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paulo vítola na academia paranaense de letras

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O músico, compositor, poeta, cronista, jornalista e publicitário, Paulo Vítola (imagem acima) é o novo ocupante da Cadeira nº 25 da Academia Paranaense de Letras, que tem como patrono, Vicente Machado da Silva Lima.

Curitibano de 1947, Paulo Vitola foi parceiro de Palminor Rodrigues Ferreira, o Lápis, na época dos grandes festivais de MPB. Na música também assinou seus primeiros sambas de enredo para o Carnaval de Curitiba na Escola de Samba Não Agite. Na área teatral destacou-se como parceiro de Adherbal Fortes nas peças “Cidade sem portas” e “Terra de todas as gentes”, a primeira, o maior sucesso de público de todos os tempos no Teatro Paiol, e a segunda, o espetáculo que inaugurou o Guairão em 1974.

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Execução do Hino Nacional pelos músicos João Egashira, Sérgio Albach e Denis Mariano.

Vítola desempenhou importante papel como agitador cultural, ao idealizar e liderar o Mapa, movimento que reuniu os compositores da cidade em espetáculos memoráveis no Paiol. Como escritor lançou em 2008 o livro Chucrute & Abacaxi com Vinavuste, uma reunião de crônicas e poesias que publicou na imprensa.

Atualmente na presidência da emissora E-Paraná, o novo Acadêmico foi saudado pelo advogado René Ariel Dotti, na noite desta segunda feira, 27/06, no Teatro Paiol, em Curitiba.

Paulo Vítola foi meu aluno no curso de Direito. Justamente na escola que procura indicar as regras e os caminhos da esperança pelas curvas da Justiça; mas, que atrofiam os espaços da imaginação em favor das algemas da segurança. Eu lembro hoje, como se fosse ontem. Ele era – e nunca deixou de ser – simples, afetuoso, alegre, modesto. Foi La Bruyère (1645/1696) quem disse: “A modéstia é, para o mérito, o que são as sombras para as figuras de um quadro: dá-lhes força e relevo”. (René Dotti)

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Rachel Peixoto de Souza, mãe de Paulo Vítola, veste no filho o fardão da Academia.

“De muitas formas as palavras sempre brincaram comigo e eu com elas. De tal sorte que tenho dúvidas em decidir se escrevi a minha vida ou se foi ela que me escreveu. Seja lá como for, alegra-me o fato de ver reconhecidos pela Academia Paranaense de Letras os meus 45 anos de trabalho na escrita de letras de música, poemas, programas de rádio e televisão, textos publicitários, peças de teatro, espetáculos musicais, trilhas de filmes, planos de comunicação, campanhas políticas, roteiros de teledramaturgia, projetos de educação para o trânsito e para conservação do meio ambiente, e muito mais”. (Paulo Vítola)

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“Gostaria hoje de poder aproveitar a asa da imortalidade para voar até onde está meu pai, Felipe, com seu chapéu de jardineiro regando as plantas de algum jardim. Queria que ele soubesse o valor que tivera para mim os seus livros, as suas sinfonias, as suas óperas, os seus quadros e principalmente o seu exemplo e as suas palavras. Mais uma vez ele iria mostrar para mim uma pequena semente encontrada no chão e perguntaria como é que a semente sabe qual flor ela deve dar? Dessa vez minha resposta seria apenas um sorriso e uma piscada… então esqueceríamos para sempre do nosso último encontro. Aquele que havia deixado um gosto de adeus em todas as pedras da rua Vicente Machado”. (Paulo Vítola)

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Eu preparo uma canção
em que minha mãe se reconheça,
todas as mães se reconheçam,
e que fale como dois olhos.

Caminho por uma rua
que passa em muitos países.
Se não se vêem, eu vejo
e saúdo velhos amigos.

Eu distribuo um segredo
como quem anda ou sorri.
No jeito mais natural
dois carinhos se procuram.

Minha vida, nossas vidas
formam um só diamante.
Aprendi novas palavras
e tornei outras mais belas.

Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.

(Carlos Drummond de Andrade)

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Presentes ao evento, da esquerda para a direita: Roberta Storelli, presidente da Fundação Cultural de Curitiba; Paulino Viapiana, secretário de Cultura do Estado do Paraná; Eduardo Rocha Virmond, presidente da Academia Paranaense de Letras e o acadêmico René Ariel Dotti.

Fotografia, vídeo e edição: Gilson Camargo



Um comentário para “paulo vítola na academia paranaense de letras”

  1. claudio boczon disse:

    Caracoles! a fotografia da execução do hino deixou o Paiol gigante, imenso… com uma cúpula a pairar sobre mortais e imortais, indistintamente. Ducas!!!

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