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retratos prediletos – luiz antônio solda – cartunista

Rendam-se! – fotografia para divulgação da exposição “Tirando de letra”. Agosto. 2001.



10 comentários para “retratos prediletos – luiz antônio solda – cartunista”

  1. Giselle disse:

    Que foto gostosa do Soruda!

  2. gil disse:

    é o cara!

  3. foca disse:

    mãos ao alto!!! disse o fotógrafo pro cartunista…

  4. Solda disse:

    Giruson Camarugo:

    Soruda san non merece tanto! Oburigado! Você é o foturógrafo!

  5. silas correa leite disse:

    Poema do Dia do Aniversário (19.08.52)

    “O homem sofre por viver na solidão,
    impotente diante dos obstáculos,
    condenado à espera inútil e aos
    desejos eternamente insatisfeitos.
    Nenhuma magia o liberta de seu
    destino trágico(…)” Ivan Marques

    Faço anos, como quem morre.
    Uma pessoa como eu, não faz anos, dura.
    Fui feito de sangue, suor e lágrimas
    E assim vou me levando, sem lenço e sem documento.

    O dia do aniversário da gente
    É o dia mais triste do mundo
    Deixamos a seguridade do planeta placenta
    E viemos dar no inferno da terra, a escória do espaço.

    Longe de Itararé, da casa da mãe
    O mundo é cainho, uma mixórdia
    Tento sobreviver nem querendo parecer humano
    E me fujo na poesia, no escrever diários de abordagens.

    O dia do nascimento de uma pessoa triste
    É como o dia de sua morte, no devir
    Nada antes, nada depois, somos o nada
    E escrever sobre a espécie é aprimorar técnicas de vôos.

    Agosto é um mês de lunáticos e lobos
    E sendo eu um poeta que perdeu a infância
    Corro-me criança por aí a escrever matizes
    Tentando na poesia ter um mundo imaginário, além-luz

    Faço aniversário como quem morre, como quem sobrevive a vegetar
    Longe de casa, longe da mãe, de Itararé, de mim; do meu próprio estar
    O que eu sou é meio lobo, meio criança, meio terráqueo a se procurar
    Apontando para uma ilha no céu e pedindo resgate, socorro, Lar.
    -0-

    Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
    http://www.itarare.com.br/silas.htm
    Poema da Série “Na Casa do Pai Há Muitas Geladas”

  6. silas correa leite disse:

    Dez Poemas de Silas Correa Leite

    Condomínio Via-Láctea

    A lua nova sobre o arranha-céu
    Com rímel de nuvens e sorriso de miss
    Não sabe de janelas abertas
    No enorme Edifício Vulgata
    De arquitetura espacial.

    O edifício e o condomínio têm luas
    Como tem ruínas e alguns fantasmas
    Da rua olho todos os sinais
    Janelas abertas são ruas no breu
    Muito além do noturnal.

    A lua e o breu noturno no alto céu
    O condomínio e seus desenredos
    As luzes e as janelas abertas
    Talvez a Lua seja uma
    Válvula de escape sideral.
    ………………………………………………..

    No céu noturno da cidade grande
    O prédio é só cimento armado
    Mas a lua é uma janela
    No Condomínio Via Láctea
    Como um jogo de pinball.

    -0-

    Declamar Poemas

    Para Regina Benitez

    Não fui feito para declamar poemas
    Ter timbre, empostar a voz, tempo cênico
    E ainda dar tom gutural em tristices letrais.

    Não fui feito para decorar poemas
    Malemal os crio e os pincho fora
    Para o poema saber mesmo quem é que manda.

    Não fui feito para teatralizar poemas
    Mal os entalho e deixo que singrem
    Horizontes nunca dantes naves/gados.

    Não fui feito para perolizar poemas
    Borboletas são pastos de pássaros
    Assim os poemas que se caibam crusoés.

    Não fui feito para ser dono de poemas
    Eles que se toquem e se materializem
    Peles de pedras permitem leituras lacrimais.

    Não fui feito nem para fazer poemas
    Por isso nem cheira e nem freud a olaria
    Apenas uso estoque de presenças jugulares.

    Não fui feito eu mesmo. Sou poema
    Bípele, cervejólo, bebemoro noiteadeiros
    Quando ovulo sou fio-terra em alma nau.

    -0-

    Poema do Cego Pulando Amarelinha

    Para Alberto Frederico Correa Santos

    O cego pulando amarelinha
    Toma o anjo pela mão
    Você só vê o gesto táctil do cego, não
    Vê jamais o anjo na sua condução
    Em cada estágio de saltar sem pisar na linha.

    O cego pulando amarelinha
    Parece flutuar num balé
    E sonda-o a rua de Itararé inteirinha
    Perguntando o que nele enseja tanta fé
    Céu e inferno; o cego parece que advinha

    O cego e a sua amarelinha
    Parece um milagre até
    Toma-o pela mão o anjo; o cego se aninha
    E pula e salta e vence e acerta o pé
    Talvez porque céu ou inferno só dentro da gente é.

