Olhar Comum

thayana barbosa convida simone sou – teatro paiol

8 de junho de 2012 - por gil

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Thayana Barbosa é cantora, compositora, atriz, percussionista, brincante e pesquisadora. Natural de Campo Grande/MS, é radicada em Curitiba desde 1999 aonde vem desenvolvendo sua trajetória artística participando de diversos projetos, shows e grupos musicais. Entre eles destaca-se o “Mundaréu”, do qual é integrante desde 2002, tendo gravado três CD´s e um DVD e participado de inúmeras turnês pelo país.

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Nas noites de 01 e 02 de junho Thayana Barbosa recebeu a percussionista Simone Sou no palco do Teatro Paiol, em Curitiba, para duas apresentações que somaram a poesia e suavidade das composições de Thayana com o peso e força da percussão de Simone.

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O show fez parte da comemoração aos 40 anos do Teatro Paiol. Para este encontro as artistas reuniram composições próprias num repertório que expôs as nuances sonoras distintas destes dois universos musicais.

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CLIQUE E OUÇA – Onde Estou
Thayana Barbosa

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Glauco Sölter no baixo e o percussionista Vina Lacerda, que já trabalharam com Simone, mais Valderval Oliveira Filho na bateria e o multi-instrumentista Jorge Falcon, que assina também a direção artística do espetáculo e os arranjos musicais juntamente com os outros músicos formam o time de altíssima qualidade que acompanha Thayana em suas apresentações.

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CLIQUE E OUÇA – Levanta Poeira
Thayana Barbosa

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Dialogar com músicos que respeito e admiro tem sido um aprendizado grande a cada encontro. A troca de diferentes impressões revelam novos caminhos, novas sonoridades e nos percebemos num processo constante de descobertas. A entrega e dedicação de todos os envolvidos no processo me faz acreditar cada vez mais nesse encontro. Coração transbordando de felicidade e alma agradecida! Embarque no som com a gente e faça uma deliciosa viagem! Dedico esse show a minha mãe “Irô Floriano” que sempre esteve ao meu lado e me ensinou a acreditar nos sonhos e lutar por eles. Onde quer que esteja tenho certeza de que está vibrando comigo!
Thayana Barbosa

Música é a arte do encontro dos sons. O encontro é a arte de reconhecer o outro, descobrir e apreciar as diferenças. As diferenças se transformam em diálogo, argumentos que interagem e se comunicam. A comunicação é a expressão da alma e mente trabalhando juntas, em movimento constante do ser. O ser se manifesta na arte de vivenciar o outro, tocar o outro som que toca e te emociona. Música é o que vamos respirar e pulsar juntos, vinda do mundo que temos dentro de nós!
Simone Sou

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Realização: Fuá Produções
Planejamento e projeto: Julia Basso
Direção de produção: Isadora Flores
Produção executiva: Analice Trindade
Assessoria de imprensa: Daniela Carvalho
Projeto gráfico: Manoela Leão / Gusto Design
Direção musical: Jorge Falcon
Cenário e figurinos: Cristine Conde
Confecção de cenário: Trio Luz
Maquiagem: Jade Sölter
Iluminação e operação: Victor Sabbag
Sonorização: Luigi Castel
Roadie: Daniel Luz
Rigger: Jorny
Vídeo: Luciano Coelho
Fotografia: Gilson Camargo

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Da esquerda para a direita: Vina Lacerda, Simone Sou, Thayana Barbosa, Glauco Sölter, Jorge Falcon e Valderval Oliveira Filho.

“licht+licht”, cia. de ópera seca

8 de abril de 2012 - por gil

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A nova produção da Cia de Ópera Seca, que faz sua estreia nacional no Festival de Teatro de Curitiba, mostra Goethe em seu leito de morte ao pronunciar suas últimas palavras: “Licht, mehr Licht” (Luz, mais Luz). Em seu delírio, o autor alemão revê seus personagens (Fausto/Mephisto, Werther/Willelm Meister e Margarida/Charlotte). Depois de “Travesties”, de Tom Stoppard, sucesso no Festival de Curitiba em 2009 (link para minha postagem sobre Travesties naquele ano), esta é a segunda direção de Caetano Vilela para a companhia.

Criado em 1992, o evento encerra hoje sua 21ª edição com uma programação que ofereceu boas surpresas, como “Licht+Licht”, de Caetano Vilela, da Cia. de Ópera Seca (SP).
O Globo, 08/04/2012

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Sons e ruídos que se confundem, vozes sussurradas (licht mehr licht mehr licht mehr licht…) eletrocardiograma, respiração, violinos, percussão… Abre a cortina
LUZ na penumbra, vê-se apenas um pequeno bonsai e em seguida o vulto de um homem recostado numa mesa.
SOM vai ficando cada vez mais alto e insuportável… corte seco.
OFF: – Nada mais sou do que um simples viajante, um andarilho que percorre a terra! E vocês … e vocês… quem são?

– A vida humana não passa de um sonho. Mais de uma pessoa já pensou isso. Essa impressão também me acompanha por toda parte. Quando vejo os estreitos limites da inteligência humana cujo único objetivo é prolongar a nossa mesquinha existência; e verifico que o nosso espírito só pode encontrar tranquilidade por meio de uma resignação povoada de sonhos… tudo isso me faz emudecer.

