. Jamais um vilão do cinema mudo proclamou-se vilão. Nem o idiota se diz idiota. Os defeitos existem dentro de nós, ativos e militantes, mas inconfessos. Nunca vi um sujeito vir à boca de cena e anunciar, de testa erguida: “Senhoras e senhores, eu sou um pulha”! E quanto aos artistas? Bem… O artista tem que ser gênio para alguns e imbecil para outros. Se puder ser imbecil para todos, melhor ainda. Nelson Rodrigues, meu irmão!

CLIQUE E OUÇA – Língua Madura
(Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo, Bárbara Kirchner)

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língua madura, como vai a vida, bendita e querida
ou anda sofrendo mais do que mulher de vida facil
conta pra nós, qual é a sua, língua madura

um homem de sua estatura
com toda essa envergadura moral
deveria andar de cabeça erguida
e nunca com a mão no bolso procurando um drops
pra mulher bomba que vai explodir seu coração

diga então, língua madura, como vai a vida, bendita e querida
ou anda querendo subir de posto nesse partido alto
e ser apanhado de pijamas

fica bacana, um homem de bem coberto de lama
completamente iludido por um beijo no asfalto
por favor toma tento, não faça vergonha

se atrapalhando todo atrás de um isqueiro
pra acender por primeiro o cigarro
de quem não te ama

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Chiris Gomes interpreta as canções que integram a dramaturgia do espetáculo.

*Os textos aqui publicados são fragmentos da adaptação de Edson Bueno.
Imagens da apresentação do dia 04/10/09.

Grupo Delírio Cia. de Teatro
Adapta
ção e direção: Edson Bueno
Elenco: Chiris Gomes, Diego Marchioro, Marcel Gritten, Martina Gallarza, Regina Bastos e Tiago Luz
Cenografia: Gelson Amaral
Figurinos, adereços e maquiagem: Áldice Lopes
Iluminação: Beto Bruel
Música original: Octavio Camargo – piano: Davi Sartori – voz: Chiris Gomes
Produção executiva: Diego Marchioro

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3 comentários para “a vida como ela é* – mini guaíra, curitiba/pr”

  1. Bárbara Kirchner disse:

    Que postagem sensacional!!

  2. gustavo disse:

    Amigo, sua cobertura foi fantástica!
    Estive em Curitiba e assisti a esta peça; achei fascinante. E só aqui encontrei todas as informações do espetáculo! Até as canções!
    As fotos são magníficas! Parabéns!

  3. Leonara Barreto disse:

    Hey, caramba… Assisti essa peça no ano passado, em Jacarezinho! Adorei as informações e as músicas…
    Adorei tudo. *-*
    Sucesso!

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