    -0-

    Forfé de Pião Rueiro

    A madeira na mão um toco de imbuia cheirosa
    Pedindo pro Jora da Marcenaria Estrela tornear
    O pião pra jogar com a gurizada na rua descalça
    Que a fieira tinha tirado de uma cortina de casa

    O Seu Jora só perdeu um instantinho-prosa daí
    Surgiu o pião rombudo qual coxinha de frango
    Marrom lixado e um prego sem cabeça na ponta
    Pro bicho correr doido como a bailar fox-trot

    O pião na mão e o movimento no colo da idéia
    Rua cheia de piás guris moleques curumins até
    O sol de Itararé rachando revólver de mamona
    Gibis do Flecha Ligeira na mão e tarde ardendo

    Então a fila pra assistir a inauguração do pião
    O coração tamborilando rabo de olho na mira
    Enrolei a fieira na bundinha do pião maroteiro
    E fiz panca de Burt Lancaster depois da maleita

    Soltei o pião lazarento (que apelidei de Garrincha)
    E ele foi de bubuia e fez reviravolteio na Rua Capilé
    Foi um deus-nos-acuda dos guris serelepes torcendo
    Pro meu pião querido ir de vareio no rio da bosta

    Mas o caipora lazarento fez fricote zumbiu e parou
    Na minha mão direita como uma roseira de brincar

    Eu era criança e Itararé tinha uma barulhança pueril
    Cresci virei peão de pegar no batente e fazer poemas

    -0-

    Poeta Escolhendo Feijão

    “Um poeta escolhendo feijão/
    Não parece nada poético/
    Antes, piegas; na ótica vão/
    Onirismos – metáforas do imagético/
    Que pedaços ali se haverão/
    Como palavras, no profético?/
    (Que caldo na imaginação/
    A situação até como arquétipo?)/
    Um poeta escolhendo feijão/
    Está em lavração errada/
    As palavras ali não se serão/
    Num peneirar de pedra limada/
    Por isso os carunchos ficarão/
    Além da situação impensada/
    E nesse oficio ele é aleijão/
    Como um porco, na feijoada”

    -0-

    A Identidade da Dor (Poema Para o Centenário da Imigração Japonesa)

    Hiroshima ainda está lá
    Como um espelho
    Uma bomba não mata uma cidade
    Uma identidade-povo
    Uma idéia-espaço

    Nagazaki ainda está lá
    E reflete Hiroshima
    Não pela radiação mas
    Pelo que ambas foram e serão

    Restos de Hiroshima
    Ainda são Hiroshima
    Como escombros de Nagazaki
    Têm uma identidade silencial

    Ninguém mata Hiroshima ou Nagazaki
    Ninguém mata a vida
    Ou uma identidade histórica e espacial de vida

    A bomba não mata a dor
    Do que restou da guerra
    E essa dor que doerá infinitalmente
    Será Hiroshima
    Será Nagazaki
    Porque a paz confere a dor
    Perpetrada na lágrima
    Como um desenho arquitetural na saudade
    Que a luz lê em sangue
    Nas flores de cerejeiras
    Como haicais, no átomo

    -0-

    La Vie En Rose

    Leminski morreu de poesia
    Ou de cirrose; se vivo fosse
    Naturalmente um outro seria
    Talvez vencedor de posse
    Caetano que fugiu pra Londres
    Não morreu e se socorre
    A escrever bugigangas hoje
    Como se nunca existisse
    Hendrix, Joplin; até Cazuza
    Se não morresse o que seria?
    Lupíscinio não se fez num dia
    Só no infinital da boemia
    Renato Russo, Torquato, Capinan
    Um parafuso a mais tantas vezes
    (Ou o anonimato de uma neura vã
    Em celeiros de burgueses?)
    A vida é cor-de-rosa na juventude
    Depois o decrépito vive amiúde
    E na velhice a arte louca vegeta
    Artista, vanguardista, poeta
    ………………………………………………..
    Morrer criando toda glosa
    Em verso e samba e prosa
    Foi o clímax de Noel Rosa
    Idolatrado

    Morrer de velhice por aí
    É muito triste ao condenado
    Feito Caimy ou Cauby
    Cada um de si mesmo em si
    Beirando ser esclerosado.

    Melhor morrer no auge a criar, de overdose
    Jovem portentoso – no suicídio ou na cirrose

    Ou restar-se à decadência vil, pobre coitado
    E à existência reles e comum ser condenado

    -0-

    Tomar Chuva

    Algumas vezes existi.
    Algumas vezes tomei chuva.
    Mas quando tomei chuva eu me senti um átomo da água e ali
    Fui rio, nuvem, relâmpago, açude, cisterna, foz e quase voei.

    Porque tomar chuva é integrar-se à natureza, ser parte dela
    Conjugar o verbo haver no sentido mais pleno de seu assento
    Eu a chuva e até algumas lágrimas de alegria, êxtase e contentamento
    Como se a minha alma-árvore se lavasse por dentro…

    E fui chuva e guri e mar e senti minha alma flutuar numa nuvem-nau
    Porque eu era a maravilhosa Chuva naquele bendito magno momento

    Então a chuva me reconhecendo como parte dela (que o meu espírito o é)
    Parou de ser peneiradinha naquele tardiscar cor de rosa-pitanga de Itararé
    E o lírio-laranja do sol se abriu e eu me vi ali
    No fio-terra, o guri
    Angelicalmente de alma lavada
    Pronto para enfrentar a cara amarrada
    Da vida distante que em busca de mim mesmo a peregrinar escolhi.