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– Mas esse Deus, que poderá ele por mim? Devolver-me-á a juventude e a fé? Amaldiçoadas sejais, ó volúpias humanas! Amaldiçoadas sejam as correntes que me fazem rastejar nesta Terra! Amaldiçoado seja tudo o que nos ilude. A esperança vã que se escoa com a hora, os sonhos de amor ou de combate! Amaldiçoada seja a felicidade! Amaldiçoada seja a ciência! A fé e a oração! Amaldiçoada sejas, paciência! Venha a mim Satanás, a mim!

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Charlotte: – Você não cumpriu a sua palavra!
Fausto: – Eu não te prometi nada… eu não te…
Charlotte: – Eu sou uma mulher honesta. Devotada a dedicação do meu marido Albert cujo amor e fidelidade eu conheço e não é segredo para ninguém que ele o tem em grande estima… e o ama como a um irmão, não é justo esta situação que…

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Os métodos de encenação e os meios de produção do teatro, triturados por Caetano Vilela, jogam em cena Fausto, Mephisto, Meister, Hamlet, numa salada luminosa que explode a partir de zonas sombrias. Vilela parece se divertir, provocando a platéia com o que poderá intrigá-la até a irritação. Por meios transversos atinge a acomodação de quem assiste e de quem faz teatro, e detona o melhor que o Festival de Curitiba mostrou este ano.
Macksen Luiz, em http://macksenluiz.blogspot.com.br/2012/04/festivais.html?m=1

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Link para fotos de Lenise Pinheiro, do blog Cacilda, para a Folha de São Paulo.
Link para fotos de Rubens Nemitz Jr, para a fotografia oficial do Festival de Curitiba.

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– O que será desta peça? Fará sucesso junto ao público? Quanto tempo ficará em cartaz? Quantas vezes poderemos apresentá-la?

– Esqueçamos a mesquinhez do diretor e a miséria que nos paga, esqueçamos também a ingratidão do público que recompensa com aplausos sempre a pessoa errada. Faremos sucesso? Comentarão as nossas cenas nos cafés e nas tabernas? Será que encontramos o tom certo do verdadeiro teatro nacional? Devo confessar que fico apreensivo quando clamam por um teatro nacional, acredito que o folclore teutônico seja finito para tamanho clamor.

– Mas nós oferecemos a nossa contrapartida social à nação: A ARTE! O TEATRO! Minha contrapartida para a sociedade são as entranhas do próprio teatro, suas vísceras, seu sangue…

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Goethe estava cego, num quarto, e pediu para o criado abrir a janela. “Luz, mais luz”, foi seu último pedido. Ele não pedia apenas luz, pedia conhecimento. Quando você ilumina, você descortina, você mostra. E esse mostrar e esconder, entre a sombra e a luz, é um processo de conhecimento. É isso que busco desde o começo da minha carreira. Eu sou um iluminador, e esse homem pede luz.
Caetano Vilela, no blog Conteúdo Livre

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– Enquanto eu desejava elevar seus espíritos eles queriam que eu atingisse seus corações. Isso foi se tornando um fardo para mim, nada me atormentava mais que não poder encerrar-me em meu quarto…

– No meu camarim enquanto eu esperava cumprimentos sensatos à minha atuação e acreditava que elogiariam um autor que havia escolhido para interpretar lá vinham eles com estúpidos convites e sugestões de mal gosto de peças que eles queriam me ver representar…

– A exasperação já estava cegando a minha razão, eu poderia ter me matado; no entanto fui parar em outro extremo: casei-me, ou melhor, deixei que me casassem!

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O espetáculo surgiu a partir de uma pesquisa de Vilela em torno da obra de Goethe, célebre autor do pré-romantismo alemão – movimento que defendeu a criação artística como expressão plena da subjetividade, a conexão com a natureza e a libertação de regras formais pré-estabelecidas. Na confecção de “Licht+Licht” – que desembarca em São Paulo nos dias 11 e 12 de abril, no Auditório Ibirapuera -, Vilela entrelaçou três obras: “Fausto”, “Os Sofrimentos do Jovem Werther” e “Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister”. Ao evocar o romantismo do século XVIII, seu objetivo foi trazer à tona questões que permanecem atuais. “‘Wilhelm Meister’ é um livro de formação centrado num jovem que busca conhecimento através do teatro, abandona-o e passa a viver com os valores adquiridos – em especial, o papel do artista na sociedade e a postura ética. Goethe dizia que a contrapartida social que o artista deve dar é a própria arte.
Daniel Schenker, Valor Econômico, 04/04/12

Wagner: – O que eu queria dizer é que a luz não só está dentro de cada um, como acaba se identificando com o próprio sujeito.
Germano: – Infelizmente, constatamos que desde os tempos mais remotos os homens não fizeram progressos naturais nem nas artes nem em suas instituições civis, éticas e religiosas…
Fabi: – …antes, porém, logo se apoderaram de uma imitação não sentida, de uma falsa aplicação de experiências corretas, de uma tradição obscura, de uma procedência cômoda das gerações.

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Germano: – Ora, o que interessa ao público boquiaberto…
Fabi: – … se pode ou não explicar por que estava boquiaberto não é mesmo?

