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vila da glória – il fault un noveau monde a dés destins

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Índios Carijó (Guarani), os habitantes nativos. Gravura de Ulrich Schmidl – 1559

O Falanstério do Saí

No século XIX, o desencantamento com os ideais da Revolução Francesa revigorou o pensamento utópico, cujos desdobramentos elegeriam a América como um espaço geográfico propício para experiências até então inusitadas. Saint-Simon, Owen e Fourier foram os principais representantes dessa vertente de pensamento e apresentaram à humanidade fórmulas de liberação, inventando mundos novos nos quais propunham relações radicalmente inovadoras. Suas propostas encerravam uma concepção messiânica de política, por este motivo criticadas e denominadas por Marx e Engels de socialismo utópico.

Em janeiro de 1842, cerca de 217 franceses, liderados pelo doutor Benoit Jules Mure, se aventuraram na travessia do Atlântico rumo ao Brasil. Seu destino era um ponto em frente à Ilha de São Francisco do Sul, a Península do Saí. Ali, longe dos vícios das metrópoles européias, pretendiam criar um mundo novo, inspirados nas idéias de Charles Fourier, principalmente naquelas que diziam respeito às relações do trabalho. Por meio de um sistema econômico baseado na livre associação, tentariam implantar um sistema coletivista.

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Diferente de Marx, para o qual a chave da história era o conhecimento dos fenômenos materiais, das profundidades da economia, da relação dos homens no trabalho; para Fourier, a chave da história era o desvendamento da vida afetiva dos grupos, havendo uma correspondência entre o mundo planetário e o mundo social: “o movimento que impulsiona os planetas, assim como os homens, é o amor, a atração passional”.

Com base nessa concepção idealizou o “falanstério”, ou seja, uma habitação coletiva que abrigaria um mundo no qual a harmonia garantiria o bem-estar, a justiça e a liberdade entre seus habitantes. Essa palavra estranha foi criada por Fourier, já que não existia nenhuma na linguagem corrente que definisse a moradia por ele concebida. Falanstério, pois, significa a junção das palavras “falange” e “monastério”, porquanto as pessoas que nele habitassem seriam organizadas em falanges. Cada falange seria composta de 1.620 pessoas, 810 homens e 810 mulheres, e divididas em séries. Por sua vez, a série deveria ser dividida em grupos, segundo o número de trabalhos a realizar e as “atrações passionais” dos falansterianos.

O Dr. Mure foi o responsável pela única tentativa concreta de instalação de um falanstério no Brasil, o chamado Falanstério do Saí, contemplado no seu projeto com vastas oficinas, salas de refeição, bar e, num futuro próximo, livrarias, museus, gabinetes de física e um teatro. A cozinha seria comum a todos, bem com o a adega, o armazém e o celeiro.

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Dr. Benoit Jules Mure – 1809/1858

Quando chegou ao Brasil, Benoit Jules Mure tinha 32 anos. Formado em medicina pela Universidade de Paris, por algum tempo se dedicara a homeopatia na França, na época, uma novidade terapêutica.

Homeopatia e utopia caminhavam juntas nos planos de Mure. Uma escola para formação de homeopatas complementava seu projeto para o Saí. No entanto, já em meados de 1843, estava de volta ao Rio de Janeiro. Parte de seus planos para a nova prática de curar concretizaram-se naquela cidade com a fundação do Instituto Homeopático do Brasil, não sem antes enfrentar oposição dos médicos tradicionais, que o envolveram em intrigas e dissabores. Desiludido, Mure voltou para a França em 1848.

São controversos os motivos pelo qual Mure desempenhou sua função de “empresário” na pretendida colonização. Fato é que Mure conseguiu aprovação da Assembléia Geral (atual Congresso Nacional) para o adiantamento de 64.000$00 (sessenta e quatro mil réis) destinados às despesas com a introdução de franceses adeptos das idéias de Fourier, a fim de estabelecerem a “Colônia Industrial do Saí”.

Fonte: texto extraído do livro “Muito além da viagem de Gonneville”, editora da UFSC/SC

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Ilha de São Francisco do Sul, vista da Vila da Glória- Saí/SC/Brasil – 2007

Porto de Itapoá – o Saí hoje

Agora vai! Garantem Autoridades do Estado e do Município, empresários e BID oficializam a construção do terminal já falando de etapas vencidas para iniciar a obra.

Será instalado no município de Itapoá/SC, o primeiro Terminal de Contêineres (Tecon) privado do país, investimento de US$ 100 milhões: 44% dos grupos empresariais sócios do empreendimento (Conglomerado Battistella e Aliança Navegação Logística) e 56% do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Ao Governo do Estado caberá injetar recursos na infra-estrutura da região portuária, tendo como prioridades o asfalto da SC 415, que liga o terminal à BR 101, fornecimento de água e energia, capacitação da mão-de-obra e apoio ao aperfeiçoamento do Plano Diretor de Itapoá, neste caso, em parceria com o município.

O terminal terá capacidade instalada em sua primeira fase para movimentar 300 mil contêineres/ano, ampliando cerca de 50% os atuais 700 mil movimentos em São Francisco do Sul, Itajaí e Imbituba (os três portos do Estado). Já de início deve atender indústrias catarinenses e de outros estados nos seus embarques ao exterior, assegurar maior competitividade e cobrir ainda o fluxo de transbordo de cargas vindas da Argentina e do Uruguai. Num segundo momento o objetivo é ainda maior: alcançar 500 mil unidades/ano.

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Pedra fundamental do porto de Itapoá. Ao fundo, a Ilha de São Francisco do Sul – junho/2007

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8 comentários para “vila da glória – il fault un noveau monde a dés destins”

  1. Garuva - Itapoá « Pedaleiro disse:

    […] com o meu amigo Dr. Benoit Jules Mure, o precursor da homeopatia no Brasil e o fundador do primeiro falanstério do […]

  2. Gisleine Krüger Pereira disse:

    Oi, sou uma descente dos Alemães e meu Pai é nascido na Vila da Glória nós aqui de casa gostariamos de saber quando vão asfaltar a Vila da Glória toda, alias desde Joinville (Vigorelli)?
    Obrigada.

  3. Rita Maçaneiro disse:

    Minha avó,Dária Soares Alves,foi a primeira professora da Vila da Glória.Gostaria de saber se há algum registro sobre
    a vida dela como professora e sua escola.

  4. Sibele Ganz disse:

    Olha só que legal, Gilson. Não sei se lembra de mim, prestei serviço para a cozinha do Beto Batata. Hoje estava pesquisando sobre utopia urbana e tal e me deparei com seu material sobre o Saí. Mundo pequeno, né? Até mesmo o virtual. Um abraço, Sibele

  5. jan disse:

    bem-estar, justiça e liberdade …uau, esse paraíso existe, ou é mesmo uma lenda? rs

  6. carlos adauto vieira disse:

    carlos adauto vieira
    NÃO PUDE ASSISTIR AOS DOIS PROGRAMAS. GOSTARIA DE TER UMA CÓPIA DELE INTEIRO EM DVD. É POSSÍVEL, GILSON ? GRATO. ABRAÇOS.

  7. Fernanda de Aquino disse:

    Sou jornalista e tenho uma coluna no http://www.correiodolitoral.com (Correio de S. Chico).
    A partir da próxima semana estarei publicando uma série de artigos sobre o Falanstério do Saí.
    Se quiser acompanhar e contribuir, eu agradeço.

    P.S. show o teu site

  8. jéssica disse:

    gostaria de um comentário sobre a vila da gloria e imagens muito obrigado

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