    -0-

    MANDRAKE

    O pai prendia a rua:
    Cristão não brinca na rua.
    O pai desinventava a bola de capotão
    De Garrincha, Bellini, Rivelino, Pelé, Tostão.
    Crente não joga bola, Deus não gosta.
    O pai desproporcionava a infância:
    Ler gibis é pecado, não vai pro céu.
    E eu era fã do Mandrake, Príncipe Valente,
    Flecha Ligeira, Fantasma, Saci e Flash Gordon.

    De tanto ler – em casa era castigo ler bastante
    De dicionários e jornais à Bíblia
    Fiz da minha imaginação uma rua aberta para além da humanidade.
    Vi pegadas no céu. Tive rasuras de peregrinações.
    Sempre fui muito grosso no futebol, cavalo mesmo.
    Um perna de pau que sabia que ki-chute e unha encravada não combinavam
    Quando não, por ser crente, era um manteiga derretida, canela de vidro
    Que mal sabia dar direito o drible da vaca louca.

    Da Poesia fiz almanaque rueiro em fugas letrais
    Gibis clandestinos povoaram minha abstração em lavouras-intimidades
    Com entrudos de histórias em quadrinhos como se cinesmacope na alma-avelã.
    O poeta-caminheiro a escrever acontecências do arco da velha
    Pomposos causos pra boi dormir
    Entre invencionices desparafusadas e poemas em polaroid.

    Assim vim pela vida sendo um guri eterno
    Com medo de Deus, com medo do inferno
    Chutando a pelota do amargo mundo legal
    Para o desmundo das idéias, muito além da triste vida real

    -0-

    Álbum de Figurinhas

    Ai que saudades que eu tenho
    Dos meus álbuns de figurinhas de coleção
    Que eu cuidava todo trancham, todo pimpão
    Quando guri lá em Itararé
    À sombra do lar and jazz
    Que os anos não trazem mais.

    Bolinho de piruá, capilé de groselha preta
    O pai floreando o acordeão ou a clarineta
    Eu com gibis do Tarzan ou do Flecha Ligeira
    E o álbum que devidamente preenchido dava de brinde
    De bola oficial de futebol a panela-de-pressão

    Com meu belo ki-chute pretinho
    Tomava crush de canudinho, e de boné
    Jogava bate-bafo na rua descalça e rapelava
    A petizada pidoncha da periferia de Itararé.

    Um dia chorei de montão
    Porque por mais que a vida por bem ou mal ensine
    É a frustração na infância que a desilusão define:

    -Deixei de ganhar uma bola da capotão
    Porque na minha bendita coleção
    Faltou uma figurinha carimbada do Belini.

    -0-

    Silas Correa Leite, Itararé-SP
    Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos (SP).
    Blogues: http://www.portas-lapsos.zip.net ou http://www.campodetrigocomcorvos.zip.net
    E-mail: poesilas@terra.com.br

  7. silas correa leite disse:

    NATAL (Conto de Natal)
    Silas Correa Leite
    Não tínhamos Pinheirinho nem peru ou Cesta de Natal. Tampouco tínhamos brinquedos ou estrelas de luz. Mas tínhamos o Pai com seus hinos, suas bandas e corais. E assim o Pai era o nosso presépio e a “Música” era o nosso Menino Jesus. Tivemos que saber lidar com isso e acabamos finalmente Filhos da Música. De alguma maneira vencemos a cifra de nossa dor. Choramos e sofremos e nos lavamos de algum modo. De alguma maneira também ganhamos ou perdemos a nossa própria coroa de espinhos, que cada um ao seu jeito fez por merecer. Não tínhamos necessariamente um dezembro colorido ou de presentes. Mas até hoje guardamos conosco a Musica em memória do Pai como o nosso próprio Jesus, o nosso próprio Natal.

    -0-

    Silas Correa Leite, E-mail: poesilas@terra.com.br
    Site: http://www.portas-lapsos.zip.net

  8. jar.io disse:

    O Anjo Negro e a serpente adormecida…

    Assim como existe um Sol Oriental no Céus, onde todos que estão na Luz o admiram seus raios de Verdade e Amor, também existe um Sol Ocidental
    ……

  9. Carlos Couto disse:

    meu plágio está paráfrase
    (para Luiz Antonio Solda)

    o salto está paraquedas
    assim omo
    a queda está paramédico

    a linha está paralela
    assim como
    a curva está parábola

    o sentido está paradoxo
    assim como
    a crença está paradigma

    o conjunto está parafernália
    assim como
    a tempestade está para-raio

    o poema está parabéns
    assim como
    a homenagem está parati

  10. CLAUDINHO RIVERSUL disse:

    SO PODERIA SER DE ITARARE….A TERRA DO CRACK, ITARARE TUDO DE BOM , SO FALTA UM DELEGADO QUE NAO SEJA LOGO….

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