Gilson Camargo mais uma vez registrou os passos da Cia. de Ópera Seca no Festival de Curitiba, pra variar conseguiu traduzir em imagens deslumbrantes todo o nosso trabalho. Obrigado querido!
Caetano Vilela, on a Facebook

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CENA 7 – O FIM – evolução da percussão + leitmotif + fragmentos de Haydn
Levantam-se um por vez (Fabi, Germano e Wagner) e saem pelo guarda-roupa. Wagner fecha a janela antes de sair.
Evolução para final. Cama explode em luz.

CLIQUE E OUÇA – Where Is My Mind
Pixies

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Caetano Vilela durante a marcação de luz no dia da estréia, no Guairinha, em 04/04/2012.

À frente da Cia. de Ópera Seca desde 2008, o diretor Caetano Vilela diz estar mais preocupado em despertar a curiosidade intelectual do público em suas montagens do que qualquer outra coisa. Procura fazer isso num espetáculo completo, amarrando bem toda cenografia (som, luzes, coreografia) com a atuação dos personagens. “Toda minha direção depende da luz [iluminação]”, disse ele em entrevista coletiva nesta segunda-feira.
http://festivaldecuritiba.com.br/noticias/ver/65/Vilela_aborda_as_muitas_luzes_de_Goethe_em_Licht_Licht

Realização: Cia de Ópera Seca
Concepção, dramaturgia, encenação e iluminação: Caetano Vilela
Elenco: Fabiana Gugli, Germano Melo, Wagner Antônio
Assistente de Direção e Direção de Palco: Emerson Meneses
Assistente de Figurinos: Patrícia Sayuri Sato
Música originalmente composta: Edson Secco
Engenharia de som: Edson Secco
Figurino e direção de arte: Cássio Brasil
Produção SP: Artematriz Soluções Culturais
Fotografia: Gilson Camargo

língua madura – teatro paiol, curitiba/pr, 25/01/2012

27 de fevereiro de 2012 - por gil

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Língua Madura, canções para destravar a língua e o coração.

CLIQUE E OUÇA – Norma Culta
Composição: Antônio Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo e Bárbara Kirchner

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pra que cortar seus impulsos e deixar os pulsos intactos?
a norma culta é uma estupidez
que inflaciona o teu saber
tua dor é analfabeta
de pai e de mãe

Para esse trio de artistas paranaenses silenciar nunca foi resposta. Ou como eles mesmos dizem; “Quando nos atiramos sobre o tema RELACIONAMENTO, sabíamos da árdua tarefa que terímos pela frente. Foram três anos de comprometimento total com a idéia. Noites e mais noites em que o furor trêmulo das coisas não ditas deixou nossos nervos em frangalhos. Mas dissemos tudo, abrimos portas, destravamos a língua e o coração, como verdadeiros escafandristas da dor universal. Fundimos essa dor à  nossa e fomos em frente, amadurecemos para sofrer por conta própria e rir da nossa própria desgraça”. O resultado de todo esse esforço foi a publicação de um songbook, com letras, partituras e 2 CDs com 22 canções cada, que foi lançado no ano passado. O show Língua Madura é composto de 20 canções do grupo e alguns poemas.

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CLIQUE E OUÇA – Tenho pela frente a vida inteira
Composição: Antônio Thadeu Wojciechowski, Octavio Camargo e Bárbara Kirchner

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Quem foi ao Paiol, ontem, fez sol em minha vida. Um público adorável, magnânimo e beatífico, emanando para o palco uma vibração calorosa, imensa, revestida de amor e carinho. Me senti amado, amparado e feliz. Nâo vi nem senti a Curitiba carrasca-madrasta que tantos falam. Ontem, vivi um sonho. Obrigado, muito obrigado a todos que estavam presentes de corpo e alma e aos que só em alma.
Antônio Thadeu Wojciechowski

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O trabalho do grupo é totalmente inovador, o público fica sem referência e leva dribles o tempo todo, pela maestria das letras, melodias e harmonias. Lindas canções, doídas, engraçadas, maduras, que falam de nós e de nossas relações de uma forma profunda e muito inteligente.
Alberto Centurião, poeta, escritor e diretor de teatro

Link para download das canções do trio no site da Trama Virtual.

chico mello, 20 anos entre janelas – música experimental de 1987 a 2007

19 de janeiro de 2012 - por gil

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Radicado há 23 anos na Alemanha, o compositor curitibano Chico Mello retornou a cidade natal para o lançamento do CD “20 anos entre janelas – música experimental de 1987 a 2007″. O evento aconteceu no dia 21 de janeiro, no auditório do Museu Oscar Niemeyer (imagem acima), integrando a programação da Oficina de Música de Curitiba. Além de conversa com o artista, houve a exibição da ópera “Destino das Oito”, sessão de autógrafos e venda de CDs.

chicomello_foto_gilsoncamargo20101Durante a gravação de ” Novela Instrumental”, na Capela Santa Maria, Curitiba 2010.

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CLIQUE E OUÇA – Novela Instrumental
Composição: Chico Mello
Com Rodrigo Capistrano, sax soprano; Maria Ester Brandão, violino; Marcelo Lemos da Silva, viola; Jamil Bark, fagote; Sérgio Albach, clarone; Maria Helena Carvalho Salomão, contrabaixo; Carlos Alberto Assis, piano; Paulo Demarchi, percussão.

