Olhar Comum » Arquivo » fernando pessoa – poema de alberto caeiro

fernando pessoa – poema de alberto caeiro

dani2007_foto_gilson_camargo_ctba_pr_brasil41.jpg

As bolas de sabão que esta criança
Se entretém a largar de uma palhinha
São translucidamente uma filosofia toda.
Claras, inúteis e passageiras como a Natureza,
Amigas dos olhos como as cousas,
São aquilo que são
Com uma precisão redondinha e aérea,
E ninguém, nem mesmo a criança que as deixa,
Pretende que elas são mais do que parecem ser.

Algumas mal se vêem no ar lúcido.
São como a brisa que passa e mal toca nas flores
E que só sabemos que passa
Porque qualquer cousa se aligeira em nós
E aceita tudo mais nitidamente.



6 comentários para “fernando pessoa – poema de alberto caeiro”

  1. deangelix disse:

    Que beleza!

  2. Bárbara disse:

    Comento: inesquecível.

  3. Ana disse:

    Fantástico.

  4. inês disse:

    Já tenho os 18 anos bem contadinhos mas há certas coisas que uma pessoa não larga. Chamem-lhe manias, vicios, infantilidades, pouca maturidade. O que seja! Eu (mas eu sou eu) não acho que se trate de um problema de não se crescer, muito menos de uma mania, bolas de sabão são sempre bolas de sabão. E ainda há uma semana comprei um boiãozinho desses para me divertir : ) às vezes até o faço sozinha, mas quando não o faço as pessoas fcam sempre deliradas como se se tivessem esquecido que são apenas bolhas de sabão e que o unico sabão que melhor conhecem é o do corpo e ainda mais o da loiça. Ai eu pergunto-lhes com um sorriso vencedor “ahh pois, afinal são bonitas não é!”. no que toca a estas coisas saio sempre vencedora, ou quase sempre vá!
    Grande homem o Fernando Pessoa, grande homem (diga-se por assim entendendo que o é) o Alberto Caeiro. Bonita foto e bonito blog :D

  5. Diana Mendes disse:

    Caeiro é sem dúvida alguma o heterónimo de Pessoa que eu mais gosto. Eu tenho 17 anos e estou a fazer um trabalho sobre Caeiro e decidi comentar.
    A simplicidade das coisas, esse estar de alguém, de uma criança que se entretém com as bolas de sabão sem em nada pensar, apenas gozando o momento do “Agora”…as bolas de sabão são efémeras mas se começarmos a pensar, são as coisas passageiras, os momentos efémeros que são mais importantes…mas vale a pena Sempre…entreter os nossos olhos com algo tão simples é fantástico…algo que eu adoro mesmo na poesia de Caeiro é a valorização que ele faz ao acto de Ver…Ver, no sentido de Reparar mesmo…com olhos de Ver sem que na nossa mente se esteja a processar qualquer pensamento…para quê pensar se posso ter diante dos meus olhos coisas e/ou gente que me fará sentir tudo de todas as maneiras…a verdade é mesmo esta…nós pensamos demais…é necessário gozar todos os momentos mesmo que seja tudo tão fugaz…
    já agora Parabéns pelo blog e a foto está espectacular

  6. Gilson Camargo « Curitiba é um copo vazio cheio de frio disse:

    […] Foto de Gilson Camargo […]

Deixe seu comentário

Ao acessar, percorrer e utilizar o site www.gilsoncamargo.com.br e seus sub-domínios, você estará aceitando as condições e termos aqui expressos, sendo responsável único e exclusivo, perante terceiros, sobre a (i) veracidade, (ii) legalidade, (iii) exatidão e (iv) boa-educação das informações que prestar e gerar nas caixas de comentários, isentando o mantenedor da página, de forma irrevogável e irretratável, de qualquer reclamação oriunda do mau-uso da página, pelo usuário. Se tiver qualquer dúvida a respeito de tais atributos, não comente.