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retratos prediletos – claudete pereira jorge e helena portela – atrizes

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Imagens produzidas para divulgação e programa do espetáculo “Medéia”, em cartaz no Guairinha a partir de 13 de maio.

Medéia assusta porque existe. Não é uma ficção
A subtração dos direitos de uma pessoa leva a consequências trágicas. Isso acontece sempre. Não se restringe à uma época ou à um território. Medéia é banida da cidade do dia para a noite, por ser estrangeira, por não interessar mais a Jasão, por ser incômoda.
Medéia se reproduz onde não há cidadania

Ela é expulsa pelas leis locais que não a reconhecem. Medéia não tem para onde ir, não pode retornar à Cólquida, ela se vê acoada, constrangida, seu marido a troca por uma grã-fina de Corinto, filha do rei Creonte.
Medéia é a violenta reação à violência

O sentimento de revolta, a injustiça, não transforma o mal em bem. A vítima retorna com uma crueldade ainda maior que a de seu agressor: explode colete de bomba.
Medéia é jogada na lama e vira areia movediça

Nem Jasão, honorável homem de sua época, chefe da expedição que resgatou o Velocino de Ouro, conseguiu levar a melhor com Medéia. É a justa paga por subestimar quem se encontra numa posição frágil, por imaginar que o poder lhe dê garantias de impunidade.
Medéia é o beijo que se transforma em tiro na boca

Na origem do delírio homicida está a subtração do afeto, o desaparecimento de qualquer lógica emotiva. A transformação da proximidade em abismo e distância engendra monstros. As maiores vinganças ocorrem entre seres afins.
Marchioro e Medéia

A montagem de Marcelo Marchioro põe uma lente de aumento na ambivalência emotiva da personagem de Eurípedes, na polifonia de vozes que determinam sua ação. Sua adaptação nos permite visualizar de forma clara o monólogo interior da infanticida, perceber sua dimensão humana, acompanhar a crise de consciência de Medéia projetada na relação com o seu duplo, a Ama, que estrangeira como ela, igualmente vinda da Cólquida, é sua serviçal e cúmplice na efetivação da terrivel vingança.
Octavio Camargo

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O diretor Marcelo Marchioro e a atriz Claudete Pereira Jorge estão prestes a realizar o desejo antigo de montar Medeia, a tragédia infanticida. Chegaram a pensar em fazer um solo, mas acabaram alterando o plano para incluir em cena a filha de Claudete, a também atriz Helena Portela. À jovem coube o papel da ama, uma espécie de extensão da protagonista: sua cúmplice e a indutora de seus crimes.
Pela voz da ama ecoam as falas dos outros personagens que habitariam a tragédia escrita por Eurípedes em 431 a.C, mas, foram suprimidos nesta versão. As únicas figuras masculinas preservadas viraram imagens estáticas: não passam de uma sombra (provável solução para a presença de Jasão, o marido que abandona Medeia) ou um estandarte (o rei Creonte) ao fundo do palco. Nessa operação, perto de metade do texto original foi subtraído.
Cinco anos se passaram desde que Marcelo Marchioro dirigiu suas últimas montagens, a peça Pico na Veia e a ópera Gianni Schicchi, de Puccini. De volta à ativa, o diretor se dedica a um texto clássico, identificando nele atualidade e proximidade: “Nossa vida é uma tragédia”, diz justificando por que montar a peça agora. E completa: “A Medeia é nossa vida. Na semana passada, um homem matou dois filhos e se jogou de um prédio.”

“Medeia era uma bárbara. Veio de uma sociedade matriarcal e se viu, por amor, na sociedade grega onde a mulher não tinha a menor voz, onde o filho é do pai, não da mãe. Ela traiu pai e mãe e matou o irmão por esse homem. Está perdida, sendo banida, e seus filhos com certeza serão mortos”, descreve Claudete. E conclui, sobre essa mulher contraditória: “Para Medeia, matar os filhos não é só vingança, é instinto de proteção.”
Luciana Romagnolli – Gazeta do Povo, 25/04/10

Serviço: Medeia. Guairinha (R. XV de Novembro, s/n.º), (41) 3315-0979. Texto de Eurípedes. Direção de Marcelo Marchioro. Com Claudete Pereira Jorge e Helena Portela. Estreia dia 13 de maio, às 21 horas. Sexta e sáb. às 21h e dom. às 19h. Ingressos a confirmar.



5 comentários para “retratos prediletos – claudete pereira jorge e helena portela – atrizes”

  1. Grimaldi disse:

    Bravo!

  2. Tweets that mention Dois retratos para Medeia. Segundo um tremendo amor de pica! -- Topsy.com disse:

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  3. Gi disse:

    lindas!

  4. Tweets that mention Olhar Comum » Arquivo » retratos prediletos - claudete pereira jorge e helena portela - atrizes -- Topsy.com disse:

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  5. Biel disse:

    muito bom

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