Essa coleção de CDs pretende tornar acessível ao público uma parte do que venho desenvolvendo há mais de 20 anos em música experimental.

O título se refere a entre janelas é uma peça que não aparece registrada aqui, apenas sua parente próxima, Serenata para Espinosa, na qual coexistem mundos sonoro-gestuais heterogêneos e quase incompatíveis. No entanto, a estrutura reiterativa que os articula desloca a percepção para o fundo que os envolve: a eternidade da experiência do tempo, o vão entre os eventos. Para mim, uma boa metáfora para o deslocamento de minha percepção no meu constante deslizar entre mundos heterogêneos: música experimental e música popular, corporalidade e teoria, Alemanha e Brasil, intimidade e outridade.

Dentre as peças que escrevi entre 1987 e 2007/08 escolhi as que me pareceram mais representativas daquilo que tem me movido internamente. As peças estão agrupadas em três CDs – ou três janelas – que abrem três distintas perspectivas de composição. No CD 1 – SOLO/CÂMARA/ORQUESTRA, a formação instrumental é o ponto de partida. No CD 2 – MAL-ENTENDIDOS MULTICULTURAIS, o ponto de partida é a existência paralela de culturas sonoras díspares. No CD 3 – MÚSICA INSTRUMENTAL CÊNICA, o foco oscila entre o som e a gestualidade, a corporalidade da performance musical.

Uma parte dos registros fonográficos provém de gravações ao vivo de estréias na Alemanha, outra de produções em estúdio realizadas em Curitiba. Essa heterogeneidade geográfica e de produção, além de seu aspecto biográfico, é também um convite a um passeio pelo vão entre os sons, entre os tempos, entre os lugares.

Chico Mello, Los Angeles, abril de 2011.

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Skype com Octavio Camargo, Los Angeles/Curitiba, abril de 2011.

Este projeto teve o incentivo da Fundação Cultural de Curitiba através da Lei Municipal de Incentivo a Cultura, com patrocínio da Volvo do Brasil.

Ficha técnica:
Gravado e mixado por Gramofone+Musical (www.gramofone.com.br)
Técnicos de gravação e edição: Alvaro Ramos, Fred Teixeira e Rogério Naressi
Assistência: Diego Plaça
Técnicos de mixagem: Rogério Sabatella e Rogério Naressi
Mixagem: Chico Mello e Rogério Sabatella
Textos e tradução: Chico Mello
Revisão de tradução: Susan Herbert, Craig Havens e Octavio Camargo.
Fotografias , projeto gráfico e editoração: Gilson Camargo/Supera Editorial
Impressão: Maxigráfica
Idealização e coordenação do projeto: Mara Fontoura e Paulo Demarchi
Marketing Cultural: Gramofone+Cultural
Contato: chicomello@gmx.net

folias de reis do norte do paraná

6 de janeiro de 2012 - por gil

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Companhia de Santos Reis Grupo Menino Deus. Londrina, PR

CLIQUE E OUÇA – Viagem dos Reis
Companhia de Santos Reis – Grupo Menino Deus

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A região Norte do Paraná apresenta uma grande concentração de folias de Reis que mantém a tradição de cantar o nascimento do menino Jesus e a visita dos reis Magos pedindo ofertas para a realização de festas comunitárias.

O projeto Folias do Norte do Paraná, realizado pela Olaria Projetos de Arte e Educação, documentou nove companhias de Reis desta região do Estado com o objetivo de registrar em áudio, foto e vídeo as práticas e os saberes destes grupos.

No período entre dezembro de 2010 e janeiro de 2011, uma equipe de pesquisa acompanhou o giro das companhias, as visitas às casas, as chegadas de bandeiras, entrevistando foliões, moradores, anfitriões. Deste trabalho resultaram imagens e histórias da vida e das festas da região.

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Companhia da Bandeira Esperança. Alto Paraná, PR

A folia de Reis provavelmente chegou ao Brasil nos primórdios da colonização, trazida pelos portugueses que ainda hoje costumam “cantar os Reis” ou “cantar as Janeiras” de porta em porta pedindo uma prenda.

Os Reis Santos, como são chamados por muitos, ganharam fama em quase todo o Brasil pelos milagres a eles atribuídos, contados por seus devotos que, cumprindo promessas, realizam festas, cortejos, ofertas e banquetes em sua honra. Dessa forma, a folia de Reis firmou-se no país como uma tradição que congrega não somente a expressão musical e literata do povo, mas um conjunto sociocultural de formas de pensar, de viver e de interpretar o mundo, marcando na sua caminhada valores como a união entre os que compõem a comunidade, a experiência do homem com o sentido do divino, a partilha por meio da festa comunitária e o rito de passagem de um ano para o outro celebrado no agradecimento sincero e na promessa de continuar foliando Reis.

No Brasil, a folia de Reis também pode ser chamada de companhia, embaixada, terno, bandeira, entre outras denominações. Nesta tradição musical popular, um grupo de homens sai a pé, a cavalo ou de barco (e mais recentemente veículos motorizados como carros, caminhões, ônibus) visitando casas e fazendas, em geral no período de 24 de dezembro a 6 de janeiro (dia de Reis), contando em versos e canções a viagem dos Reis magos que, seguindo a estrela de Belém, foram visitar o Menino Jesus recém-nascido.

As folias, em sua organização e seus propósitos e percursos, traduzem os valores do homem do campo. Nas suas incursões anuais às pequenas comunidades e às casas dos devotos, levam mais que cultura: levam informações. Dão notícias dos amigos, reportam a situação econômica local, alimentam o diálogo e a oportunidade de encontro, reforçam um modo de vida e um sistema de valores ligados ao Brasil rural. Nestes delicados laços, tecidos ao longo de anos de amizade, de fé e de esperança, as companhias incorporam em suas visitas um papel de interlocutores nas comunidades.

Esses grupos dependem de sua própria organização e do apoio de seus pares para cumprir a tarefa do ano. Eles seguem enfrentando na região as recentes e intensas mudanças no contexto rural com os naturais reflexos nos microcosmos das folias de Reis.

A proposta de documentar as Folias do Norte do Paraná, realizada no âmbito do projeto de cooperação técnica entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), surgiu como demanda do Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), integrando uma trajetória de pesquisa relacionada à valorização da memória e das manifestações culturais do campo. Ao compartilhar esses saberes e essas memórias, a documentação aqui disponibilizada contribui ao propósito da consolidação de uma agenda de desenvolvimento rural sustentável e solidário.

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Companhia Nossa Senhora da Esperança. Sarandi, PR

Registrar e divulgar, dando mais visibilidade a esta e outras tradições populares, traz diferentes pontos positivos. Entre eles, o de mostrar para a sociedade que o trabalhador rural tem uma participação expressiva na construção da história de seu país. Mais ainda, estimula a percepção de que o homem do campo tem uma identidade com o seu contexto que o leva a superar obstáculos e que, com frequência regular, ativa a memória cultural das comunidades por meio de suas expressões artísticas. Este projeto também busca contribuir para que o trabalhador rural se perceba como colaborador para maior inclusão social, um ser que chama a atenção para o seu contexto, que sabe cada vez mais da importância do patrimônio imaterial, que está interessado em fortalecer sua cultura.

Realização
Olaria Projetos de Arte e Educação

Coordenação geral
Lia Marchi

Equipe de pesquisa de campo
Pesquisa e direção: Lia Marchi
Produção executiva: L.M.Stein
Diretor de fotografia: Toni Gorbi
Fotos: Gilson Camargo
Operação de câmera: Marcelo Oliveira
Som direto: Vinícius Casimiro
Eletricista: Claudinei Macedo
Motorista: Nelson Ricardo de Oliveira

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No endereço http://www.foliasnorteparana.com.br/, encontram-se os caminhos da pesquisa e os registros dos grupos que acompanhamos numa rota que inclui Londrina e Maringá, duas das principais cidades da região e do estado do Paraná. Nelas e entre elas, a presença do campo – latente nos homens e nas mulheres que colonizaram o Norte do Estado, desbravaram as matas, trabalharam na terra vermelha e construíram as cidades.

Produção do site
Concepção e textos: Lia Marchi
Designer: Invisible Design / Paulo Oliveira
Edição dos vídeos: Alexsander Macedo
Revisão de textos: Caibar Pereira Magalhães Jr.

clássicos curitibanos – pax, de paulo munhoz

21 de dezembro de 2011 - por gil

Pax (Curta-metragem / 2005, Animação Stop-Motion, 35mm, 14´)
PAULO ROBERTO MUNHOZ é cineasta, proprietário da Tecnokena Produtora Audiovisual

Éneas Lour – Rabino
Mauro Zannata – Padre
Mário Schoemberger – Xeque
Tupaceretan Matheus – Monge / Preto Véio

Direção, fotografia e montagem: Paulo Munhoz
Roteiro: Paulo Munhoz e Érico Beduschi
Animação: Walkir Fernandes e Odirlei Seixas
Design de personagens: Ayrton Scorsato
Moldes e resinas: Felipe Grosso e Odirlei Seixas

exposição coletiva – fidel cuba – curitiba/pr

10 de novembro de 2011 - por gil

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Fotógrafos participantes:
Téo Pitella, Samuel Kowalski, Roberto Pitella, Robert Amorim, Pedro Vieira, Milena Costa, Karla Keiko, J.S. Vieira, Guilherme Zawa, Guiga Trancoso e Gilson Camargo.

O Fidel Cuba trabalhou durante a Corrente Cultural e promoveu a exposição “Sem Licença”. Aos que forem ao bar, ou aos que assistirem algum show nas ruínas do Largo da Ordem, não percam a primeira exposição fotográfica em uma galeria a céu aberto em Curitiba. Onde? Na frente do Fidel. No muro do antigo Clube Operário.
Fidel Cuba

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Roberto Pitella e Pedro Vieira durante a colagem das imagens no muro da Sociedade Operário, em 05/11/2011.

Fotografei o Chico Science e a Nação Zumbi em Curitiba pela primeira vez em 1994, em sua estréia na cidade. Impressionado com a performance dos pernambucanos não perdi mais nenhuma das apresentações que eles fizeram por aqui. A fotografia colada no muro na exposição organizada pelo pessoal do Fidel é do seu segundo show no saudoso Aeroanta. Escolhi esta imagem pela oportunidade de imprimir e fazer participar da Virada Cultural nas ruas de Curitiba esse artista que defendia a preservacão das origens e valores regionais sem o medo da assimilação de elementos externos, e nos deixou uma obra inspiradora e universal.
Gilson Camargo

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CLIQUE E OUÇA – Monólogo Ao Pé Do Ouvido
Chico Science e Nação Zumbi

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a ciclofaixa de lazer e a bicicletada – curitiba/pr

24 de outubro de 2011 - por gil

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Rua Tibagi, entre Marechal Deodoro e XV de Novembro, no Centro de Curitiba.

Cerca de 300 ciclistas protestaram ontem pela manhã contra o Circuito Ciclofaixa de Lazer, inaugurado pela Prefeitura de Curitiba no fim de semana. O circuito, com quatro quilômetros de extensão, foi criado para oferecer, em determinados dias e horários, vias exclusivas para bicicletas em ruas centrais da capital paranaense. Mas as faixas foram pintadas do lado esquerdo da via de rolamento, contrariando o que está previsto no artigo 58 do Código de Trânsito Brasileiro. Em protesto, os manifestantes ignoraram a demarcação e circularam pelas pistas da direita, pedindo também o funcionamento de ciclofaixas todos os dias da semana.

O chefe de gabinete da prefeitura de Curitiba, José Andreguetto, afirma que o município não tem condições de operar a ciclofaixa de lazer semanalmente, por falta de estrutura e pessoal. Segundo ele, agentes de trânsito e guardas municipais já estariam envolvidos com outros eventos do calendário da cidade, o que impediria a operacionalização semanal da estrutura.

O casal Guilherme Langner, 27 anos, e Karina Rafailov, 24, aprovou a novidade. Os dois passaram a tarde estreando a ciclofaixa. “Agora é expandir e melhorar as ciclovias existentes”, afirma Guilherme. O casal usa a bicicleta eventualmente para trabalhar. Em média, utilizam o veículo quatro dias por semana. “Pedalamos sempre. A ciclofaixa é um primeiro passo importante”, conta o rapaz.

Texto: Gazeta do Povo/Paraná, 24/10/2011

Enfim, após anos de Bicicletada reivindicando investimento em estrutura para a mobilidade urbana, é com muita insatisfação que recebemos a primeira proposta do poder público para a Bicicleta.

A nova ciclofaixa que será inaugurada no próximo dia 23/10/2011 possui 4 km de extensão, e não tem um plano de metas apresentado em seu projeto de expansão, trata-se de um circuito fechado no centro da cidade, e o pior: funcionará somente uma vez por mês.

Lembramos que as ciclovias de Curitiba possuem um papel recreativo e não interligam os pontos de grande trânsito da cidade, além de se encontrarem em péssimo estado de conservação.

Com isso, a atual estrutura cicloviária (esta ciclofaixa mais as ciclovias) não favorece substancialmente um projeto de mobilidade urbana sustentável, que venha a fazer com que as pessoas definitivamente usem a bicicleta no cotidiano para se locomover de modo geral nas atividades do dia a dia.

Chamada para o evento Bicicletada Curitiba Extra 23/10: Por Uma Ciclofaixa de Verdade.

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Exposição e venda de cópia 12/12 da fotografia no 4° Leilão Show da Farol Galeria de Arte, 2015, em Curitiba/PR.

SP Arte 2016 - Galeria Ybakatu - Fotografia Gilson Camargo

Exposição da obra no stand da Galeria Ybakatu na SP Arte 2016, no Pavilhão de Exposições do Ibirapuera, em São Paulo/SP.

SP Arte 2016 - Galeria Ybakatu - Fotografia Gilson Camargo

ilíada, canto 1 – claudete pereira jorge – mini guaíra

30 de setembro de 2011 - por gil

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O Canto I da Iliada, com Claudete Pereira Jorge, esteve em cartaz no Mini Auditório do Teatro Guaíra, em Curitiba/PR, dos dias 29 de setembro à 9 de outubro de 2011. A montagem contou com iluminação de Beto Bruel e figurino de Ricardo Garanhani. A operação da luz durante a temporada foi realizada por Danielle Regis. O projeto gráfico dos materiais impressos, cartaz, banner e folders foi desenvolvido por Marcelo De Angelis e a fotografia é de Gilson Camargo. O espetáculo é patrocinado pelo Ministério da Cultura, via Lei Rouanet, com incentivo da Copel e Sanepar e apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Paraná através do Conta Cultura, Teatro Guaíra e da RTVE – Paraná. A realização é da NBP Produções e da Cia. Iliadahomero de Teatro.

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Sinopse do Canto 1 da Iliada de Homero:
Após invocar a Musa, Homero narra a expulsão de Crises, sacerdote de Apolo, por Agamenon, rei dos gregos. O sacerdote oferece ouro em resgate de sua filha Criseida, prisioneira de guerra e escrava predileta de Agamenon. O rei não aceita a oferta e ameaça o sacerdote de morte. Crises foge, humilhado, e roga vingança ao deus Apolo que inflige uma terrível peste aos gregos. A situação se agrava até que Aquiles, inspirado pela deusa Juno, protetora dos gregos, convoca os aliados para uma assembléia e propõe que se consulte um adivinho. Calcas Testórides, o adivinho, por temer a reação de Agamenon, pede proteção a Aquiles antes de falar. Aquiles, em tom arrogante, garante proteção ao adivinho. Calcas Testórides revela a origem da ira de Apolo e vaticina que o Deus se aplacará somente quando Criseida for restituída ao pai acompanhada de uma hecatombe. Agamenom se vê obrigado a libertar Criseida, mas, para ressarcir-se da perda, ameaça Aquiles de tomar-lhe à força sua escrava predileta, Briseida. Aquiles, ofendido, avança sobre Agamenon para matá-lo, porém, desiste do intento por interferência de Minerva e o agride apenas verbalmente, jurando retirar-se doravante da guerra. Nestor Nelides, ancião respeitado entre os gregos e exímio orador, intervém. O velho pede moderação à ambos. Aquiles se retira da assembléia, e desesperado, procura sua mãe, a deusa Tétis, a quem pede vingança. A mãe, compadecida, promete intervir em seu favor junto à Júpiter assim que ele retorne ao Olimpo. Agamenon manda arautos buscarem Briseida. Aquiles, em obediência à Minerva, concede que a levem. Neste ínterim, por ordem de Agamenon, Ulisses comanda a expedição para devolver Criseida ao pai. Os sacrifícios são realizados, o sacerdote retira a maldição e Ulisses retorna ao acampamento dos gregos. Passados 12 dias, Tétis assedia Júpiter no Olimpo e pede vingança contra Agamenon pela injúria ao filho. Júpiter, por dever favores à Tétis, concede ao pedido, mas teme represálias dos deuses que o acusam de favorecer aos troianos. Juno, enciumada e percebendo a artimanha de Tétis, inquire Júpiter sobre a visita inesperada. Júpiter reprime a esposa por lhe fazer perguntas indiscretas e ameaça dar-lhe uma surra. Juno retira-se chorosa com os demais deuses e é consolada por seu filho Vulcano, que faz chiste de si mesmo, e mancando, lembra à mãe do castigo que recebeu por ter ousado contrariar seu pai. Anoitece, cai o sono sobre os deuses e todos vão dormir como se nada estivesse acontecendo.
Octavio Camargo

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Octavio Camargo e Claudete Pereira Jorge durante ensaio no mini auditório do Teatro Guaíra.

O espetáculo vem percorrendo diversas cidades brasileiras desde 2005, e foi apresentado na Biblioteca Pública do Paraná, na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo e na Fundação Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro. Na Europa, a performance foi apresentada nas cidades de Berlim, Skopje, Amsterdam e Atenas. Em 2006, participou da I Bienal de Arte Contemporânea de Thessaloniki, na Grécia.

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Uma apresentação extra foi realizada no dia 11/10/11 para gravação em vídeo. A documentação, destinada à produção de um programa televisivo, foi feita pela equipe da TV Educativa do Paraná, com direção de Cyro Ridal.

Assista acima a um fragmento do espetáculo gravado em vídeo. Abaixo, o discurso de Nestor, em texto integral na versão de Manoel Odorico Mendes.

“Numes eternos, oh! que luto à Grécia!
Oh, que júbilo a Príamo e a seus filhos!
Folgue Ílio à nova de que assim litigam
Os de mor pulso e tino. Obedecei-me,
Sou velho, ó moços. Tido em boa conta
Com melhores que vós me dava outrora.
Varões vi nunca, nem verei, qual Drias
Das gentes regedor, Ceneu e Exádio,
Um Pirítoo, um divo Polifemo,
Teseu Egides a imortais parelho.
Outros como estes não nutria a terra:
Feros pugnaram trucidando a feros
Montícolas Centauros. Lá de Pilos,
Da Ápia eu vinha rogado; conversava-os,
Quanto era em mim nas lutas me exercia.
Ninguém dos vivos de hoje os contrastara;
Atendiam contudo os meus conselhos:
Atendê-los vos praza. Ao mais estrênuo
Tu não tomes dos nossos a só paga;
Nem de ao rei contravir, Pelides, cures;
Dos eleitos que Júpiter estima,
Cetrígero nenhum se lhe equipara:
Mãe deusa te gerou, valor te sobra;
Tem ele mais poder, que impera em muitos.
Eu to suplico, Atrida, a fúria amaina,
Sê brando para quem nesta árdua empresa
É baluarte e escudo aos Gregos todos.”

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centenário do lançamento do livro “ilusão” e da consagração pública de emiliano perneta – 20/08/2011

28 de agosto de 2011 - por gil

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Os portões de acesso à ponte pênsil que leva à Ilha de Ilusão, no Passeio Público, em Curitiba, se abriram – excepcionalmente – neste sábado, 20 de agosto de 2011. Cinquenta cidadãos se concentraram no centro da ilhota, em volta do busto de Emiliano Perneta para celebrar o centenário do lançamento/consagração do livro “Ilusão”, do insígne autor paranaense, tal qual descreveu há 100 anos Oscar Gomes, em “Fanal” (Curitiba, 1 de setembro de 1911) reproduzido abaixo.

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O povo, à maneira da fulgurante Hélade pagã de outrora, deslumbrado ante ao pináculo aurifulgente em que paira Ilusão, do alcandorado poeta paranaense Emiliano Perneta, que, semelhante a um Zeus Olímpico, pode ser chamado um artista inigualável, impecável, entre os mais finíssimos estetas que cultuam a arte e a beleza imortal, o povo, que também reconhece o que é belo, o que é fascinante, não deixou de prestar homenagem ao laureado mestre da poesia que inebria e arrebata.

Tanto assim, que o Passeio Público regurgitava de pessoas, pressurosas por verem de perto o ente singular que as tinha extasiado tantas vezes com a doçura extraordinária de seus versos de cristal.

O domingo amanhecera como nunca. Mitra resplandecia em sua mais intensa plenitude, iluminando a limpidez do firmamento azul, que se havia revestido da túnica inspiradora do poeta festejado.

Na ilha do festival, ampla e bizarra, vicejavam risonhas engrinaldadas de ouro e de acácias, que em aspersões suaves e delicadas, atiravam florinhas miúdas sobre aqueles que se abrigavam à sombra benfazeja que elas proporcionam. As águas deslizando melífluamente. Tudo condizia perfeitamente com o espírito panteísta de Emiliano. A natureza estava vivificante, e boa, e pura, e sã.

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Nessa ilha chamada de Ilusão, elevava-se, estilo jônico, um templo grego, cujas colunas prendiam os festões de cedro e loureiro, que, cheios de graça, se cruzavam nos ares. Uma caçoula onde havia incenso, despendia para o alto em espirais, eflúvios doces e embriagadores. Ornamentavam ainda o local as estátuas de Flora, Pamona, Ceres e Vesta, cada qual representando uma estação do ano, os bustos de Minerva, a sabedoria, Vênus, a representar o amor e a beleza, e Apolo, o inspirador das belas artes.

Tudo contribuía para um conjunto delicioso e harmônico, fazendo lembrar os tempos das glorificações em pleno ar livre, aos poetas gregos na Acrópole. Parecia reviver os tempos de Píndaro, Anacreonte, e Safo; ressurgia o século de Péricles, quando Atenas atingiu o apogeu nas artes, ciências e letras.

Ao chegar, o poeta homenageado dirigiu-se, debaixo de estrepitosas palmas e aclamações, para o templo, onde tomou assento em um banco grego, sendo logo após, brilhantemente saudado pela talentosa oradora do Grêmio das Normalistas, a qual, em nome dessa agremiação, o presenteou com um chic ramalhete de flores.

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Falou em seguida o orador oficial, o consagrado tribuno e homem das letras Dario Veloso, que com a palavra vibrante de que é possuidor, se incumbiu de expor em nome da coletividade os fins daquela justa e digna festa. Via-se então, o príncipe da oratória paranaense coroando com frases rutilantes e economiásticas ao príncipe da poesia.

Em evocações ao passado helênico, o magistral tribuno, lembrando os jogos olímpicos da Grécia, mostrou que, a exemplo dos helenos, à Curitiba cabem as glórias e os triunfos alcançados por Emiliano Perneta. Referindo-se a Ilusão, Dario Veloso fez ver que o poeta reflete em seus versos todas as agruras, quimeras e ilusões dos primeiros anos da era cristã à época da Renascença, e que através daquela melodia intensa, daquele sonho, durante mil e quinhentos anos – quando já íamos galgando a escarpa terrífica do Calvário, para crucificá-lo como um novo Cristo – esse Gólgota se transmuda, num oceano de luz, esparsa por essa beleza esplandente de Sol, que ilumina e vivifica. O orador, voltado para o fulgor azulado deste céu pagão, exaltou a bondade da natureza, que tanto cooperou para maior encanto das festividades.

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Lília Souza, Lygia Lopes dos Santos e Vânia Ennes recitaram sonetos do livro Ilusão.

Em seguida três graciosas senhoritas recitaram, com o maior brilho possível, alguns sonetos do poeta.

Terminando o que estava prescrito, ergueu-se o homenageado e disse não poder responder ao discurso de Dario Veloso, pois que este, não esteve admirável – afirmou, esteve assombroso. Acrescentou que como prova da mais sincera gratidão ia ler os expressivos versos já publicados em seu livro – “para que todos que eu amo sejam felizes”. Então os espaços saturaram-se da melodia límpida e sonora da sua voz argentina, enquanto o auditório, eletrizado, sentia-se ascender às regiões empíricas do além.

O recitativo terminou debaixo de palmas ruidosas e aclamações febris daqueles que o escutavam, enlevados pela harmonia dos versos arrebatadores que só Emiliano sabe produzir.

Essa sublime sagração pública permanecerá inolvidada no coração de todos os paranaenses, será conservada tradicionalmente, para que nossos posteriores possam dizer, no futuro, que o Paraná, ao menos uma vez, reviveu a vida espiritual da Grécia antiga, na qual houve um Píndaro, glorificado por esse novo povo helênico, robusto, belo, sereno e jovial.

Oscar Gomes, “Fanal”, Curitiba, 1 de setembro de 1911.
Fonte:
Revista Textura # 2 / julho 1981 – ed. Secretaria do Estado da Cultura e do Esporte
http://organismo.art.br/blog/?p=1279

Sagrou-se o Perneta, no ermo desta herma
De estalagmites e estalactites
Coroado de louros, príncipe dos poetas
Em terras de Nhá Laura, na Ilha dos Amores

Loiras de ilusão, ruivas de batom
Caminhando entre flores, primaveras abertas

Octavio Camargo e Paulo Bearzoti Filho

Link para a edição fac-similar do livro Ilusão (pdf), no site da Academia Paranaense de Letras